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SALADA
MIX
Por
Paulo Reis dos Santos
pa_re@bol.com.br
Os gays são
mais positivos que os heteros
Natal. Reveillon.
Férias. Desbunde total. Revi amigos e familiares. Fui à
praia, namorei bastante e agora estou de volta a esta rotina diária
estressante.
Peço desculpa à vocês e ao meu editor pela ausência,
mas retornei para comentar um aspecto de nossa vida que tem sido pouco
valorizado por todos. Muito se tem falado, na mídia, nos pulpitos
da igrejas, nas escolas e em todos os lugares, públicos e privados,
sobre tudo o que é negativo a respeito da homossexualidade: Somos
promiscuos, pecadores, disseminadores da AIDS, imorais, etc. Etc.
Mas não é preciso ser nenhum estudioso para passar os olhos
sobre a história da humanidade e fazer um inventário sobre
os benefícios do legado dos grandes pintores, escritores, estadistas,
cientistas e médicos gays declarados ou de sexualidade dúbia.
Mesmo assim, a sociedade insiste em não enxergar a nossa contribuição
para a evolução da raça humana sobre este planetinha.
E o pior, nos tratam como escória, como lixo! E essa cultura homofóbia
(ódio aos homossexuais) provoca em nós uma destrutiva falta
de consciência de que somos seres especiais.
Por isso, proponho uma cultura gay pró-ativa, que torne visível
tudo o que temos de bom e que nos diferencia dos demais cidadãos
do planeta. Para começar, olhe a sua volta e verifique quantos
gays e lésbicas são arrimos de família. Apesar de
toda a culpa internalizada, da desqualificação social e
da violência que nos cercam cuidam e sustentam seus pais velhinhos,
mais do que seus irmãos heterossexuais.
A partir dos anos 80, nunca tantos homens cuidaram voluntariamente de
outros homens como após o surgimento da AIDS. E mais, foram os
gays que mais aderiram as práticas de sexo seguro e provocaram
a disseminação de informações corretas sobre
as doenças sexualmente transmissíveis. E foi a luta incansável
dos gays brasileiros que culminou na criação do Programa
Nacional de DST/HIV/AIDS, reconhecido internacionalmente pelos serviços
prestados contra a pandemia.
Em contrapartida, é notório que os índices de infecção
pelo HIV entre os heterossexuais, principalmente entre as mulheres casadas
e monogâmicas, tem crescido assustadoramente! E ainda tem a solidariedade
e a cumplicidade das relações entre os homossexuais: foram
as lésbicas e as travestis que primeiro reagiram contra a violência
policial no bar Stonwell Inn em Nova York, em 28 de junho de 1969, dando
origem ao dia do orgulho gay.
Gays, lésbicas, travestis, transexuais estão no centro da
luta pelos direitos humanos de todas as minorias e excluídos aqui
no Brasil. Enquanto os americanos matam milhões de pessoas ao redor
do mundo em nome da liberdade; a igreja católica se cala diante
das denúncias de crimes sexuais envolvendo crianças e adolescentes;
os Skinheads promovem o ódio e praticam a violência contra
gays e nordestinos no Brasil, os homossexuais são as únicas
pessoas do planeta que se unem para lutar pelo direito de amar. E como
vimos, amor é do que o mundo anda mais carente!
E estes padrões de comportamento não nos foram transmitidos
pelo Estado, família, escola ou religião, pelo contrário,
o que fazem é nos desqualificar o tempo todo, num complô
institucional de aniquilamento de nossa auto-estima! Mas somos guerreiros
e aos poucos estamos disseminando um novo Estatuto de ética pública
sem precedentes na história da civilização, e isso
pode ajudar a melhorar o mundo.
No ano passado, eramos mais de 1.800.000,00 pessoas na VIII Parada do
Orgulho GLBT de São Paulo. E por incrível que pareça,
não tivemos notícia de nenhum incidente, nenhum ato de vandalismo,
nenhuma briga. Enquanto que muito menos heteros nos estadios de futebol
provocam catastrofes constantemente anunciadas pelos veículos de
comunicação. Segundo os órgãos de segurança
pública é muito mais tranquilo manter a ordem num evento
gay do que em um estádio de futebol.
Aqui em Campinas os homossexuais se apropriaram da praça Bento
Quirino,
que se tornou um espaço livre para a interação de
gays, lésbicas, travestis, transexuais e toda sorte de grupos sociais.
As agressões esporádicas que ali acontecem é por
conta da intolerância de algum transeunte despreparado para a convivência
com a diversidade.
É a cultura gay positiva provocando uma nova ordem social focada
na liberdade de sentimentos e atitudes. É super-hiper-mega importante
que falemos o tempo todo tudo o que temos de bom e que é bacana
ser gay, lésbica, travesti.
Vamos inverter a ordem das coisas e disseminar o que temos de bom em oposição
às artimanhas da classe média, que insiste em violentar
nossa auto-estima. Em 2005 vamos vivenciar a esperança cotidiana
de um mundo melhor para todos.
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