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SALADA MIX Por
Paulo Reis dos Santos
Existimos Sociólogos e outros analistas que aceitaram falar anonimamente disseram que o presidente foi claramente pego de surpresa e argumentaram que foi melhor para os gays iranianos que Ahmadinejad negasse sua existência, pois isso contribui para que sejam deixados em paz. No Irã, gays e lésbicas, são punidos com violência ou morte se relações homossexuais forem comprovadas. Em contrapartida, operações de mudança de sexo são encorajadas. Por mais contraditório que pareça, autoridades religiosas vêem a homossexualidade como pecado mas as transexuais são consideradas carentes de ajuda. E os transexuais? A maioria, no entanto, é levada a esconder sua condição por medo da rejeição pela família. Shahin, 27, sempre escondeu de seus pais a sua vida gay. "Talvez eles me considerassem doente ou teriam pena de mim", diz. E lembra que muitos de seus amigos se casaram para esconder que são gays. Como se isso não bastasse, em 27 de setembro o Correio Brasiliense publicou uma entrevista intitulada "Homossexuais? O que isso importa?" , concedida por Seyed Reza Nobakhti, encarregado de negócios da embaixada do Irã no Brasil, na qual entre outras coisas ele diz: - Como o presidente Ahmadinejad pode ter certeza que não há homossexuais no Irã? - O que isso importa, no mundo tão violento e cheio de problemas em que vivemos? - Homossexuais dizem ter sido vítimas de tortura no Irã... - Eu vivi na Europa, onde vi muitos casos de iranianos que inventaram histórias para conseguir asilo. O que alguns jornais andaram publicando sobre tortura é mentira. Há tantas mulheres e tantos homens... Não há necessidade para o homossexualismo. Esse tipo de comportamento é doentio." A ABGLT, Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, travestis, Transexuais e Bissexuais em oficio enviado ao governo brasileiro, em repúdio a essas declarações, lembrando que: "em 9 de fevereiro de 1985, o Conselho Federal de Medicina retirou o diagnóstico de Homossexualidade da categoria de desvios e transtornos sexuais, e que em 17 de maio de 1990, a assembléia geral da Organização Mundial da Saúde aprovou a retirada do código 302.0 (Homossexualidade) da Classificação Internacional de Doenças, declarando que “a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão”. A nova classificação entrou em vigor entre os países-membro das Nações Unidas em 1994. Salienta-se também que a República Islâmica do Irã faz parte das Nações Unidas, devendo, portanto respeitar esta decisão". Depois de dizer na universidade de Columbia que não há gays em seu país, o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, acabou jogando luzes sobre a situação dos homossexuais em seu país.Imagens publicadas pelo blog IRQO mostra iranianos açoitados só por serem gays É de conhecimento público a existência no país de uma política que açoita homossexuais e que chega a enforcá-los, mas em nenhum outro momento tantos jornais, sites e TVs se debruçaram sobre o assunto após as infelizes declarações do presidente. Apesar da comoção que varreu o planeta, dificilmente uma pressão internacional sensibilizará o presidente do Irã, mas a divulgação da situação dos homossexuais iranianos pode forçar a comunidade internacional a oferecer asilo político aos refugiados. Em entrevista por telefone ao Correio Brasiliense, o diretor da organização não-governamental Iranian Queer Organization (IRQO — Organização dos Homossexuais Iranianos), Asham Parsi, de 27 anos (que foi obrigado a trocar o Irã pelo Canadá em 2001, depois de assumir a identidade sexual e ser caçado pela polícia), com sede em Toronto, denunciou a violação dos direitos humanos em sua terra natal: “Ahmadinejad é bastante homofóbico. Espero que todas as nações saibam que o Irã não tolera homossexuais”, desabafou Parsi. Para o ativista, a declaração de Mahmud Ahmadinejad revela como pensa o chefe de Estado. “Ele simplesmente nega a homossexualidade. Na realidade, o presidente quis dizer que seu regime não aceita qualquer sinal de homossexualidade", comentou. Parsi lembrou que Ahmadinejad rejeita a presença de gays no Irã do mesmo modo que nega o Holocausto, os prisioneiros políticos, o desrespeito aos direitos humanos e a perseguição aos estudantes. “Ele se recusa a reconhecer os direitos dos gays e defende o silêncio sobre o tema". De acordo com Parsi, não é preciso ser gay para ter a vida ameaçada no Irã. “O regime de Ahmadinejad pune atos homossexuais como se fossem crimes de lavaat (sodomia) e nos iguala a pedófilos e estupradores de crianças”, denunciou o diretor da IRQO. “Qualquer ato que as forças policiais julguem ser homossexual é punido com a morte. Muitas pessoas morrem sem saber o motivo”, contou. Ainda segundo Parsi, os métodos de execução incluem enforcamento, corte por espada, apedrejamento e chibatadas. Um texto publicado no site de internet da IRQO sustenta que o governo iraniano apóia essas “punições” e se recusa a aceitar que elas têm raízes no ódio. Diante do regime fechado, a ausência de informações sobre homossexualidade leva muitos pais a rejeitarem a orientação sexual de seus filhos. “Há vários relatos de assassinatos no meio familiar, e tivemos conhecimento do caso de um pai que queimou o filho após ele se assumir gay”, revelou o ativista. A Agência de Notícias dos Estudantes Iranianos (Isna) informou que uma das mais recentes execuções ocorreu no dia 19 de julho passado. M.A. e A.M., dois supostos gays entre 16 e 18 anos, foram enforcados na Praça da Justiça, na cidade de Masshad (nordeste). Antes de serem mortos, ambos ficaram presos durante 14 meses e cada um recebeu 228 chibatadas. Entidades de defesa dos direitos de homossexuais sustentam que mais de 4 mil lésbicas e gays foram executados desde a Revolução Islâmica de 1979. Com medo da perseguição, homossexuais iranianos buscam refúgio em países europeus e na América do Norte. “Muitos sofrem com a lei homofóbica de um país intolerante e pedem para serem acolhidos como refugiados”, disse Parsi.
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Paulo Reis dos Santos é mestrando pelo GEISH - Grupo de Estudo Interdisciplinar
de Sexualidade Humana da Faculdade de Educação da UNICAMP e Coordenador
do Centro de Referência de Gays, Lésbicas, Travestis, Transexuais e Bissexuais
da Prefeitura Municipal de Campinas. |
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