Aids
 Busca
 Contato
 Dicionário
 Enquetes
 Especiais
 Galeria
 Notícias
 Orkut
 Podcast
 Publicidade
 Quem faz
 Eduardo Gregori
 GLBT XYZ
 César Machia
 Comedere
 Jovens
 Na Língua do Ju
 Memórias de Adão
 Mondo Moda
 Toca de Urso
 TransItália
 Xou do Gongo
 Divã
 Fashionista
 Mr. DJ
 Persona
 Salada Mix
 Cosmo On Line
 CR GLTTB
 Sites GLBT
 Agenda
 Bares
 Boates
 Grupos
 Saunas

Site melhor visualizado em 1024x768 pixels - Campinas,

 

SALADA MIX

Por Paulo Reis dos Santos
pa_re@bol.com.br

Do lado debaixo do equador

Fomos colonizados pela escória de Portugal, que aqui chegando encontraram um terreno fértil à prevaricação desenfreada, seja com as índias e índios que exibiam, ingenuamente, seus corpos bronzeados e depois com as negras e os negros trazidos do continente africano.
- Já pensou na quantidade de libido que aqueles corpos suados e amontoados durante os trinta/quarenta dias de viagem nos porões dos navios negreiros exalavam ?
A raiz da hipocrisia moral do brasileiro está fundada na liberdade do uso dos corpos de homens, mulheres e crianças, livres dos preconceitos da cultura cristã européia somadas as libertinagens dos colonizadores católicos - hierarquicamente superiores aos índios e negros.

Hoje trepa-se neste país em todos os lugares, de todos os jeitos e a qualquer hora do dia e da noite. Em contraposição, a igreja proíbe as relações sexuais antes do casamento e todos nós nos declaramos monogamicamente fiéis.

Ao largo do discurso cristão, católico/evangélico machista latinoamericano, os boletins epidemiológicos do Programa Nacional de DST/AIDS mostram o crescimento dos casos de infecção de mulheres casadas e monogâmicas que contraíram o vírus HIV dos seus maridos (que também se declaram fiéis e heterossexuais !)!

Contradizendo o que prega o santo papa Bento XVI (abstinência sexual antes do sacramento do casamento), o bispo Edir Macedo e outros enviados por Deus para cuidar dos corpos e das almas dos brasileiros, o número de jovens - cada vez mais jovens - grávidas, dão conta da realidade sexual do brasileiros. Nosso caráter sexual é ambíguo, e praticamos uma coisa e nossa fala aponta para outro lo lado oposto.

As travestis gritam para quem quiser ouvir que a maioria de seus clientes são homens casados, e que invariavelmente pagam para que elas enfiem seus paus em seus cus.
Do Oiapoque ao Chuí, em todos os banheiros públicos deste pais, homens se olham medindo seus paus, pegando nos paus uns dos outros e muitas vezes chupando-se mutuamente, realizando suas fantasias quando não há vigilantes de plantão!
Nas saunas gays, executivos de empresas nacionais ou multinacionais, realizam "trabalhos externos" uns fudendo os outros, ou pagando para que miches os fodam. Outros preferem participar de “reuniões com fornecedores" (ou será fornicadores?) fora dos escritórios, nas salas de bate papo, a qualquer hora do dia ou da noite, em qualquer dia da semana, milhões de "Kasados afim", “iniciantes” e “ativassos” procuram parceiros para aventuras sexuais anônimas e seguras.

E toda esta clandestinidade sexual, em nome de uma discurssividade heterosexista, acaba colocando a homossexualidade no limbo, vulnerabilizando ainda mais os gays.
Apesar de toda esta permissividade sexual, e de uma liberdade no uso de corpos masculinos, o discurso que prevalesse é o do modelo heterossexual, casado, branco, pai de família e de classe média.

Ao negar a sua orientação sexual para ser aceito por esta sociedade hipócrita, o homossexual se vulnerabiliza. Ao desqualificar a sua essência, ele assume para si que é um pervertido, um pecador, um doente, incapaz de alcançar a realização e a felicidade. Desta maneira ele aniquila sua auto-estima, fazendo o jogo do poder e naturalizando a sua inferioridade perante os outros “normais”!

Quando um homem ousa sentir/procurar prazer sexual com outro homem, indo na contra mão da discursividade machista e hipócrita, ele atrai para si a intolerância e o olhar acusativo dos outros.

Desta forma, ao optar por um comportamento sexual clandestino, o homossexual se coloca a mercê de diversas formas de violência: extorsões de miches, desejos realizados apressadamente - o que dificulta o acesso e uso do preservativo, inúmeras formas de violência praticadas por policiais, vizinhos, grupos de skinheads, etc.
O caminho da verdade pode libertar o sujeito, redimindo-o de suas culpas e auto-negações o que direciona-o a forjar-se como personagem subjetivamente íntegro e socialmente integrado, ou adaptado, aos seus papéis políticos.

O interesasante não é temer os riscos de ambos os lados do armário, mas procurar evitá-los, inspirando-se nas lições de ousadia, liberdade e criatividade que afinal são tantas, acima e abaixo do equador.

* Paulo Reis dos Santos é mestrando pelo GEISH – Grupo de Sexualidade Humana
da Faculdade de Educação da UNICAMP e Coordenador do Centro de Referência de Gays, Lésbicas, Travestis, Transexuais e Bissexuais da Prefeitura Municipal de Campinas





Voltar

  Documento sem título

Espaço GLS - diversidade sexual no interior paulista - Copyright Espaço GLS 1999 - 2008 - editor Eduardo Gregori