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SALADA MIX

Por Paulo Reis
pa_re@bol.com.br

Candidatos, eleições e participação política

Daqui há alguns dias iremos todos - todos com mais de 16 anos e que tenham título de eleitor! - votar em nossos candidatos a Prefeito Municipal e a Vereador.

Há nos jornais matérias falando sobre a importância deste ato cívico, que votar é um direito e um dever do cidadão, e apresentam as eleições como o ápice da cidadania.

Se o processo eleitoral no Brasil fosse como nos EEUU, onde as pessoas decidem se desejam ou não sair de casa no feriado para votar, eu concordaria, pois aí sim começaria o respeito à minha autonomia enquanto cidadão. Mas eu sou "obrigado" a cumprir o meu dever cívico, e isto me soa um ato ditatorial. Não voto porque decido participar do destino de minha cidade, estado ou país, voto porque sou coagido a isso.

Estou com 47 anos de idade e nunca vi nenhum candidato, a nenhum cargo público, defender o meu direito de escolha de ir ou não às urnas votar. Acho que todos tem medo de uma fuga em massa dos eleitores. Poucas pessoas sairiam de suas casas por livre e espontânea vontade cumprir este "dever cívico" caso tivessem outra opção.

E já que somos obrigados a cumprir com nosso dever, os candidatos deveriam cumprir os seus já nas campanhas, por exemplo informando ao povo, qual é o trabalho, a competência e o raio de ação de cada um dos cargos do legislativo: por exemplo, o que faz um Vereador? O que faz um Deputado Estadual ? O que faz um Deputado Federal ? Ou qual a diferença entre ser Vereador e Deputado ? Ou, o que é da competência do Município e o que é da competência do Estado e da Federação?
Em tempos de campanha eleitoral a gente ouve muita bobagem, como um dos candidatos a prefeito da cidade prometer um salário mínimo de mais de mil reais. Não é competência da Câmara Municipal legislar sobre o valor do salário mínimo .Mas isso a grande maioria da população não sabe. Há um outro candidato, ,do qual se diz que está envolvido com o narcotráfico, que auxiliou alguns traficantes a se safarem da prisão. Não sei se é verdade ou não, mas como a voz do povo é voz de Deus ...

O que deveria ficar claro para a população é sobre a responsabilidade das campanhas que emporcalham e enfeiam ainda mais as cidades. Por exemplo: a semana passada a mãe de um amigo meu, ao descer do ônibus foi atropelada por uma placa do dr. Hélio. Levada ao hospital e depois de medicada ela preferiu não mover uma ação contra o candidato. Eu teria agido de outra forma.

Outra coisa que dá medo é das caras feias que aparecem em minha tv todas as noites antes da novela. Há estudos que falam das marcas que nossa história pessoal deixa em nosso corpo físico, mas ... francamente, há um desfile de pessoas que só só de olhar na cara você percebe que não possuem um bom caráter, querem se dar bem as nossas custas, e que estão se lixando para os nossos problemas.

Isso sem falar numa candidata com cara de louca, filiada a um partido evangélico que no Rio de Janeiro propôs um projeto de lei para financiar projetos de cura do homossexualismo. A homossexualidade deixou de ser considerada doença no Brasil desde 1985, assim como foi retirada do Código Internacional de Doenças desde de 1993. Em 1999, o Conselho Federal de Psicologia editou uma nota desaconselhado seu filiados a tratarem a homossexualidade como um distúrbio.

Por isso, desconfie dos políticos que te desrespeitem por conta de sua orientação sexual. Você tem o direito constitucional de se relacionar sexualmente com quem e do jeito que você quiser. E você não é doente por que não curte sexo com pessoas com o mesmo sexo biológico que o seu!

Doente é esta sociedade que não respeita o direito de cada um procurar satisfazer os seus desejos e procurar a felicidade onde julgam que ela esteja.
Por outro lado, há pouco tempo surgiu, nas listas de que participo na internet, uma polêmica sobre as candidaturas homossexuais. Alguns defendem que gays devam votar em gays, outros em candidaturas que defendam os interesses de gays, lésbicas, travestis e transexuais.

De uma coisa tenho tenho certeza, a de que todos estamos fartos de sermos enganados, humilhados e ignorados por uma legislação que não nos contempla; por gente que quer se dar bem às nossas custas e depois nos dão as costas. E, sendo assim, há maucaratismo fora e dentro do movimento homossexual brasileiro. Há pessoas imbuídas de boas intenções e que tem um compromisso com o próximo, dentro e fora do nosso movimento.

Sendo assim, procure a verdade nas palavras, nas faces e nos olhos dos candidatos que estão no ar. Procure saber de suas propostas e o que eles pensam sobre sua orientação sexual. Depois procure obter informações quanto ao partido ao qual ele está afiliado e se este tem alguma proposta concreta para gays, lésbicas, travestis, transexuais e bissexuais. E só então decida para quem vai o seu voto.
Esta é única garantia que temos de que nosso voto poderá ser respeitado.


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