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SALADA MIX Por
Paulo Reis dos Santos
Gente, Depois de passar um mês longe de tudo e de todos, retorno aoo meu dia-adia atribulado, estressante e o meu outlook vem me avisar de uma reunião solicitada há muito tempo. Para esta coluna havia pensado em realizar um balanço do tempo que fiquei afastado do mundo e muito mais próximo de mim mesmo, mas ... A violência policial praticada contra as profissionais do sexo, mais especificamente as travestis, nos fez solicitar à Secretaria de Segurança do estado uma reunião para discutir o caso, e depois de alguns meses eles nos acenam com a possibilidade de diálogo. Concordo que isso é um avanço, mas eu voltei me perguntando até quando vamos nos contentar com migalhas? Transferir a responsabilidade
para um órgão da secretaria, marcar uma outra reunião,
criar um grupo de estudo, uma comissão que vai apurar os fatos,
são estratégias de não assumir responsabilidades
e adiar a resolução dos problemas apresentados. Impressões Eu de jeans e camisa social e Janaína Lima de jeans e camiseta, saímos de Campinas e voamos pela rodovia dos Bandeirantes em direção ao centro da cidade de São Paulo. À entrada do prèdio da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, o rigor da recepção, o recebimento dos crachás, o elevador. Ao abrir as portas, no andar indicado, uma senhora de uniforme militar nos recebe com uma continência e nos encaminha para uma sala de espera. Encontramos os Drs. Cláudio e Marco Zito – da OAB, logo a seguir chega Paulo Mariante de jeans e camiseta, em seguida a drª Márcia de blazer e calças cumpridas. Depois de uns cinco minutos aparece o Dr. Eduardo de terno, também escuro. Somos então
encaminhados a uma sala com móveis austeros, cadeiras de madeira
talhadas à mão, um mapa do municipio de São Paulo,
bandeiras do estado... A conversa, polida, educada, civilizada acontece por cerca de meia hora, quarenta e cinco minutos. Cada um dos interlocutores utiliza verbos, substantivos e adjetivos numa fala de tom audível e monocórdeo. Não há emoção nem nas entonações e nem na faces que expressam a cordialidade. Em trinta, quarenta minutos, falamos sobre as relações que milhares de cidadãos do estado estabelecem com os órgãos de segurança, e vice versa. Lembramos daqueles que vivem à margem da sociedade produtiva, ah! Sim! Comentamos a violência que as profissionais do sexo insistem em dizer que sofrem cotidianamente nas ruas e delegacia das várias cidades do estado. Foram trinta ou quarenta minutos de conversa asséptica, a desordem das vidas e das relações sociais que negros, prostitutas, travestis, moleques de rua, cheiradores de cola e fumadores de crack estabelecem nas ruas, becos, morros das grandes ou pequenas cidades não ecoou naquela sala protocolar. Para os senhores da ordem e da lei a vida se estabelece segundo critérios rigidos e controláveis. Para os homens da lei que vivem nos gabinetes, aqueles homens da lei que andam pelas ruas para manterem a ordem social – são adestrados de maneira eficaz, passam por curso de capacitação, conhecem Direitos Humanos e sabem como lidar com os perturbadores da ordem social. Eventualmente se algum homem da lei que anda pelas ruas, excede em suas tarefas, coitado! É punido exemplarmente! Para punir os homens da lei que se comportam de maneira contrária ao adestramento recebido, criou-se um órgão apropriado – o GRADI e as corregedorias. Mas, se eles não estão dando conta do seu trabalho, o Dr. Marcelo Martins Oliveira – Secretário Adjunto da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, aconselha que conversemos diretamente com eles, eles saberão resolver o problema de vocês. Todos se olham, levantam
e se cumprimentam.
* Paulo Reis é coordenador do Centro de Referência GLTTB de Campinas e fundador do Grupo Identidade.
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