PERSONA
Por
Tiago Duque
duque_tiago@hotmail.com
Aira Teixeira
Corerato
Olá Pessoal! Entrevistei a adolescente lésbica e militante
Aira Teixeira Corerato, do grupo E-Jovem. Confiram como esta garota,
com apenas 16 anos, já tem coragem e o compromisso social que
muitos adultos ainda não têm! Para quem quiser se comunicar
com ela, o seu e-mail é: corerato@hotmail.com
Como é
ser adolescente lésbica assumida?
É um pouco complicado, mas vale a pena. Complicado pois várias
pessoas não levam a sério um adolescente, imagine um que
ainda é homossexual? Mas, valeu a pena por que vivo a minha vida.
Não escondo o que sou.
Porque você
resolveu, além de “sair do armário”, tornar-se
militante lésbica?
Resolvi sair do armário por que não estava mais agüentando
ter que mentir, principalmente para meu pai, pois só mora nós
dois; e a questão de ser militante foi para lutar pelo direito
LGTTB (Lésbicas, Gays, Travestis, Transexuais e Bissexuais) e
pelos adolescentes que sofrem muito com sua homossexualidade.
Como é
a sua relação com a família?
Só meus irmãos e meus pais que sabem. A minha relação
com eles é ótima, só que infelizmente tenho sérios
problemas com a minha mãe que não me aceita, tanto que
não converso com ela.
Como é
a sua relação com a escola?
Quando resolvi me assumir estava no final da 8ª série;
com as pessoas que me assumi a aceitação foi ótima,
depois que mudei de colégio houve um certo preconceito. Só
que hoje, no 2º colegial, tenho uma boa convivência com o
pessoal.
Como você
vive a sua espiritualidade?
Na religião que sigo, que é a Espírita, consigo
conciliar sem problemas.
Você
sente-se pressionada pelos amigos e amigas a “mudar” a sua
orientação sexual?
Nem tanto, por eu ter muitos amigos evangélicos sempre tem
um ou outro dizendo que eu tenho que mudar, mas nada muito sério
Qual é
a principal reivindicação dos adolescentes homossexuais
organizados? Como vocês têm contribuído para que
esta reivindicação torne-se realidade?
Sem dúvida é o problema enfrentado com os pais e a
escola. No E-Jovem (www.e-jovem.com) de Campinas, que é aonde
eu participo, temos alguns projetos em andamento como o PEJ (Programa
Escola Jovem) que faz diversas atividades com a escola, e também
fazemos reuniões com pais e psicólogos.
Os adolescentes
nem sempre são levados a sério. Qual é a sua opinião
sobre este tipo de preconceito?
Muita gente tem essa idéia mesmo, por que dizem
que os adolescentes ainda não sabem o que querem da vida, não
nego que tem adolescentes que não sabem o que querem da vida,
mas aqueles que têm uma perspectiva de vida é um número
muito maior, e esse “TABU” só vai ser quebrado na
hora que mostrarmos o que os adolescentes são capazes de fazer
para sociedade.
Campinas
terá no próximo dia 1º de julho a primeira matinê
LGTTB. Como será esta festa? Qual é a importância
dela para toda a comunidade LGTTB?
Pelo que sei será maravilhosa, ela é importante mais
para os adolescentes, pois eles não tem um ambiente onde possam
paquerar, divertir com os amigos, sem sofrerem algum tipo de preconceito,
por que estarão no ambientes “deles”.
Você
participa da Comissão Organizadora do IV Mês da Diversidade
Sexual de Campinas, inclusive da organização da VI Parada
do Orgulho de LGTTBs da cidade, que ocorrerá no próximo
Domingo, dia 25 de junho. Como tem sido sua participação
e o que tem aprendido com esta ação voluntária
e militante?
Estou participando como posso, conciliando com meus estudos.
Digo que com esta ação voluntária na verdade eu
desaprendo. Desaprendo tudo aquilo que a sociedade impôs, que
é uma sociedade machista, descriminadora e repressora. E aprendo
que tenho e devo lutar não só pelos meus direitos, mas
pelos direitos de todos.
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Nós adolescentes temos ainda muito a mostrar do que somos
capazes de fazer, e precisamos buscar visibilidade
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