Eduardo Gregori
do Espaço GLS
A primeira noite da III Conferência Municipal LGTTB de Campinas foi pontuada pela luta das travestis e transexuais por seus direitos e contra o preconceito . O evento foi aberto com a coordenação de Denise Martins, do Movimento de Travestis e Transexuais de Campinas - Grupo 100% Guerreiras. A pauta das discussões girou em torno da situação de risco em que vivem as travestis e transexuais que trabalham nas ruas de Campinas, cidade do interior paulista com o maior número de assassinatos contra travestis e transexuais. Conquistas do movimento LGTTB campineiro nas esferas social e política também foram lembradas. A segunda mesa: “Saindo da Gaveta: 10 Anos Depois" Um Resgate Histórico do Movimento LGTTB de Campinas foi coordenada por Marcelo Oliveira, do Grupo Identidade, e teve como convidado Luis Mott, antropólogo e fundador do Grupo Gay da Bahia (GGB). Mott falou sobre a postura das igrejas frente à Aids e o casamento homossexual. "O Papa diz que a única forma de preveção contra a aids é a abstinência sexual e a fidelidade e não a camisinha", e ainda: "Bento XVI diz que o casamento entre pessoas do mesmo sexo é uma anarquia". O líder do GGB alertou o movimento LGTTB de Campinas para o fato de que a cidade vive sitiada por igrejas e que é preciso lutar contra a homofobia pregada nos templos.
Em seguida, o discursso de Mott voltou-se para a fobia contra a comunidade LGTTB. Segundos dados apurados pelo GGB, cerca de 100 membros da comunidade LGTTB brasileira são mortos por ano no Brasil. O número de travestis e transexuais mortos entre 1970 e 2004 é de 640, entre estes, 315 apenas nos últimos 8 anos. A estatística, segundo Mott, não retrata a real situação dos crimes praticados por fobia à orientação sexual. Mott ainda revelou que muitos casos não são registrados nem pela polícia e nem pelos grupos de militância. No ranking dos estados que mais matam travestis e transexuais estão: São Paulo em primeiro lugar, Pernambuco em segundo e Parané em terceiro. Apesar de estar em segundo lugar, de acordo com Mott, Pernambuco é o estado mais transfóbico no Brasil. "As travestis de lá têm medo de sair na rua". Sobre Campinas, o antropólogo lembrou casos de homofobia como a condenação da casa noturna Xel-Há, que discriminou um casal de homossexuais em 2003 e ainda a violência praticada contra as travestis que trabalham nas ruas do Bosque.
Em seguida foi aberta a Exposição "Saindo da Gaveta: 10 Anos Depois, com fotos e reportagens sobre a história do movimento LGTTB de Campinas, que este ano completa 10 anos de existência
A III Conferência Municipal LGTTB continua neste sábado (11/06) às 10h com a mesa "A Diversidade na Universidade Pela Lente da Academia” Estudos e Reflexões sobre Lésbicas, Gueis (Gays), Travestis, Transexuais e Bissexuais nas Universidades", às 14h com a mesa "A Liberdade do Ativista", com a participação de João Silvério Trevisan e às 16 horas com a mesa "Movimentos Sociais". Às 18h acontece a apresentação cultural "Um é pouco, 2 é bom 3 é D+" – Trecho do espetáculo da Cia de Dança Lina Penteado do ano de 2005.
No domingo (12/06), as atividades começam às 10h com grupos de trabalho e às 14h30 acontece a plenária final.
Serviço:
III Conferência de LGTTB de Campinas
Sexta, Sábado e Domingo, dias 10, 11 e 12 de Junho
Local: Salão Vermelho da Prefeitura Municipal de Campinas - Avenida Anchieta, 200 - Centro Campinas - SP
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