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PERSONA Por Tiago
Duque
Olá Pessoal!
Entrevistei a Adriana Pinho, biomédica e coordenadora do Projeto
SEMEAR SAÚDE que já contou com a participação
de mais de 600 voluntários da Região Metropolitana de
Campinas. Confiram: Como foi a sua trajetória profissional até assumir a coordenação do Projeto SEMEAR SAÚDE? Tenho trabalhado para o Population Council, a ONG que desenvolve este projeto, desde 2004 como coordenadora de pesquisa de campo de diferentes projetos em DST/Aids. Estava em Corumbá, Mato Grosso do Sul, até agosto de 2005 coordenando um projeto de intervenção com profissionais do sexo quando convidaram-me para coordenar este projeto. Como nasceu o projeto SEMEAR SAÚDE? Qual é o seu objetivo? O projeto nasceu de um pedido do Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde ao Population Council, pois existem poucos dados disponíveis sobre esta população no Brasil. O objetivo principal do estudo é identificar grupos mais vulneráveis ao HIV e poder direcionar as ações de prevenção para estes grupos específicos. Vamos também saber a cobertura e o resultado das ações vigentes, sejam estas conduzidas por ONG seja pelo setor público. Quem contribuiu para que o projeto SEMEAR SAÚDE existisse? O projeto Semear Saúde é uma parceria entre diferentes instituições, governamentais e não-governamentais e o movimento social. Do lado governamental, fazem parte dessa parceria, os Programas Nacional e Municipal de DST/Aids, o Laboratório de Pesquisa em Aids da Unicamp, o Laboratório Municipal de Campinas, a COVISA e o Centro de Referência GLTTB de Campinas. Do lado não-governamental, o Population Council, o Projeto Horizons dos Estados Unidos e os grupos Identidade, e-jovem, Ação Artística para o Desenvolvimento Comunitário (Acadec) o Grupo da Amizade. O financiamento do projeto é feito pela missão Brasileira da USAID e pelo Programa Nacional. Também considero como nossos parceiros, os próprios participantes do projeto, pois utilizamos uma metodologia cujo recrutamento de novos voluntários é feito por aqueles que já participaram do projeto e não pelos investigadores. Logo, o sucesso da pesquisa depende do quanto nossos voluntários estão engajados em contribuir com a pesquisa e seus objetivos. A ONG Population Council desenvolve outros projetos no Brasil ou na América Latina? O Population
Council está no Brasil desde 1976 e já realizou muitos
projetos de pesquisa na área de saúde sexual e reprodutiva.
O último foi uma avaliação do uso de testes rápidos
no diagnóstico de três doenças sexualmente transmissíveis
(gonorréia, clamídia e tricomoníase) entre mulheres
na região centro-oeste do município de São Paulo.
Nos últimos anos, suas pesquisas têm se direcionado mais
para o campo da prevenção de DST/Aids em populações
vulneráveis. O Population Council fez uma avaliação
dos serviços de testagem e aconselhamento em HIV/Aids e dos centros
que prestam assistência a portadores do HIV/Aids em cinco regiões
fronteiriças do Brasil como parte do Projeto Fronteiras do Programa
Nacional, além de realizar pesquisas com profissionais do sexo
no município de Corumbá, MS, na fronteira Brasil-Bolívia
e com caminhoneiros em Foz do Iguaçu na tríplice fronteira
Brasil-Paraguai-Argentina. A equipe do projeto é composta, atualmente, por uma coordenadora, seis aconselhadores, duas técnicas de enfermagem e dois recepcionistas, alocados em dois turnos de trabalho, à tarde e à noite, exceto a coordenadora que permanece no projeto em período integral. Como foi trabalhar com a população a que o projeto SEMEAR SAÚDE se destina? Tive a oportunidade de trabalhar neste estudo não somente como coordenadora, mas também como aconselhadora, ou seja, realizava o atendimento individual do voluntário e o aconselhamento pré e pós teste. Já trabalhei como aconselhadora em outros projetos de pesquisa e com este, minha experiência não foi diferente. O atendimento, ou melhor, o bate-papo que temos com os voluntários é sempre enriquecedor e prazeroso. É um momento de troca de experiências e sentimentos que culminam com o início de uma reflexão sobre nossas emoções, corpo, saúde, valores e relacionamentos. Acredito que com os outros aconselhadores não foi diferente e tenho certeza que como eu, tiveram ótimos momentos com os voluntários que contribuíram para o enriquecimento de nossa trajetória profissional e humana. Qual é a principal desafio que o projeto SEMEAR SAÚDE enfrenta neste momento? Iniciamos o projeto em novembro de 2005 e, após quase dez meses de andamento do estudo, temos aproximadamente 600 participantes. No início achávamos que mais pessoas participariam em uma cidade como Campinas e que elas viriam mais rápido. Fizemos várias considerações a respeito desta baixa velocidade de recrutamento, e nos parece que vários fatores estão envolvidos. Um é a falta de tempo das pessoas. Além disso, no estudo é oferecido ao voluntário um teste rápido para saber se ele tem ou não o HIV. Acreditamos que, para alguns, a participação no projeto implica na sua realização, o que não é verdade. Ele pode ou não fazer o teste. Há também o fato que no Brasil, ainda não temos uma cultura disseminada de participação voluntária em projetos de pesquisa o que acaba limitando o desenvolvimento de muitos estudos tanto em pesquisa clínica quanto epidemiológica. A partir do seu ponto de vista, qual foi a maior conquista que Campinas e região obteve com este projeto de pesquisa? Como o projeto ainda está em andamento, posso prever que a maior conquista será a disponibilização de dados fidedignos sobre características sociodemográficas, comportamentais, de violência e discriminação e o grau de vulnerabilidade ao HIV/Aids que esta população está exposta e que poderão subsidiar o desenvolvimento de estratégias eficazes de prevenção em DST/Aids e promoção à saúde entre essa população na região metropolitana de Campinas. Vamos também ter dados em separado sobre as travestis, que nos foi pedido pelo movimento devido à falta de informações ligadas ao HIV neste grupo. Como as pessoas podem ser voluntários e participarem deste projeto de pesquisa? Para participar como voluntário do projeto, ou seja, sujeito de pesquisa, em primeiro lugar a pessoa deve receber um convite verbal e impresso de um outro voluntário que já tenha participado da pesquisa. O projeto funciona como uma rede, semelhante ao “ORKUT”, ou seja, só pode participar quem é convidado para entrar nessa rede. Isto porque trabalhamos com uma metodologia baseada na rede social dos indivíduos. Mas não basta receber um convite, o voluntário deve preencher os critérios para sua elegibilidade à pesquisa. Todos os homens ou travestis com 14 anos ou mais, que tenham tido pelo menos uma relação sexual anal ou oral com outro homem nos últimos 6 meses e que morem em uma das cidades da região metropolitana de Campinas podem participar do estudo. Antes de participar, o voluntário receberá todas as informações necessárias sobre estudo quanto aos seus objetivos, procedimentos, riscos e benefícios expressos em um termo chamado Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, presente em qualquer pesquisa científica. Neste termo, firmamos nosso compromisso ético em manter toda a informação dada pelo voluntário de forma sigilosa e anônima. Isto significa que o nome do voluntário não é relacionado a nenhuma informação dada e, muito menos, aos resultados dos exames realizados. Como as pessoas poderão ter acesso aos dados finais desta importante pesquisa? Os resultados deste estudo vão ser disponibilizados a todos os parceiros que poderão divulgá-los em suas páginas de Internet. Esperamos que o site do Espaço GLS também possa fazê-lo. Além disso, os resultados serão divulgados em um seminário em que participarão todos os parceiros, o movimento social e a sociedade civil para que juntos possamos discutir frente aos resultados apresentados estratégias eficazes para a prevenção de DST/Aids entre a população de homens que fazem sexo com homens. Os resultados também serão divulgados para a comunidade científica. Deixe uma mensagem para os leitores e leitoras desta coluna. Bom, imagino que alguns futuros leitores desta entrevista sejam voluntários que já tenham participado do estudo, e gostaria, em nome da equipe de pesquisa, agradecê-los pela sua participação. Com certeza, o estudo não estaria acontecendo sem a colaboração dessas pessoas ao divulgarem o projeto entre seus conhecidos, convidando-os para serem também voluntários. Para aqueles que ainda não participaram fica aqui o meu convite e a certeza de encontrarem no projeto um atendimento de qualidade, respeitoso, e acolhedor. Tenho certeza que irão gostar de participar e indicarão o estudo para outros amigos e conhecidos. Além de obterem informações sobre prevenção de DST/Aids, terem um espaço aberto de diálogo sobre violência, discriminação, orientação sexual e cidadania, poderão também realizar a testagem para HIV e sífilis de maneira rápida e sigilosa. Obrigada e aguardo
vocês no projeto! Espero que tenham
gostado da entrevista. Caso queiram entrar em contato com a Adriana,
o seu e-mail é: apinho@popcouncil.org.br.
E, para aqueles que estão com o convite, não deixem de
participar da pesquisa, pois ela vai se encerrar no dia 30 de setembro!
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