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PERSONA

Por Eduardo Gregori
editor@espacogls.com

Existe vida inteligente pós-Big Brother Brasil. Jean Wyllys, o vencedor da quinta edição do reality show global, é uma prova disso. Seis meses após a saída do programa, Jean não desapareceu em meio à poeira das celebridades instantâneas fabricadas pela atração. "Eu tenho o que dizer e não busco a fama pela fama" , diz o ex-Big Brother. Jean esteve em Campinas no dia 14 de setembro para uma noite de autógrafos de seu segundo e mais recente livro, Ainda Lembro, lançado pela Editora Globo. Na publicação, Jean conta as emoções que viveu durante os 80 dias de confinamento na casa. Além do Big Brother, Jean recorda as dificuldades que passou antes de ganhar o prêmio de R$ 1 milhão, entre elas a falta de dinheiro e o preconceito por ser homossexual. No livro estão também alguns contos de ficção que foram publicados em sua primeira obra, Aflitos, lançada em 2001 pela Fundação Casa de Jorge Amado.

Para Jean, o fato de não estar exposto constantemente na mídia contribui para consolidar seu nome e imagem. "Eu não aceito convite para ir em programas só para aparecer. Se não tenho nada a dizer não apareço" , explica. O carisma conquistado através do Big Brother também é um forte aliado do baiano. "Durante o programa não usei máscaras e creio que por isso tenha conquistado as pessoas" , lembra. Trabalhando no programa Mais Você de Ana Maria Braga e com uma coluna na G Magazine, Jean está a todo vapor em sua nova fase fora da casa do Big Brother. Em seus planos, estão mais quatro livros e um documentário sobre transformistas. Leia a seguir a entrevista.

Qual a fórmula para vencer o Big Brother Brasil?
Ela não existe. Eu acho que cativei as pessoas por ser ético. O Brasil vive um momento em que as pessoas buscam pela ética, então acho que elas viram em mim alguém especial.

Os votos dos gays o ajudaram a vencer?
Fizeram a diferença, mas não foram decisivos. Os gays fazem parte de uma minoria e apenas com votos de uma minoria eu não venceria. Mas nem todos os gays votaram em mim. Os homossexuais organizados em grupos e ONGs votaram, mas teve gay que achou que eu ia sair muito metido da casa e não votou em mim.

Foi difícil superar os 15 minutos de fama dados pelo Big Brother Brasil?
O problema é sobreviver ao preconceito por quem passa pelo Big Brother. Eu sobrevivi porque tenho o que dizer, não queria apenas ficar famoso. Eu escolhi um rumo diferente de outros participantes. Prefiro não me expor só pela exposição, se não tenho o que dizer não apareço.

Você ainda tem contato com algum brother?
Sou muito amigo de Pink, Grazielli e Alan. Os outros nunca mais vi.

E a vida fora da casa?
Estou trabalhando como uma espécie de repórter para Ana Maria Braga. Minhas matérias são super elaboradas, quase uma reportagem para a National Geografic. Isso é bom. As pautas tentam mostrar a cultura como um modo de vida. Também assino uma coluna mensal na G Magazine e estou produzindo um documentário.

O que você irá abordar nesse documentário?
Chama-se Estrelas do Basfond e trata da vida de transformistas e drag queens que fazem shows pelo Brasil. O público não reconhece estas pessoas como artistas. Elas gastam dinheiro se produzindo e muitas vezes não ganham nada. Quero mostrar que existe arte no transformismo e valorizar estes artistas.

E a carreira de escritor?
Eu escrevo muito antes do Big Brother. Escrevi meu primeiro de contos há 13 anos, quando tinha 17 anos. Na época, eu queria mostrar uma imagem diferente daquela da Bahia dos cartões-postais. Gosto de falar do amor, do desamor, analisar as relações humanas. Em 2001, fui premiado e a Fundação Casa de Jorge Amado publicou meu primeiro livro Aflitos. Em Ainda Lembro o tom é autobiográfico. Completei o livro escolhendo contos de Aflitos narrados na primeira pessoa. Foi uma maneira de dar ao livro uma unidade.

Planos para outros livros?
Assinei com a Editora Globo contrato para cinco livros, mas sem um prazo específico para escrevê-los. Meu próximo livro já tem nome, Romance Com Coração, mas ainda não sei quando vou lançá-lo.

Uma pergunta inevitável. Como você está gastando o prêmio de R$ 1 milhão?
Comprei uma casa para minha mãe e procuro ajudar minha família. Não dou dinheiro sem propósito, não dou o peixe mas ajudo a pessoa a pescar
.

Veja aqui a galeria de fotos de Jean em Campinas

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