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SALADA MIX

Por Paulo Reis dos Santos
re_pare@yahoo.com.br

Cidadania: que bicho é este ?

A cidadania surgiu no final do século XVIII e parte do princípio de pertencimento do cidadão a um território. Ela confere ao indivíduo o gozo dos direitos políticos e civis de um Estado.

Os vários grupos de militância homossexual do país tem suas ações pautadas neste tema. Realizam reuniões temáticas, redigem e distruibuem cartas abertas, promovem ações e propostas de leis que busquem garantir os direitos civis de gays, lésbicas, travestis, transexuais e mais recentemente de bissexuais !

Mas porque será que nós, brasileiros e brasileiras, não incorporamos atitudes pró-ativas que busquem garantir os nosso direitos civis ? Pagamos as taxas mais altas do mundo e somos punidos com multas exorbitantes quando infringimos algum dos deveres que nos foram impostos.

Mesmo assim, assumimos uma posição vitimista quando somos agredidos por esta sociedade homofóbica ! É assim, nos sentimos culpados por transitarmos na contra-mão da ordem imposta pela sociedade herossexista. Nosso afeto e nosso tesão ofende aos moralistas de plantão que nos agride para nos impedir de amar. E aceitamos esta agressão e nos julgamos merecedores destas agressões!

E por termos esta sexualidade desviante da norma, assumimos uma posição de vitimas diante de todos os ataques que sofremos diariamente.

E assim surge o gueto em nossas vidas! Bares, boates e saunas surgem como espaços de interação e socialização para gays, lésbicas, travestis, transexuais e bissexuais mas tem suas ações pautadas pelo mercado. Sobrevivem através dos serviços que nos prestam. Até ai tudo bem, vivemos num país de regime capitalista e não dá para fugir disso.

Mas e onde entra a tal cidadania no gueto gay ?
Há algum tempo atrás, na inauguração de uma boate aqui em Campinas, deixei um casaco na chapelaria. Na saída, descobri que meu casaco havia sumido. Fui reclamar com o gerente/dono da casa e ele me disse que isso era normal já estava que inaugurando o referido espaço. Puto da vida, disse-lhe que esta não era a maneira de atender o público e que esta era a terceira casa que ele abria na cidade, portanto, deveria ter now how suficiente! Esperei por quase duas horas até encontrarem meu casaco jogado num canto atrás de um armário.

Outra mania inuportavel que as casa noturna da cidade adotaram é deixar formar um fila quilométrica na porta e controlar o número de pessoas que ingressam nos espaços. É comum deixar os cliente ficarem horas e horas ao relento - isto quando não chove ou faz frio - e os pobres coitados ao adentrarem nos ambientes se depararem com salões vazios!

Pagamos um preço exorbitante para nos divertir e encontrar amigos em bares e boates que nos oferecem espaços insalubres: banheiros nojentos, sem o mínimo de higiene, garçons mal educados e gerentes arrogantes. Cervejas e drinks de quinta vendidos como o supra sumo e cobrados como se o fossem!
Outra coisa que me aborrece pra caramba é ficar horas sendo amassado numa fila de balcão para pegar uma cerveja e ainda por cima pagar R$ 4,00 ou R$ 5,00 por uma reles latinha que custa no máximo R$ 1,00 no supermercado! Tudo bem, o dono do espaço paga funcionários, taxas, etc., etc., mas vamos e venhamos, o lucro é escrochante !

Aliás um feliz proprietário de alguns espaços gays na cidade me confidenciou que com o lucro que a sua boate lhe proporciona ele compra um imóvel por ano.

Mas o que tudo isso tem a ver com cidadania ? Tem e muito !
Se cada um de nós - gays, lésbicas, travestis, transexuais e bissexuais - comerçar a se rebelar contra estes abusos, brigar pelo preço justo de uma latinha de cerveja, reclamar com o dono/gerente quando um garçom for mal educado. Ou ir direto reclamar no PROCON quando se sentir injustiçado, aí sim, estaremos exercendo na prática a tão falada cidadania.

 



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