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SALADA MIX Por
Paulo Reis dos Santos
Prazer e perigo Buscar sexo em situações proibidas é sempre excitante, mas em compensação é uma via de mão dupla: o medo estimula o desejo mas ao mesmo tempo fica difícil estabelecer o limite de exposição aos riscos. Muitos de nós temos fantasias com homens uniformizados, outros curtem transas mais hardcore com alguma pitada de dor, alguns buscam prazer sexual aplicando algum tipo de sofrimento ao companheiro ou companheira de aventura. E como somos diferentes uns dos outros, é difícil conhecer os limites e o que dá tesão àquela pessoa que acabamos de conhecer. Daí os riscos que corremos involuntariamente ao procurar prazer em qualquer lugar, mesmo nas salas de bate-papo. Ingerir alcool, cocaina, maconha, poppers, ecstase e outras drogas pode ampliar a capacidade de nosso organismo responder aos estímulos da visão, tato e olfato. Mas em contrapartida diminuem a nossa capacidade de proteção contra as doenças sexualmente transmissíveis, especialmente a AIDS, pois perdemos o senso crítico e o poder de negociação do uso do preservativo, principalmente se ele não estiver a mão. Ao ingerir este coquetel de drogas, perdemos a noção do perigo e nos transformamos em alvos fáceis também da violência física. Da mesma forma, o medo, em pequena escala, é um forte estimulante sexual, mas por outro lado, qual é o limite de exposição a um perigo ? e em que momento devemos interromper a atividade sexual para que não soframos danos maiores ? Poucas pessoas ou ninguém conhece a resposta. Em situações de risco a gente fica a mercê dos acontecimentos, torcendo pela sorte, acreditando que o mal jamais vai acontecer com a gente. Ter relações sexuais sem proteção às doenças infecto-contagiosas e sem proteção física é no mínimo procurar dor de cabeça. Quando a gente está se expondo, aparentemente só o desejo importa, mas depois a preocupação cresce, atrapalhando nossa vida. Os acontecimentos nefastos dos últimos dias me fizeram pensar nesta questão do quanto nos expomos aos perigos involuntariamente. Quando o tesão bate a sensação de perigo diminui e só nos importa a satisfação imediata de nossos desejos. Nesses momentos fica difícil precisar o quanto de nossa saúde está em perigo – quantos de nós ja não pegamos chato (aquele piolho nos pelinhos do saco e da bunda) ou uma gonorréia ? Quantos de nós
já não ouvimos estórias de vítimas do golpe
Boa Noite Cinderela ? Cada um dos fatos narrados a seguir apresenta uma série de particularidades, mas todos tem em comum o fato das vitimas serem homossexuais, e, por isso mesmo, sofreram as agressões ou ameaças relatadas. Na madrugada de 28 de Setembro, Francisco Adamor Lima Guedes, mais conhecido como Adamor, presidente da AAGLT, Associação Amazonense de Gays, Lésbicas e Transgêneros levou três garotos de programa para casa, e, em vez de prazer, encontrou a morte através de uma facada no pescoço. No dia 03 de Outubro, Carlos Adriano Thomaz, professor de educação física da Escola Estadual Tomas Álves, no Distrito de Sousas, na cidade de Campinas/SP., deu carona a três alunos e acabou sendo atropelado por seu próprio veículo. Comenta-se que o crime foi cometido em virtude da homossexualidade do falecido. A policia trabalha com a hipótese de latrocínio e ao que tudo indica a família tenta a todo custo esconder a homossexualidade do professor, confirmada por seus amigos. Na madrugada de 17 de Outubro, em Caldas Novas em Goiás, o militante do movimento homossexual, Eurípedes Naves, levou para casa o menor L.A., de 17 anos, acabou levando um tiro na boca e outro no estômago. Encontra-se em processo de recuperação na Santa Casa de Goiânia. E as meninas do Coturno de Vênus, grupo de lésbicas do Distrito Federal estão sendo ameaçadas de morte por um grupo de skinheads. Duas estudantes da USP - Universidade de São Paulo, forma levadas á delegacia por uma policial militar por trocarem um selinho em uma das cantinas. A policial acusou-as de esterem praticando ato libidinoso. O dono da cantina e seus colegas declarama que todos sabiam que ambas eram namoradas e que ja estavam acostumados com a demonstração de afeto entre as duas. Na noite de 17 de Outubro, Reinaldo Gomes Bulhosa Filho, entrou em seu apartamento com três homens, em Cazajeiras na Bahia. Algum tempo depois seu corpo foi encontrado pelos vizinhos, que após ouvirem gritos de socorro arrombaram a porta e acionarem a polícia, com o fio do espremedor de frutas em volta do pescoço. Cláudio Alves dos Santos, ativista gay e voluntário do Disque Defesa Homossexual do Rio de Janeiro(DDH) foi encontrado morto no IML na tarde de 20 de Outubro. Segundo laudo do próprio IML ele foi torturado com requintes de crueldade e depois assassinado por arma de fogo no Município de Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, Rio. Veja bem, não estou dizendo que os garotos de programas sejam marginais ou assassinos, estou apenas narrando, de maneira sintética, o que os jornais noticiaram e os e-mails denunciaram e denunciam cotidianamente. Mas o que quero ressaltar é o quanto que nossa homossexualidade nos tornam vulneráveis às agressões sociais. E invariavelmente, em nome da satisfação de nosso desejo nos vulnerabilizamos ainda mais. Para terminar, deixo aqui as dez regras básicas ditadas pelo GGB – Grupo Gay da Bahia em seu manual de sobrevivência homossexual: Dicas para evitar a violência 1.Evite
levar desconhecidos ou garotos de programa para casa. Prefira fazer programas
em hotéis, motéis e saunas;
* Paulo Reis dos
Santos é mestrando pelo GEISH – Grupo de Sexualidade Humana
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