Aids
 
 Agenda
 
 Bares
 
 Boates
 
 Blog do Edu
 
 Busca
 
 Cinemas
 
 Contato
 
 Chat
 
 Galeria
 
 Grupos
 
 Notícias
 
 Outros Sites
 
 Persona
 
 Publicidade
 
 Saunas
 
YouTube

[an error occurred while processing this directive]

 
 
 

PERSONA

Por Eduardo Gregori
editor@espacogls.com

O visual de roqueira, punk e motoqueira pode até chocar os mais convencionais. Mas quem conhece a designer de moda Mary Help sabe que o visual fora do comum não é tão importante assim. Aliás, bastam dois minutos de conversa para se encantar com uma história de vida que mistura Janis Joplin, geração flower power e as estradas que cortam o interior paulista. Chama a atenção também o amoroso vínculo familiar que ela cultiva.

Mãe-coruja, mima a filha de 28 anos até hoje e, mesmo com piercings e cabelos pintados de pink, é a preferida das crianças da família. Desenhar e costurar é uma atividade que Mary Help pratica desde a infância. Filha de militar e dona de casa prendada, estudou no extinto Patronato São Francisco, escola que, entre as disciplinas, preparava as moças para o casamento com aulas de costura e culinária.

Do Patronato foi fazer outro curso de costura, desta vez no Serviço Social da Indústria (Sesi). Os cursos só reforçaram o talento da designer e a transformaram na “costureira de todos”.

Com alma transgressora, decidiu trabalhar na Feira de Artesanato do Largo do Rosário, o que nos anos 70 não era adequado para uma moça de família. A atitude contracultura de Mary Help não parou na feira e no estilo hippie da época.

Com a morte da mãe, em 1978, a jovem costureira quis ter uma filha, mas sem a presença de um companheiro para ajudá-la na educação da criança. “Minha mãe e eu éramos muito amigas. Quando a perdi, fiquei muito triste e me senti sozinha. Expliquei o meu desejo ao meu pai e ao meu irmão mais velho e eles permitiram com a condição de eu abandonar a feira. Saí de lá e fui ser mãe”, conta.

Foram mais de duas décadas longe das máquinas profissionais, tempo em que se dedicou inteiramente à filha e ao trabalho com a família na tradicional loja O Camiseiro. Apesar do hiato, a designer nunca abandonou a costura e continuou fazendo roupas para ela e a família e também aprendendo a produzir acessórios como bolsas, pulseiras e colares. Passou oito anos nas estradas da região participando de feiras de moto. Agora, com a filha e o genro, resolveu retomar a carreira. Suas criações chamam a atenção de jovens e adultos em Campinas, São Paulo e até no Exterior. Nesta entrevista, Mary Help conta um pouco de sua vida.

Você sempre gostou de costurar?

Foi uma coisa natural. Aos dez anos, eu já dominava uma máquina de costura. Adorava costurar e comecei fazendo minhas roupas. Logo chegaram as encomendas da família e depois as dos vizinhos. Quando vi, estava costurando para todo mundo. Os cursos que fiz no Patronato São Francisco e no Sesi me deram experiência para que eu pudesse me profissionalizar.

Como foi parar na feira de artesanato?

Fui convidada por um amigo que tinha barraca na feira. Ele gostava do meu trabalho e me interessei em vender as minhas criações. Demorei muito para convencer meu pai a deixar que eu tivesse uma barraca. Quando permitiu, fazia questão de me levar e buscar.

Como era a feira de artesanato nos anos 70?

Ficava no Largo do Rosário, em frente ao Palácio da Justiça. A moda na época era ser hippie. Eu fazia muitas roupas inspiradas no visual de Janis Joplin e Jimi Hendrix , artistas de que sempre gostei. Também usei batas. Tinha o visual hippie, mas não era. O pessoal da feira me chamava de hippie-chique.

Desde cedo a senhora gostou de ser diferente?

Sim. Sempre gostei de usar várias bijuterias, anéis em todos os dedos, colares e pulseiras. Não sou o tipo de mulher que usa um acessório só. Até hoje eu sou assim. Se saio para comprar banana, eu me arrumo como se fosse para uma festa.

Em plenos anos 70 a senhora quis ser mãe solteira. Isso chocou muito as pessoas?

Sim. Todo mundo achava estranho eu querer ter uma filha sem casar. Minha mãe e eu éramos muito amigas. Quando ela morreu, fiquei muito triste e me senti sozinha. Por isso, quis ter uma filha sozinha para criá-la de forma que fosse independente e não sofresse tanto quanto eu sofri com a perda.

Mas no final não foi bem assim como a senhora planejou…

Eu engravidei e não contei nada ao meu namorado. Até queria que ela fosse registrada apenas com o meu nome, mas depois do nascimento ele me convenceu a registrar a filha e veio morar com a gente. Estamos juntos há 34 anos.

A senhora ficou mais de 20 anos sem costurar. Como foi a retomada da carreira?

Quando saí da feira de artesanato fui trabalhar nas lojas da minha família. Aprendi muita coisa, entre elas a fazer acessórios. Depois que minha filha ficou adulta, quis voltar a criar. Como gosto muito de moto, resolvi fazer roupas e acessórios para motociclistas. Pegava a estrada e ia vender nas feiras da região. Era cansativo, meu marido não gostava muito, mas eu me sentia bem. Só parei porque minha filha conheceu um motociclista e depois que começaram a namorar firme, deixou de me acompanhar.

Como voltou para o mundo das roupas e da criação?

Minha filha montou uma loja de roupas para um público que vai de motociclistas a roqueiros. Ela me convidou para trabalhar. Ganhei do meu irmão as máquinas de costura da minha falecida cunhada e recomecei atendendo encomendas. Hoje, costuro por encomenda e também crio. Minha filha e eu desenhamos coleções que comercializamos na loja dela e que também enviamos para várias partes do mundo. Agora estamos na etapa de finalização do ateliê.

Sua roupa agrada a um público que vai de jovens a adultos. Como é seu processo de criação?

Antes de tudo, tento imaginar como é a pessoa que compra as minhas criações. Que estilo ela tem e o que posso propor. Não me deixo ser guiada; isso acontece apenas quando é uma encomenda específica. Para criar, levo em conta a minha própria experiência de vida, que é não seguir o comum. Culturalmente sou eclética e levo isso em conta. Gosto de costurar à noite e passar a madrugada trabalhando ouvindo música, de sertaneja a Elvis Presley.

Onde encontrar roupas da Mary Help:
(19) 3387-7975 ou pelo site www.pasku.com.br

Clique aqui e sugira um entrevistado

  Documento sem título

Espaço GLS - diversidade sexual no interior paulista - Copyright Espaço GLS 1999 - 2009 - editor Eduardo Gregori