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SALADA MIX Por
Paulo Reis dos Santos
É legal ter direitos ?
Santos, no estado de São Paulo, em 23 de janeiro deu o pontapé com 5.000 pessoas nas ruas. Depois foi a cidade de São Paulo, que no dia 29 de maio colocou, segundo a organização, 2.500.000 pessoas na Av. Paulista e na Rua da Consolação. Com relação à Parada de São Paulo, que literalmente encheu de gente a Av. Paulista e a Rua da Consolação, a Policia Militar estimou o número de participantes em 1.800.000. Dias antes, na marcha de Jesus, a mesma Policia Militar disse haver 2.000.000, num evento que reuniu pessoas somente na Av. Paulista. Tenho uma dúvida: como um evento que acontece somente na Av. Paulista reúne 2.000.000 de pessoas, e outro que entupiu a Av. Paulista e Rua da Consolação, simultaneamente, tinha somente 1.800.000 ? Nos bastidores comenta-se que os evangélicos pressionaram a policia civil para que Deus tivesse mais adeptos do que os gays, as lésbicas, e as travestis. Entretanto, o calendário de Paradas continua a mil pelo Brasil, e até o momento, em 10 Paradas realizadas, segundo os organizadores, temos 2.789.500 participantes. E ainda faltam acontecer 54 Paradas pelo país afora. Cada uma dessa manifestações públicas, são fruto de um enorme gasto de energia, tempo, recursos humanos e financeiros, mas principalmente da falta de políticas publicas específicas, e também são conseqüência do olhar discriminatório que a sociedade lança sobre nós. Em Novembro de 2005 o Projeto de Parceria Civil, proposto pela então deputada Marta Suplicy, completa 10 anos de gaveta na Câmara dos Deputados, em Brasília, e neste tempo foi violentamente atacado e não conseguiu ir à plenário para votação. As poucas tentativas resultaram num fiasco e numa mobilização das bancadas conservadoras e evangélicas (aquela que marcha com Jesus na Av. Paulista e que tem mais adeptos do que a Parada do Orgulho GLTTB de São Paulo!) para rechaçá-lo. Por conta disto, o movimento homossexual brasileiro resolveu indicar para que em 2005 as Paradas tivessem por tema a União Civil, aliás estamos passando um abaixo assinado que será levado à Brasília em novembro, durante a realização do XII Encontro Brasileiro de Gays, Lésbicas, Travestis, Transexuais e Bissexuais. A idéia é recolher um milhão de assinaturas e com isso pressionar a Câmara para que o Projeto de Parceria Civil Registrada seja votado. Se você ainda não assinou, procure um dos grupos de militância e dê sua colaboração a esta ação de cidadania. Temos um esforço enorme pela frente para eliminar as marcas que a homofobia tem impresso no inconsciente coletivo de nossa população, e uma das ações mais importante é participar destas manifestações públicas em nome do amor e do afeto e exigir a equiparação de direitos, pois o que simplesmente queremos é, no meio de tanto desamor e violência, amar e ter o nosso amor respeitado por todos. Você pode estar
pensado que tudo isso é babaquice, mas veja abaixo o que perdemos
por não ter os nosso direitos reconhecidos: Por isso, políticos
como Edino Fonseca,no RJ, Afanásio Jazadi, em SP e sargento Isidório,
na BA se dão ao direito de propor projetos de cura da homossexualidade
com financiamento do estado, o que quer dizer com o dinheiro que sai dos
nossos bolsos.
* Paulo Reis é coordenador do Centro de Referência GLTTB de Campinas e fundador do Grupo Identidade.
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