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SALADA MIX

Por Paulo Reis dos Santos
re_pare@yahoo.com.br

PCC, Copa do Mundo, Orgulho e Dia dos Namorados

Dá para ter esperança nos dias atuais?

Há poucas semanas os pessoal do PCC – Primeiro Comando de Caça, organização que domina os presídios paulistanos, desencadeou uma série de atentados que resultou em mais de cem pessoas assassinadas entre civis, policiais e marginais.

Foi uma demonstração de força, por conta das péssimas condições de vida nos presídios e da transferência de chefes do crime organizado para um presídio de segurança máxima.

Políticos e representantes dos órgãos de segurança pública apareceram em noticiários e programas de televisão dando diversas versões, explicações e proposições para os conflitos.

Mas o culpado declarado, sempre foi a violência dos criminosos, dos bandidos, da marginalidade. O que não se ouviu dizer foi que o sistema em que vivemos cria seus marginais, ao colocar um sem número de pessoas vivendo dos restos que essa gente de bem cria e consome, sem moradia, tranporte, água, saneamento básico, sem escolas e postos de saúde.

Sem ir muito longe, pense um pouco nos últimos escândalos financeiros: na máfia dos bingos do Rio de Janeiro, no valerioduto, na operação sangue-suga, nos Severinos Cavalcantes, nos Paulos Malufs, nos Lalaus, nas Jorginas de Freitas.
- Quanto de dinheiro foi desviado dos cofres públicos ?
Quanto de verba para programas sociais, que tinham por objetivo melhorar as condições de vida da população marginalizada deste país, foram desviados pelos nossos representantes nos governos municipais, estaduais e federais, ou órgãos públicos, nestes últimos cincoenta anos ?

Culpar o marginal pela sua marginalidade é fácil, quando se está no centro do poder, numa sala confortável com ar refrigerado, de ternos bem cortados, gravatas improtdas, fazendo três, quatro ou cinco refeições ao dia e com milhões no bolso ou nos bancos estrangeiros.

Para mim e para você, que lutamos árduamente para manter nossa vidinha cotidiana num nível minimamente aceitável, é dificil fazer um exame de consciência e ter claro a nossa responsabilidade sobre a parte que nos cabe desta latifúndio.

Mas não dá para acreditar nos discursos dos “n” partidos e seus “n” políticos que invadem a tela da TV em nosso momento de lazer, dizendo-se idôneos e preocupados com o destino da população.

Muitos destes algozes da moralidade possui as mãos sujas de sangue ao trabalharem na surdina para que projetos que poderiam dar um pouco de dignidade aos brasileiros, especialmente aos gays, lésbicas, travesti, transexuais e bissexuais sejam barrados, adiados ou arquivados.

Recentemente o GGB divulgou os números de casos de assassinatos de homossexuais no Brasil. Se tivessemos uma lei que instituísse esses crimes como crimes de ódio, punindo exemplarmente esses assassinatos, já seia um grande avanço.

E é sintomático que em um ano de eleições, como 2006, políticos e administrações públicas em várias cidades e especialmente em São Paulo, dificultem de todas as formas a realização de manifestações públicas, especificamente a X Parada do Orgulho GLBT, a maior do mundo.

É burrice política não tirar proveito e colher dividendos de uma manifestação – que sempre foi pacífica, alegre, descontraída, democrática, em prol dos direitos humanos e por uma sociedade livre de preconceitos – ou esta postura é o reflexo das forças conservadoras, caretas e reacionárias que avançam mundo afora ? Creio ser um um mix de reacionarismo puritano com doses de incompetência administrativa!

Apesar de todo este clima sombri de CPIs, PCC, Valérioduto e outros escândalos financeiros, e até mesmo com todo este clima ufanista mercadológico que a Copa do Mundo, com aquele monte de bofes com suas coxas muscolosas, nos impõe, está difícil ter um pouco de felicidade e esperança.

Mas o importante é que estaremos, eu, voc~e e mais de de 2.500.000 pessoas, em 17 de junho próximo, desfilando nossa alegria multicolorida pelas ruas da maior metrópole da América Latina, na X Parada do Orgulho GLBT de são Paulo. E no próximo domingo, 25, com a mesma euforia e descontração, nos encontraremos novamente no Largo do Pará e desfilaremos pelas ruas de Campinas, junto a outros 25.000 participantes da IV Parada, mostrando que “defender o respeito é dever de toda a sociedade”.

Em tem mais: tempos de PCC, escândalos financeiros, conservadorismo, é bom lembrar que no próximo dia 12 estaremos comemorando o dia namorados. Alguém pode dizer que esta é mais uma data que o comércio criou para tirar dinheiro do nosso bolso. Outros dirão que estou sendo babacamente emotivo. Mas tudo bem, desde que você aproveite esta data para baixar as guardas, deixar-se levar pelo romantismo e beijar muito.

Aproveite junho e invente sua forma de ser feliz, sendo você mesmo, e de preferência, junto a alguém que você queira muito.

 

* Paulo Reis dos Santos é mestrando pelo GEISH – Grupo de Sexualidade Humana
da Faculdade de Educação da UNICAMP e Coordenador do Centro de Referência de Gays, Lésbicas, Travestis, Transexuais e Bissexuais da Prefeitura Municipal de Campinas






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