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PERSONA

Por Eduardo Gregori

Há 10 anos, o trágico fim de uma história de amor inspirou uma mulher a dar o nome de Rosa Vermelha a um grupo de defesa dos direitos GLBTs que acabava de ser criado em Ribeirão Preto. E foi com Joana, a mentora deste grupo que conversei por e-mail e com a ajuda do GAPA de Ribeirão Preto. A cidade, no interior de São Paulo, sedia em junho sua primeira Parada do Orgulho GLBT e é sobre este evento que conversamos..

Porque o nome Rosa Vermelha?
As primeiras reuniões do Rosa foram em uma sala emprestada por um partido politico. Em 1994 um casal de miliatantes foram assassinados no dia 12 de junho, dia dos namorados, no quarto deles, o nome dela era Rosa. Como a nossa primeira reunião foi no dia 12 de junho de 1995, um ano apos o assassinato, resolvemos fazer uma homenagem, colocando o nome de Rosa e Vermelho por ser a cor do amor representanto nosso amor a luta pela causa.

Quando aconteceu a idéia de Ribeirão Preto ter a sua própria parada?
Na verdade a ideia não era uma Parada, e sim uma atividade esportiva que surgiu na mesa de um bar entre amigos. Fomos viajando, falando que poderiamos fazer isto ou aquilo. A principio pensamos em uma atividade de ciclismo, mas como poucos teriam bicicleta, passamos para uma corrida, a qual teria premios, mas como os saltos poderiam quebrar ou outros acidentes de percurso, então passamos para uma caminhada da diversidade. Assim todos com bastante paz e amor poderiam participar. Então da caminhada para a Parada o passo foi arrumar um Trio eletrico bastante animado e tudo se resolveu.

De que forma está sendo possível realizá-la?
Foi de um dia para o outro. No final do ano passado, quando o Governo do Estado divulgou o edital de eventos, em um domingo (o prazo era até segunda) redigimos o projeto, enviamos e por surpresa nossa foi aprovado. Então começamos a correr atrás dos preparativos, tentando fazer outras parcerias, até por que o projeto não está financiando a Parada, mas com o apoio do Governo do Estado e agora com do Governo Fedral, e Secretaria Municipal da Cultura, os detalhes de organização estão ficando quase prontos, mas a falta de apoio financeiro é muito grande e estamos ainda buscando mais recursos.

O que o evento terá?
A semana terá atividades artisticas, com exposição do Yale Renan do Rio de Janeiro, e de outros artistas da cidade. Ainda ao longo de toda semana, vamos trabalhar diariamente as questões da prevenção as DST/HIV/Aids e também temos as tribunas que irão abordar temas especificos em cada dia, como é o caso do Turismo, Direito, Midia, Publicidade e Religiões, até fechar a Semana com chave de ouro, ou seja a I Parada de Ribeirão Preto. para comemorar tudo que foi conquistado ao longo da semana e mostrar que nós estamos aqui presentes e preocupados com todos os assuntos relacionados à nossa vida.

Como você acha que a sociedade receberá o evento?
Antes mesmo de divulgar oficialmente, saiu uma nota no jornal falando da Parada e os nossos telefones não pararam de tocar. Na rua estamos somos abordados e todos querem saber o que vai acontecer. Mas como somente iremos divulgar a programação final a partir de 19 de maio, as pessoas estão inquietas, querem saber e eu respondo que nem sei ainda. Não tenho uma resposta concreta para passar. Mas estavamos pensando em apenas 1 mil pessoas, mas alguns colegas do ramo de eventos estão estimando até 10 mil participantes, o que nos deixa bastante felizes.

Ribeirão Preto ainda é uma cidade conservadora?
Acho que Ribeirão Preto é uma cidade conservadora mas estamos percebendo pelo processo de organização que a diversidade está aparecendo. Ribeirão Preto tem sua cultura na base da politica do café, cana de açucar e agroindústria com muitas usinas. Não é uma cidade moderna, mas possui cerca de 110 mil jovens que vem para cá para estudar, então temos uma parte conservadora e uma parte cosmopolita. Isto tudo influencia na formação da opinião pública.

A parada encontrou simpatizantes em que setores da sociedade?
O movimento social foi o idealizador, mas logo algumas esferas de governo, educadores, mídia, turismo de Ribeirão Preto, setores privados como um todo, e em especial claro a população homossexual de toda região. Alguns movimentos paralelos já estão acontecendo de lá para cá como foi o caso do grupo de bioetica da OAB que realizou no mês passado uma discussão bastante ampliada sobre o transsexualismo.

O que vocês pretendem com esta parada?
Na verdade é a semana inteira, durante a qual queremos mobilizar a opinião publica regional, para que ela possa refletir mais sobre todos os assuntos transversais, a vida da população de gays, lésbicas, bissexuais e transgeneros. Se os demais setores da sociedade também não refletirem e discutir coletivamente tudo fica mais dificil. A Parada em si é uma das atividades desta semana, que dará maior visibilidade ao grande número de homossexuais da região. Com o tema Direitos Iguais, nem mais nem memos o que queremos é justamente isto, direitos iguais.

Qual o número de pessoas e que municipios vocês esperam reunir durante o evento?
O número de municipios é muito dificil dizer pois já recebemos contatos de varios municipio, e inclusive de outros estados, mas oficialmente a area de abrangência é a região de Ribeirão Preto composta por cerca de 30 municipios. Estimamos cerca de 150 pessoas por dia nas atividades da semana e mais de 3 mil para a Parada no domingo.

Já estão pensando em 2006?
Sim. Toda a experiencia e dificuldades estão sendo registradas para 2006, inclusive as parcerias e apoio, os quais primamos e queremos manter para 2006. Acreditamos que será mais facil, uma vez que estamos adquirindo experiência e trabalhando muito em 2005, para que a semana seja permanente nos proximos anos.



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