
O Jornalista e Produtor de Moda Jorge Marcelo Oliveira sempre foi uma pessoa digamos que “polêmica”. Resumidamente, superficialmente, várias pessoas podem classificá-lo assim: “polêmico”. Para quem de fato o conhece, a palavra “polêmica” é a que menos o representa, talvez, apenas uma das características de um amigo há mais de 10 anos, excelente profissional, humor ímpar, alma gêmea, romântico, hype, e por aí vai…
Com produções bombadas para editorias e um blog influente sobre o mercado de moda e cultura de Campinas e Região – “Mondo Moda”, Marcelo Oliveira pode ser classificado hoje como um dos mais conceituados profissionais de moda de Campinas.
Aqui, Marcelo participa de mais uma entrevista básica e gonga Kate Moss - uó, detona jeans, tênis sujo e camiseta (me detona, então tá!) e mostra apenas uma parte de seu conhecimento sobre o assunto mais em voga atualmente: a MODA.
NLDJ - O que é Moda?
JMO - História da humanidade através de roupa, comportamento, cultura e outras questões que estão em mudança. Além da semântica, moda é uma rica indústria, que emprega milhares de pessoas, nos mais variados setores.
NLDJ - Podemos dizer que já temos uma identidade de moda no Brasil ou tudo não passa de um grande circo?
JMO - Existe uma confusão com a palavra identidade. Todo país, por mais colonizado que seja, tem uma cara – nem que seja das “cópias”. Assim, claro que o Brasil tem uma identidade de moda, assim como outros países. Erramos em acreditar que o país se limite apenas ao circuito São Paulo e Rio de Janeiro. Temos referências de moda fortíssimas em outros estados. Vide o recém criado Dragão Fashion, que aconteceu no começo de Abril em Fortaleza. O evento mostrou a produção de moda de grifes da região nordestina, com criatividade e talento. Pensar o Brasil como uma identidade única de moda é limitar nosso potencial.
NLDJ - É possível se vestir bem e gastar pouco?
JMO - Claro que é possível. Com a quantidade de informações disponíveis em variados meios de comunicação, principalmente pela internet e televisão, as pessoas estão mais próximas a acertar do que a errar. Esta democracia de moda nem sempre é bem aceita pelos conservadores, que acreditam que apenas o que vem de Paris e Milão é o que importa (pensamento equivocado).
Na realidade, no mundo contemporâneo, os magazines estão cada vez mais antenados como as tendências – vide a C&A e a Zara (que para mim vendem o mesmo produto, apenas com layouts diferentes). Elas se tornaram referência de moda para a classe média C e B. Claro que o produto oferecido nem sempre é de qualidade, incluindo acabamento e corte mal feito. Contudo, se a idéia é consumo rápido das tendências de cada estação, os magazines oferecem exatamente o que se procura: fast-food de moda.
NLDJ - Na sua opinião, quais marcas e estilistas que se fato se destacam no mercado nacional e internacional?
JMO - Nacional: Lenny, Alexandre Herschcovitch (feminino), Lino Villaventura, Ronaldo Fraga, Ricardo Almeida, Animale, Richard’s e Hering.
Internacional: Balenciaga by Nicolas Ghesquiere é a marca mais importante desta década. Depois vem Christin Dior by John Galliano, Prada, Louis Vuitton by Marc Jacobs, Giorgio Armani (seu masculino é imbatível), Viktor & Rolf, Elie Saab (os vestidos de noite mais lindos do momento), Alexander McQueen e Chanel by Karl Lagerfeld (apesar da falta de vigor da marca faz alguns anos, ainda é uma referência).
NLDJ - O que vc acha do Marc Jacobs?
JMO - Seu trabalho na Louis Vuitton é incrível. Transformou a grife em objeto de culto e uma das mais fortes internacionalmente. Nem sempre ele acerta, mas sem dúvida, é um dos mais vigorosos estilistas desta década.
NLDJ - Gisele ou Kate?
JMO - Para ser sincero, nenhuma. Falar que ambas são ícones fashion é chover no molhado. Contudo, o visual da Gisele já cansou faz anos – aquele pikumã… Quanto a Kate Moss… Ela tem uma vida privada deplorável. Não acredito que uma viciada em drogas seja “modelo” de coisa boa para ninguém. Ela parou nos anos 90 e ficou!
NLDJ - Alta Costura, Mercado de Luxo ou Magazine Fashion?
JMO - Alta Costura é um mundo para pouquíssimas felizardas do universo. Hoje existem 2000 clientes no mundo todo, destas, apenas 200 consomem anualmente o que é produzido na Alta Costura – sendo que metade são princesas árabes e o resto de milionárias americanas.
O mercado do luxo é o desejo de todos que têm conhecimento de moda. Como a Alta Costura é um mundo exclusivo e inatingível, ficamos com os óculos, bolsas, cintos, carteiras, perfumes… Seria uma forma de ter um pedacinho daquilo que todos sonhamos.
Magazine Fashion? Se não for possível conseguir itens do mercado de luxo, pelo menos, as revistas continuam alimentando o desejo e o sonho.
NLDJ - Gay se veste bem?
JMO - Depende de qual gay você está se referindo. Tudo depende do grau de informação que ele tenha. Falar de moda segmentada é muito complicado. Primeiro que, assim como héteros, existe uma enorme diversidade de gays e lésbicas. Cada um tem uma história, educação e cultura. Outros pontos que merecem atenção dizem respeito a localização. Gays de cidades grandes se vestem de uma forma que os de cidades menores jamais se vestiriam, principalmente por causa das pressões familiares e sociais. O mesmo vale para as lésbicas. Outro ponto – talvez, o mais importante - é relação com sua sexualidade. Gente bem resolvida e sem conflitos usam o que querem, sem se preocupar com a opinião deste ou daquele. Contudo, sabemos que as coisas não são muito fáceis para a grande maioria de gays e lésbicas deste país. De qualquer forma, importante entender que, moda tem forte relação entre a roupa e a história. Elas estão interligadas e não é possível separa-las. Entender os mecanismos sociais de uma roupa é entender a evolução do homem em sociedade.
Sem querer ser maldoso, mas inevitável de ser, de todos os gays que eu já encontrei, os mais mal-vestidos são militantes. Todos usam camiseta com alguma mensagem política, mas insistem em afirmar que “moda é coisa da elite e de gente alienada”. O que é uma grande hipocrisia, afinal, eles usam a moda como instrumento de contestação, mas não tem discernimento para ver isto. Sem contar aqueles que usam paletó mostarda, camisa com gola Mao, calça vermelha e sandália com meia branca e acham que isto é o máximo no quesito “estilo”.
NLDJ - O que é cafona para vc?
JMO - Tanta coisa é cafona… Pessoas que não entendem seu corpo e sua idade, acreditando, mesmo depois dos 25 anos, usar apenas camiseta, calça jeans e tênis sujo garantem sua juventude eterna. Excessos, grifes badaladas da cabeça aos pés, sapato, bolsa e bijuterias combinando, perfume de inverno no verão, meia branca com sapato preto ou marrom… E a Psy Boot – é a coisa mais FEIA que alguém um dia criou na face da Terra deste milênio.
NLDJ - O que é hype?
JMO - Camisa branca de manga é a peça mais hype do universo. Raramente alguém erra ao escolher esta peça. Para as mulheres, calças de cintura alta, saia lápis, cinto fininho e scarpin. Para os homens… Sapato limpo, engraxado e com meia no tom do calçado é imbatível!
Clique no link abaixo e confira o blog “Mondo Moda”.
http://mondomoda.zip.net