Aids
 Busca
 Contato
 Dicionário
 Enquetes
 Especiais
 Galeria
 Notícias
 Orkut
 Podcast
 Publicidade
 Quem faz
 Eduardo Gregori
 GLBT XYZ
 César Machia
 Comedere
 Jovens
 Na Língua do Ju
 Memórias de Adão
 Mondo Moda
 Toca de Urso
 TransItália
 Xou do Gongo
 Divã
 Fashionista
 Mr. DJ
 Persona
 Salada Mix
 Cosmo On Line
 CR GLTTB
 Sites GLBT
 Agenda
 Bares
 Boates
 Grupos
 Saunas

Site melhor visualizado em 1024x768 pixels - Campinas,

 

SALADA MIX

Por Paulo Reis dos Santos
pa_re@bol.com.br

Prazer e perigo

Buscar sexo em situações proibidas é sempre excitante, mas em compensação é uma via de mão dupla: o medo estimula o desejo mas ao mesmo tempo fica difícil estabelecer o limite de exposição aos riscos.

Muitos de nós temos fantasias com homens uniformizados, outros curtem transas mais hardcore com alguma pitada de dor, alguns buscam prazer sexual aplicando algum tipo de sofrimento ao companheiro ou companheira de aventura. E como somos diferentes uns dos outros, é difícil conhecer os limites e o que dá tesão àquela pessoa que acabamos de conhecer. Daí os riscos que corremos involuntariamente ao procurar prazer em qualquer lugar, mesmo nas salas de bate-papo.

Ingerir alcool, cocaina, maconha, poppers, ecstase e outras drogas pode ampliar a capacidade de nosso organismo responder aos estímulos da visão, tato e olfato. Mas em contrapartida diminuem a nossa capacidade de proteção contra as doenças sexualmente transmissíveis, especialmente a AIDS, pois perdemos o senso crítico e o poder de negociação do uso do preservativo, principalmente se ele não estiver a mão. Ao ingerir este coquetel de drogas, perdemos a noção do perigo e nos transformamos em alvos fáceis também da violência física.

Da mesma forma, o medo, em pequena escala, é um forte estimulante sexual, mas por outro lado, qual é o limite de exposição a um perigo ? e em que momento devemos interromper a atividade sexual para que não soframos danos maiores ? Poucas pessoas ou ninguém conhece a resposta. Em situações de risco a gente fica a mercê dos acontecimentos, torcendo pela sorte, acreditando que o mal jamais vai acontecer com a gente.

Ter relações sexuais sem proteção às doenças infecto-contagiosas e sem proteção física é no mínimo procurar dor de cabeça. Quando a gente está se expondo, aparentemente só o desejo importa, mas depois a preocupação cresce, atrapalhando nossa vida.

Os acontecimentos nefastos dos últimos dias me fizeram pensar nesta questão do quanto nos expomos aos perigos involuntariamente. Quando o tesão bate a sensação de perigo diminui e só nos importa a satisfação imediata de nossos desejos. Nesses momentos fica difícil precisar o quanto de nossa saúde está em perigo – quantos de nós ja não pegamos chato (aquele piolho nos pelinhos do saco e da bunda) ou uma gonorréia ?

Quantos de nós já não ouvimos estórias de vítimas do golpe Boa Noite Cinderela ?
Só para alertá-lo(a), aqui em Campinas, neste momento, há um grupo de rapazes, que se passam por garotos de programas, e que abordam seus possíveis clientes nas imediações da rua José Paulino para assaltá-los ou extorquí-los, ameaçando expor a sexualide do cliente, ou denunciá-los por se envolver sexualmente com menores de idade. O que dificulta os trabalhos da policia é que nenhuma das vítimas até agora deu queixa.

Cada um dos fatos narrados a seguir apresenta uma série de particularidades, mas todos tem em comum o fato das vitimas serem homossexuais, e, por isso mesmo, sofreram as agressões ou ameaças relatadas.

Na madrugada de 28 de Setembro, Francisco Adamor Lima Guedes, mais conhecido como Adamor, presidente da AAGLT, Associação Amazonense de Gays, Lésbicas e Transgêneros levou três garotos de programa para casa, e, em vez de prazer, encontrou a morte através de uma facada no pescoço.

No dia 03 de Outubro, Carlos Adriano Thomaz, professor de educação física da Escola Estadual Tomas Álves, no Distrito de Sousas, na cidade de Campinas/SP., deu carona a três alunos e acabou sendo atropelado por seu próprio veículo. Comenta-se que o crime foi cometido em virtude da homossexualidade do falecido. A policia trabalha com a hipótese de latrocínio e ao que tudo indica a família tenta a todo custo esconder a homossexualidade do professor, confirmada por seus amigos.

Na madrugada de 17 de Outubro, em Caldas Novas em Goiás, o militante do movimento homossexual, Eurípedes Naves, levou para casa o menor L.A., de 17 anos, acabou levando um tiro na boca e outro no estômago. Encontra-se em processo de recuperação na Santa Casa de Goiânia.

E as meninas do Coturno de Vênus, grupo de lésbicas do Distrito Federal estão sendo ameaçadas de morte por um grupo de skinheads.

Duas estudantes da USP - Universidade de São Paulo, forma levadas á delegacia por uma policial militar por trocarem um selinho em uma das cantinas. A policial acusou-as de esterem praticando ato libidinoso. O dono da cantina e seus colegas declarama que todos sabiam que ambas eram namoradas e que ja estavam acostumados com a demonstração de afeto entre as duas.

Na noite de 17 de Outubro, Reinaldo Gomes Bulhosa Filho, entrou em seu apartamento com três homens, em Cazajeiras na Bahia. Algum tempo depois seu corpo foi encontrado pelos vizinhos, que após ouvirem gritos de socorro arrombaram a porta e acionarem a polícia, com o fio do espremedor de frutas em volta do pescoço.

Cláudio Alves dos Santos, ativista gay e voluntário do Disque Defesa Homossexual do Rio de Janeiro(DDH) foi encontrado morto no IML na tarde de 20 de Outubro. Segundo laudo do próprio IML ele foi torturado com requintes de crueldade e depois assassinado por arma de fogo no Município de Nova Iguaçu, Baixada Fluminense, Rio.

Veja bem, não estou dizendo que os garotos de programas sejam marginais ou assassinos, estou apenas narrando, de maneira sintética, o que os jornais noticiaram e os e-mails denunciaram e denunciam cotidianamente.

Mas o que quero ressaltar é o quanto que nossa homossexualidade nos tornam vulneráveis às agressões sociais. E invariavelmente, em nome da satisfação de nosso desejo nos vulnerabilizamos ainda mais.

Para terminar, deixo aqui as dez regras básicas ditadas pelo GGB – Grupo Gay da Bahia em seu manual de sobrevivência homossexual:

Dicas para evitar a violência

1.Evite levar desconhecidos ou garotos de programa para casa. Prefira fazer programas em hotéis, motéis e saunas;
2.Investigue a vida da pessoa com quem pretende sair. Prefira pessoas indicadas por amigos;
3.Só faça programas com elas depois de ter certeza que são de confiança;
4.Nunca beba líquidos oferecidos pelo parceiro eventual. A bebida pode conter soníferos; famoso "Boa Noite Cinderela". Em um bar, boate... se você, precisar ir ao banheiro, etc.. leve o copo consigo, ou, invente uma desculpa e jogue o liquido fora;
5.Se levar alguém para casa, não o esconda do porteiro, ou de vizinhos. Eles podem ajudá-lo na hora do perigo. É sempre bom ter uma boa relação com esse pessoal. Na hora do babado, eles sempre são solidários;
6.Se for possível, não esconda que é gay. Isso evita chantagem e extorsão;
7.Não se sinta inferior. Não se mostre indefeso, evite demonstrar passividade, medo, submissão. Não cultive o tipo machão, ou pelo menos não mostre que o valoriza tanto;
8.Evite fazer programa com mais de um michê. Antes da transa, acerte todos os detalhes : preço, duração, preferências eróticas ( se ele aceita, por exemplo, ser passivo);
9.Não humilhe o parceiro. Não exiba jóias, riqueza ou símbolos de superioridade que despertem cobiça. O garoto de programa quase sempre é de classe inferior à sua;
10.Se o encontro for na sua casa, tranque a porta e esconda a chave. Não deixe armas, facas e objetos perigosos à vista, você é dono da casa e deve dominar a situação;
11.Quando for agredido, procure a polícia, peça exame de corpo delito e denuncie o caso ao Centro de Referência GLTTB da Prefeitura Municipal de Campinas. Lembre-se que as Delegacias de Polícia são públicas. Se foi mal tratado pelo oficial, chame o Delegado Titular, se ele não estiver chame o plantonista. Se mesmo assim, for mal atendido, entre com uma ação contra a delegacia. Não tenha medo!

* Paulo Reis dos Santos é mestrando pelo GEISH – Grupo de Sexualidade Humana
da Faculdade de Educação da UNICAMP e Coordenador do Centro de Referência de Gays, Lésbicas, Travestis, Transexuais e Bissexuais da Prefeitura Municipal de Campinas





Voltar

  Documento sem título

Espaço GLS - diversidade sexual no interior paulista - Copyright Espaço GLS 1999 - 2008 - editor Eduardo Gregori