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SALADA MIX Por
Paulo Reis dos Santos
Como Ser Feliz Neste Ano Novo? 2007 nem bem começou e o GGB - Grupo Gay da Bahia, que realiza anualmente a contabilidade de assassinatos de gays, lésbicas, travestis, transexuais e bissexuais nos informa que em janeiro houve (isto é, lhes foram repassados por ativistas ou noticiados pela grande imprensa) nove assassinatos (na região de Campinas houve um homicídio ainda não repassado ao GGB) e nos primeiros 10 de fevereiro já foram mortas 10 pessoas. Na região de Campinas, na semana passada foi encontrado o corpo de uma travesti, num matagal em Nova Odessa e hoje, 14 de fevereiro, duas travestis, moradoras do Jardim Itatinga e profissionais do sexo encontram-se desaparecidas há mais de 10 dias. Ao contabilizarmos os números, chegamos à estarrecedora cifra de 21 homicídios nos primeiros 40 dias deste ano (é bom lembrar que há uma falha nesta contabilidade, pois nem todos os crimes são noticiados pela imprensa, ou são comunicados as ONGS ou Centros de Referências GLBTs do país, então os números de assassinatos são bem maiores!), o que nos dá a média de um gay ou travesti assassinado a cada dois dias. Segundo o Professor Luiz Mott, estes são "apenas a ponta de um iceberg de •ódio e sangue: os requintes de crueldade como estes gays e travestis foram •assassinados comprovam que se tratam mesmo de crimes de ódio, cumprindo o •provérbio popular ouvido de norte a sul no país: 'viado tem mais é que •morrer!'. Dos 20 homicídios documentados em 2007 pelo GGB, metade das vítimas eram gays, metade travestis e transexuais". A Bahia contribui com esta triste estatística com o assassinato de quatro gays, o Rio Grande do Norte, Sergipe e São Paulo com dois homicídios cada um, cabendo o restante ao Amazonas, Paraíba, Piauí, Mato Grosso, Alagoas, Distrito Federal e Paraná. Toda esta violência reflete o ódio que os assassinos sentem de gays ou travestis, onde a maioria das vítimas são torturadas, espancadas e muitas são queimadas. As travestis geralmente são mortas a tiros ou pauladas e seus corpos jogados em terrenos baldios, como no caso de Nova Odessa. Já os gays são mortos dentro de casa, geralmente por miches com inúmeras facadas. Segundo informações do Grupo Gay da Bahia, "A execução mais cruel ocorreu em Mossoró, RN, com o servidor público federal Augusto da Escóssia Nogueira Neto, 47 anos, primo da senadora Rosalba Ciarline, que foi encontrado morto em um terreno baldio, com um tiro no rosto, tendo as orelhas decepadas, os olhos perfurados e a cabeça esmagada". O GGB lançou
alguns anos atrás e está reeditando um panfleto intitulado
"GAY VIVO NÃO DORME COM O INIMIGO", cujo texto reproduzo
abaixo, 1. Evite levar desconhecidos ou garotos de programa para casa. Prefira fazer programas em hotéis, motéis ou saunas; 2. Investigue a vida da pessoa com quem pretende sair. Prefira pessoas conhecidas ou indicadas por amigos e só saia com alguém se tiver certeza que é de confiança; 3. Nunca beba líquidos
oferecidos pelo parceiro desconhecido. A bebida (ou 5. Se for possível, demonstre para seu parceiro eventual que é gay assumido. Isso evita chantagem ou tentativa de extorsão; 6. Não se sinta inferior. Não se mostre indefeso, evite demonstrar passividade, medo, submissão. Não cultive o tipo machão, ou pelo menos não mostre que o valoriza tanto; se ele lhe ameaçar, grite, faça escândalo, ou em último caso, saia correndo e peça socorro aos vizinhos; 7. Evite fazer programa com mais de um michê. Antes da transa, acerte todos os detalhes: preço, duração, preferências eróticas (se ele aceita, por exemplo, ser passivo): isto evita brigas e discussões; 8. Não humilhe o parceiro. Não exiba jóias, riqueza ou símbolos de superioridade que despertem cobiça. O garoto de programa quase sempre é de classe inferior à sua; 9. Se o encontro for na sua casa, tranque a porta e esconda a chave. Não deixe armas, facas e objetos perigosos à vista; não se esqueça que você é dono da casa e deve dominar a situação; diga ao visitante que não faça ruídos, pois ao lado mora um policial; 10. Se for agredido,
procure a polícia, peça exame de corpo delito e denuncie
o caso aos grupos de ativistas homossexuais, em Campinas e região
procure o Centro de Referência GLTTB da prefeitura Municipal ou
ligue para o Disque-Defesa-Homossexual (0800-771-8765). Lembre-se que
as Delegacias de Polícia são órgãos públicos.
Se foi mal tratado pelo oficial, chame o Delegado Titular, se ele não
estiver chame o plantonista. Se mesmo assim, for mal atendido, entre com
uma ação contra a delegacia.
* Paulo Reis dos
Santos é mestrando pelo GEISH - Grupo de Estudo Interdisciplinar de Sexualidade
Humana da Faculdade de Educação da UNICAMP e Coordenador do Centro de
Referência de Gays, Lésbicas, Travestis, Transexuais e Bissexuais da Prefeitura
Municipal de Campinas.
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