Alaor Viola
Eduardo Gregori
gregori@rac.com.br
Alaor Viola esteve entre os homens mais bonitos do Brasil. Hoje é o maior empresário da noite GLS. Formado em engenharia, ele também disputou uma eleição pleiteando vaga na Câmara de Vereadores. Apesar de ser figura conhecida entre empresários e políticos da cidade, a fama de Viola vem de um local que nada tem a ver com construção civil e politicagem: a passarela. Nos anos 70, o então modelo dividiu com Pedrinho Aguinaga o prêmio de Homem Mais Bonito do Brasil, concurso realizado pelo extinto programa de Flávio Cavalcanti, na TV Tupi. Viola não fala muito da época, mas guarda com carinho diversos álbuns com fotos dos desfiles que protagonizou. "Naquela época havia um glamour que infelizmente acabou" , reclama. Fui à casa do empresário, local de onde comanda seus negócios e pratica um de seus hobbies preferidos: cozinhar para os amigos.
Como você se descobriu modelo?
As pessoas me achavam um cara bonito. Naquele tempo não existia photoshop. Você era realmente bonito ou não. Resolvi investir nisso e participei do concurso o Homem Mais Bonito do Brasil, no programa do Flávio Cavalcanti. Cheguei até a final e disputei com Pedrinho Aguinaga. Depois do concurso comecei a fazer comerciais e a desfilar para marcas como Skina Magazine e Ducal Roupas. Foi um período muito bom profissionalmente. Viajei a trabalho para vários países da Europa e dos Estados Unidos. Depois abri a minha própria agência de modelos, a Academia Broadway, que funcionou durante 20 anos. Lá eu dava aulas de modelo e formei profissionais que conquistaram carreiras internacionais.
E por que você parou?
Eu gostava muito de engenharia e resolvi entrar para a faculdade. Na mesma época consegui emprego na Prefeitura e então ficou difícil conciliar tudo. Optei pelo trabalho e pelos estudos. Apesar de ser uma profissão maravilhosa, modelar não dava tanto dinheiro como hoje.
Falando como engenheiro, qual a sua opinião sobre o conjunto arquitetônico de Campinas?
Campinas é uma cidade com uma arquitetura rica. Temos construções lindas, mas acho que falta um pouco mais de cuidado com os prédios históricos.
Na sua opinião, qual é o prédio mais bonito da cidade?
O Jockey Club. É um prédio imponente e que merecia uma boa reforma. Fiquei feliz com a restauração e a criação de um bar fino no local.
E a nova rodoviária?
Gostei muito. Acho que o prédio traduz o progresso que Campinas vive.
E os estádios que correm o risco de serem demolidos?
Acho uma pena porque eles fazem parte do patrimônio arquitetônico de Campinas e deveriam ser tombados.
Qual a construção que Campinas não tem e precisa?
A vida cultural de Campinas perdeu muito com a demolição do Teatro Municipal. A cidade é muito carente nesse aspecto. Outro dia fui assistir a uma peça no Centro de Convivência Cultural e o ator reclamou que chovia mais no camarim do que do lado de fora. É lamentável.
Qual é seu mais recente projeto na cidade?
Meu último projeto é o prédio da Associação dos Aposentados. Gostei muito de fazer e espero que eles tenham gostado também.
Você vai muito ao teatro?
Sim, adoro teatro e cinema. Vou sempre ao Teatro Tim e nas salas de cinema do Kinopolex, no Shopping Dom Pedro.
Como você entrou para o ramo do entretenimento?
Eu sempre gostei da noite. Fiz vários projetos de casas noturnas e resolvi entrar para o ramo. Inaugurei meu primeiro empreendimento há 19 anos, hoje tenho outras duas casas.
Gostar da noite é uma coisa, e trabalhar?
Administrar o próprio negócio acaba prendendo. Você perde muita coisa boa trabalhando à noite, mas se você quer prosperar, é preciso estar sempre presente.
Como é trabalhar com o público campineiro que gosta da noite?
Antigamente era melhor. A gente se arrumava para sair e tinha um glamour que hoje não existe mais. Muitas casas noturnas banalizaram o convite VIP, dando-o para todo mundo. Em outros tempos, você presenteava um cliente especial com o VIP. Hoje, todo mundo quer o VIP para não pagar entrada e, pior, não consomem nada a noite toda.
Você pensa em se afastar da noite?
Sim. Trabalhar na noite é muito cansativo. Tenho um apartamento no Rio de Janeiro que não consigo desfrutar como gostaria.
Como foi a experiência de disputar uma eleição para vereador?
Eu nunca havia pensado em disputar um cargo político, até que o deputado Jonas Donizette, que é meu amigo, me convidou. Aceitei o convite e fiz campanha, mas não fui eleito. Hoje não penso mais nisso, apesar de meu trabalho estar bastante ligado aos políticos.
O que você gosta de fazer quando lhe sobra tempo?
Adoro cozinhar para os amigos. Minha família é italiana e fui aprendendo com as mulheres de casa. Tenho um grupo de amigos e fazemos reuniões gastronômicas semanais. Cada semana é um que cozinha. É gostoso porque é um bom motivo para encontrar pessoas queridas e comer um prato gostoso.
Como descendente de italiano você aprecia um bom prato?
Sim. Adoro comer fora também. Vou sempre ao Premiatto, do Shopping Parque Dom Pedro, ao Restaurante Hirata e à Macarronada Italiana. Apesar dos vários restaurantes que existem em Campinas, acho que faltam opções de lugares para comer de madrugada. Como trabalho à noite, quando saio é difícil encontrar um lugar aberto.
Por que você deu nomes tão diferentes aos seus cachorros?
Gosto muito dos meus animais. Queria dar nomes bem-humorados, que as pessoas achassem graça ao ouvir. Por isso os batizei de Bill Clinton, George Bush e Condoleezza Rice.
O apartamento no Rio é um convite para mudar de cidade?
Amo a cidade onde moro, mas também gosto do Rio de Janeiro. O Rio pra mim é descanso, enquanto Campinas é trabalho. Creio que mudarei pra lá quando parar de trabalhar, mas isso ainda vai demorar.
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