PERSONA
Por Tiago Duque
duque_tiago@hotmail.com
Negra Cris
Olá
pessoal! Tudo bem?
Entrevistei a Ana
Cristina C. Santos, que gosta de ser chamada de Negra Cris. Ela é
militante Negra e homosseuxal, membro da recém criada Rede
Afro LGTB. Confiram à entrevista:
Como iniciou
a sua militância?
Minha
militância iniciou no Movimento Social Negro; contudo, o movimento
negro não discutia a questão de orientação
sexual e isso me incomodava, foi quando me inscrevi para participar
do I Encontro Nacional de Ativista LGBT Afrodescendentes que aconteceu
nos dias 07 e 08 de novembro de 2005, antecedendo o XII EBGLT e lá,
juntamente com outras negras e negros, fundamos a Rede Afro LGBT. Hoje,
nos espaços que atuo minhas ações sempre tem o
recorte racial e de orientação sexual.
Além
de militar, o que realiza?
Sou
pedagoga, terminando o mestrado em educação brasileira;
presido a Associação Educativa e Cultural ABAYNEH que
tem como objetivo ampliar e intensificar a socialização
de crianças de 03 a 06 anos de idade, buscando assegurar a presença
dos diversos aspectos que são fundamentais para a educação
infantil: afetivo, percepto-motor, cognitivo, social e racial e leciono
na rede estadual e municipal de educação de Salvador.
Porque você
considera importante articular estas duas temáticas: a negritude
e a diversidade sexual?
Porque
essas duas temáticas são introjetadas de violência
e discriminação que devem ser enfrentadas para minimizar
o racismo e a homofobia.
Muitas
pessoas não entendem as políticas afirmativas, como as
“cotas” por exemplo. Afirmam entre outras cosias, que também
é uma forma de discriminação. Como você explica
essa questão?
Essa
questão explica-se tendo conhecimento de que ações
afirmativas são medidas especificas para a reversão das
desigualdades existentes no país em conseqüência do
processo histórico e social ocasionado pela escravização
de negros oriundos do continente africano, então tais ações
visam equilibrar as discriminações e marginalizações
sofridas pelos considerados minorias. Portanto, tendo como exemplo as
cotas nas universidades, tais ações não são
discriminatórias porque o seu objetivo é proporcionar
a equidade de direitos e oportunidades.
Existem
preconceito de homossexuais contra homossexuais negros ? Como combater
?
O
preconceito existe porque foi definido ideologicamente um modelo de
sociedade que “deve ser” branco e hetero. Por ser o preconceito
racial decorrente de uma situação sócio-histórica
é evidente que algumas/ns homossexuais não-negras/os tenham
preconceito e até discriminem homossexuais de etnia negra. Entretanto,
o combate ao racismo é tarefa de todos nós, negros, brancos,
asiáticos, indígenas. A quebra do preconceito e discriminação
racial deve-se dar através do diálogo entre os diversos
movimentos sociais, em especial, o movimento social negro (que em alguns
espaços revela-se homofóbico) e o movimento homossexual;
nos currículos escolares; na mídia; na efetivação
e criação de leis, entre outros.
O que é
e qual é o papel da Rede Afro GLTB?
É
uma articulação nacional de caráter horizontal
que aglutina afrodescendentes LGBT’s de grupos organizados ou
independentes, sem vínculo político-partidário
e religioso, que atua na promoção da igualdade racial
e luta contra toda e qualquer forma de racismo, preconceito, discriminação
e violência por causa da orientação sexual, identidade
de gênero e étnico racial
Quais
os temas que a Rede Afro GLTB tem discutido?
O
nosso eixo é o combate ao racismo e a homofobia. Na nossa lista
de discussão trocamos informações, discutimos assuntos
referentes ao racismo e homofobia, socializamos nossas ações
enquanto militantes negros homossexuais e estamos em formação
contínua através da leitura e debate de textos que nos
embase teoricamente na compreensão do que é ser negro,
racismo, orientação sexual...
Como
as pessoas interessadas podem fazer parte desta Rede? Quais são
os critérios?
Através
de indicação por um dos ativistas da rede e preenchimento
de uma ficha de filiação. O critério é que
sejam negras e negros LGBT que assumem a sua identidade étnico-racial
e homossexual.
Deixe uma
mensagem para os leitores e leitoras do site “Espaço GLS”:
Espero
que todas/os estejam abertos a combater o racismo e a homofobia a partir
dos locais que estão e ocupam, entendendo que nesse enfrentamento
é necessário sair do senso comum e aprofundar os conhecimentos
em temas como racismo, orientação sexual, gênero,
entre outros.
Para quem quiser
se comunicar com a Negra Cris, o seus e-mails são: negra_chris@hotmail.com,
ayana_candace@yahoo.com.br
Espero que
tenham gostado da entrevista e aprendido o quanto podemos fazer para
diminuir os preconceitos!
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