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PERSONA

Por Eduardo Gregori
editor@espacogls.com

Eduardo Martini

O paulistano Eduardo Martini é um homem que corre contra o tempo. Ator, bailarino, diretor e produtor de teatro, ele está no showbiz desde os 16 anos. Foi aluno da Actor’s Studio e da Alvin Ailey American Dance Theater de Nova York, escolas de prestígio internacional e formadoras de grandes artistas. No Brasil, participou de diversos espetáculos, entre eles Não Fuja da Raia, Tango, Bolero e Chá, Chá, Chá e Quem tem Medo de Itália Fausta.

Na televisão, atuou na novela O Clone, nos humorísticos Escolinha do Professor Raimundo e Os Normais. Sempre com diversos projetos e trabalhos, Martini ainda encontra tempo para subir em um salto alto e dar vida a Neide Boa Sorte, uma mulher que ele define como mal-humorada, sem papas na língua e uma grande crítica da sociedade moderna.

Essa é a terceira temporada de I Love Neide na região de Campinas. Você está de volta a pedido do público?
Sim. Na verdade esta é a quinta vez que trabalho em Campinas. Apresentei aqui duas vezes o monólogo Na Medida do Possível. Inaugurei também as quartas e quintas do Teatro Tim. O público do interior de São Paulo me surpreendeu. O nível cultural das pessoas é muito bom. É gratificante para o ator ter uma platéia lotada em plena terça-feira. Sinal de que as pessoas da região vão aos espetáculos e gostam de teatro.

O público do Interior está mais exigente?
Acho que o público não engole mais aquele tipo de peça caça-níquel ou que tenha como chamariz um ator conhecido da televisão. As platéias estão mais seletivas e assistindo a bons espetáculos. Fico feliz porque eu não me considero famoso e o público tem prestigiado muito a Neide.

E os atores estão percebendo isso?
Claro que sim. O público da região está passando uma peneira no que vem para cá. Com certeza um ator não vai correr o risco de apresentar algo ruim por aqui. Não cola mais essa história de ganhar dinheiro com qualquer coisa.

Por falar em Neide, como surgiu o personagem?
A Neide é fruto de uma brincadeira que fiz para Hebe Camargo. Fui convidado a voltar outras vezes e acabou virando um quadro no programa. A Neide foi parar até na internet. Soube que existem quase 20 comunidades dela no Orkut e mais vídeos no Youtube. Esse retorno do público foi tão positivo que acabei sendo convidado pelo Teatro Folha a montar um espetáculo com ela.

Como você define a Neide?
Ela é uma mulher sem papas na língua e que está às raias da loucura. Apesar disso, cativa as pessoas pela sinceridade e crítica que faz sobre a situação caótica que o nosso País vive. Pensei nela como uma homenagem à Hebe e a todas as mulheres.

E é difícil transformar-se em mulher?
Muito. Gasto quase duas horas apenas para me arrumar, sem contar ensaio e preparação.

Você é reconhecido quando não está vestido de Neide?
Sim. O público é muito carinhoso comigo. Como a Neide acabou virando uma espécie de amiga da Hebe, as pessoas pedem para eu mandar um beijinho para ela. Isso já virou bordão.

A peça é uma crítica ao governo?
O texto faz uma crítica ao que anda acontecendo no País. A história da Neide, que por acaso se transformou em uma famosa conselheira de auto-ajuda, é uma crítica aos reality shows e aos que ficam famosos rapidamente sem ter um porquê e sem ter um trabalho ou uma carreira.

Como foi criar uma peça para um personagem que já existia?
Difícil porque foi uma inversão. Normalmente, você desenvolve personagens a partir de uma história. No caso da Neide, eu tinha o personagem, mas não tinha a história.

O humor é uma boa arma como crítica?
Sim, desde que não seja ofensivo. O humor quebra barreiras e desarma as pessoas.

Por onde I Love Neide já passou ou vai passar na região?
Estreei a peça aqui em Campinas, no dia 7 de março do ano passado e foi muito bom. Estou na terceira temporada. Passei por Jundiaí, Araras, Americana, Vinhedo, Santos, Indaiatuba e Piracicaba. Estou voltando para Indaiatuba nesta quinta-feira, para me apresentar na Sala Acrísio de Camargo.

Durante as temporadas, você se hospeda em Campinas?
Normalmente, venho de São Paulo e volto para lá porque tenho assuntos a resolver. Quando dá, prefiro ficar, porque aqui consigo descansar.

Você criou alguma relação com a região?
Meu tio tem um sítio em Itatiba e, sempre que possível, estou por lá. Campinas é o meu refresco porque em São Paulo estou sempre correndo. Aqui eu faço tudo, troco o óleo e os pneus do meu carro, pago contas nos bancos da Avenida Francisco Glicério. Até a minha carteira de motorista vou renovar aqui. Estou vivendo a história da cidade e me acostumando com ela. Aqui também tenho alguns amigos.

E aonde você vai para se divertir?
Para relaxar, gosto de tomar um chope no Giovannetti do shopping Parque D. Pedro. Conheço o Mercado Municipal, enfim, sei andar pela cidade. Em Campinas, conheci também o trabalho desenvolvido pelo Centro Boldrini e me tornei voluntário. Fiquei surpreso com esse monumento inenarrável que construíram aqui para as crianças. Quero e vou divulgar o Boldrini por onde eu passar.

E na esfera profissional, algum projeto por aqui?
Sim. Recebi um convite da TVB para fazer um programa. O formato me agradou e há três meses estou apresentando o Pano Pra Manga, que vai ao ar às terças e sextas-feiras, às 11h45.

Depois da Neide, o que o público pode esperar?
Gosto muito do teatro e o meu sonho é apresentar três espetáculos, um em cada dia da semana. Já estou correndo atrás de patrocínio para viabilizar o projeto.

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