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SALADA MIX Por Paulo Reis dos Santos
Lésbicas em horário nobre Eleonora e Jeniffer se conheceram em conseqüência da relação tumultuada de seus irmãos.Ficaram amigas, se encontraram constantemente. Eleonora, madura, se apaixonou pela filha do ex-bixeiro. Os vizinhos começaram a falar da relação das duas amigas, que a todo momento trocavam selinhos.Jeniffer começou a se sentir mau com o disse que disse da vizinhança e as indiretas do irmão. Tiveram uma conversa tensa quando Jeniffer foi tirar satisfação sobre as intenções da amiga. Léo, segura de si disse que era lésbica e que havia se apaixonado pela amiga. Assustada, a garota sai correndo deixando Léo falando sozinha. O tempo passa e as protagonistas desta história sofrem: Léo pelo desprezo da amiga, Jeniffer por não entender seus sentimentos e ao mesmo tempo negá-los.O irmão de Leonora conforta a maninha e faz a cabeça da mãe para que ampare sua filha em seu sofrimento sentimental. O irmão de Jeniffer faz indiretas, sua avó se espanta e não acredita nas evidências do fato, o pai consola e estimula a filha a se confrontar com seus fantasmas. A amante do pai dá forças para que a enteada se resolva com a amiga. Jeniffer e Eleonora são personagens da atual novela Senhora do Destino, escrita por Aguinaldo Silva, no ar pela Rede Globo de Televisão. O autor, especialista em personagens transgressores da ordem estabelecida e tramas que misturam regionalismos, desta vez cria polêmica ao mostrar com extremo realismo a homossexualidade feminina. O que salta aos olhos em Senhora do Destino é a união dos marginalizados em torno do apoio ao romance das duas garotas: o ex-bicheiro - mal vestido e semi alfabetizado que a todo o momento faz trocadilhos inusitados, a amante do ex-bicheiro que faz a linha loura burra. As cenas em que Geová incentiva a filha a resolver suas dúvidas, tirar de sua cachola todos os fantasmas são de uma sinceridade e respeito ao outro que poucas vezes vemos nas telenovelas. José Wilker está impagável na pele do ex-bicheiro que por amor à sua filha, compreende suas angústias. Danielle, a loira burra reconhece o bem que Eleonora pode fazer para sua enteada Jeniffer.O bixeiro entende de discriminação, afinal se criou e melhorou de vida na marginalidade. Deve ter vivido de tudo e andado com todo tipo de gente: prostitutas, michês, drogados, traficantes etc. Fez fortuna na contravenção e busca agora dar um salto qualitativo em sua vida. A amante também sabe o que
é ser apontada na rua, de ser discriminada, humilhada. É
a gostosa da vez, alçada à fama instantânea graças
aos seus atributos físicos. Marginalização, discriminação,
humilhação. Temas caros ao autor da novela, que é
negro, nordestino e homossexual. Talvez por isso tenha criado uma rede
de sustentação e suporte às lésbicas da novela
global. Quantos de nós somos humilhados e sofremos solitariamente, sem um ombro amigo para chorar nossas dores? Daí a importância do pai que saca o amor da filha pela amiga e da "madrasta" que apóia e vibra com a escolha afetiva da enteada! Eleonora, uma mulher liberada, profissional, madura, consciente e "Senhora de seus Desejos". Jeniffer, uma garota em final de adolescência, pré-vestibulanda, cheia de dúvidas, mas que, apesar do medo, se arrisca nos braços da "amiga" para exterminar seus fantasmas. A vida é um processo de descobertas e de aprendizados. Nesse caminho, Jeniffer se arrisca para crescer e Eleonora a conduz e ampara na descoberta do amor. Alguns militantes do movimento homossexual poderão dizer que é muito pouco vê-las trocando selinhos e dormindo na mesma cama, mas a quilômetros uma da outra enquanto que seus irmãos se comem e fazem uma dança frenética de mãos nos corpos um do outro. Mas, depois que um casal de lésbicas
explodiu junto com um shopping center, que outro casal trocou um selinho
na penumbra e mesmo assim depois que uma delas se travestiu de homem,
ver um casal que vive sua paixão e que recebe apoio de alguns personagens
centrais é um avanço.
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