PERSONA
Por Eduardo
Gregori
editor@espacogls.com
Ela veio do Recife,
retirante nordestina em busca de uma vida melhor no Sudeste. Há
7 anos em São Paulo e com 15 anos de carreira, Michelle Summer
é uma artista que transcende seu gênero. Travesti assumida
e com orgulho, Michelle pode ser Elba Ramalho ou encarnar uma hilária
caricata. E foi com esta artista simpática e nada estrela que
conversei e mostro aqui no Espaço GLS para vocês.
Quando você
começou?
Há 15 anos lá no Recife.
E porque
escolheu Elba Ramalho como um de seus personagens?
Na minha época não existia drag, a gente procurava parecer
com alguma cantora brasileira famosa. Eu parecia com a Elba e de tanto
as pessoas falarem isso eu comecei a fazer show de Elba Ramalho.
Além
da Elba o que você faz mais no palco?
Eu sou pau pra toda obra. Faço a humorista, apresentadora e show
de vedete. Caminho por todas os lugares
Qual é
seu estilo preferido?
Tudo tem o seu brilho e sua coisa gostosa de fazer. Quando estou de
Elba me realizo, quando solto uma piada e sinto o público rindo
é uma coisa muito boa pra mim.
O público
entende um artista com tantos tipos?
Às vezes eles se assuntam e ficam admirados de que eu possa fazer
um tipo e mostrar outros completamente diferentes. Sou como um Chico
Anísio, com vários personagens.
Foi difícil
vencer em São Paulo?
Eu cheguei em São Paulo e ficava vestida de Elba Ramalho praticamente
24 horas. Me deram muita oportunidade e foram vendo que não era
só a Elba que eu fazia. Não foi tão difícil
me colocar e quem tem talento não fica sem trabalho.
Muitos reclamam
que os empresários não valorizam o artista. Você
concorda?
No começo de carreira é difícil, você não
pode exigir nada. Quando você já tem um nome e um público,
então fica mais fácil impor respeito e exigir um cachê
digno do seu trabalho.
Você
sumiu de Campinas, porque?
Eu vinha muito na The Club. A Helloá Meirelles, ex-diretora artística,
me abriu um espaço enorme. Ela gostava da artista e da pessoa
e por isso sempre eu estava aqui. Depois veio a Rúbya, que eu
sinto ter um amor pelo meu trabalho e pela minha pessoa. Agora eu sinto
falta porque a Helloá mora na Europa e a Rúbya não
está mais na direção artística das casas
por aqui. Estou voltando a Campinas pelas mãos do Thiago, do
Clube Insano. Ele gosta do meu trabalho e me convidou.
Você
começou a fazer show como travesti ou drag?
Desde criança eu era confundida com mulher. Sempre fui travesti.
As pessoas acham que travesti é só aquela que tem silicone,
prótese e passou uma noite na delegacia de Polícia. Eu
me sentia travesti desde criança. Só aos 30 anos eu resolvi
colocar silicone e depois coloquei próteses.
A travesti
sofre preconceito mesmo sendo artista?
Sim e muito. Para muitas pessoas travesti é sinônimo de
polícia, babado e confusão, mas não é por
aí. Nem todas as travestis gostam de se atracar ou de fazer programa.
Depois que coloquei prótese as pessoas acharam que eu não
faria mais a caricata, como se fazer caricatisse dependesse disso. Aliás,
a prótese e o silicone não interferiram em nada no meu
trabalho, muito pelo contrário, acrescentou em outros trabalhos
que eu posso também fazer. A gente que é artista não
pode ficar só naquela coisa de bater cabelo, dublar ou fazer
o povo rir, tem de fazer de tudo O público nunca tem noção
de como eu vou entrar no palco por que eu sou versátil, faço
muita coisa.
Que conselho
você dá para quem pensa em começar?
Para quem tem talento há espaço. Só trabalha e
fica na noite quem tem talento.
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