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PERSONA



Por Eduardo Gregori
editor@espacogls.com

Wanderley Nunes
Da infância humilde no Paraná ao estrelato como um dos maiores cabeleireiros da atualidade, muita coisa pode ter mudado para Wanderley Nunes. Menos uma: o jeito simples de ser. O amigo de Bono Vox, da família do presidente da República e do apresentador Faustão parece não dar muita bola para o status que a profissão lhe rendeu. Sem frescuras, bem-humorado e muito à vontade, ele recebeu a reportagem de Metrópole de cueca durante uma sessão de massagem. Wanderley Nunes vem a Campinas duas vezes por mês para acompanhar de perto o trabalho do Studio W, único salão de sua rede fora da capital paulista.

Como foi sair de uma cidade interiorana como Maringá e conquistar o posto de um dos mais importantes cabeleireiros do mundo?

Foi um processo penoso. Eu engraxava sapatos na barbearia do meu pai, mas gostava mesmo era de cabelo. Muitas pessoas não acreditavam em mim, não acreditavam que eu podia cortar cabelo. O meu primeiro emprego como cabeleireiro só durou dois dias. Fui várias vezes demitido, vítima de fofocas de outros profissionais. Apesar disso, encontrei quem investisse em mim. Um amigo do meu pai tinha um salão simples em São Paulo e quando ele foi visitar a família no Recife me deixou cuidando do salão. Lá, pude mostrar meu trabalho e conquistei muitos clientes. Passei por salões em São Paulo, Brasília, mas fiquei famoso mesmo quando fui para o Rio de Janeiro. Morei na favela da Rocinha e lotava o salão em que trabalhava. Nessa época, conheci profissionais da Rede Globo, fiz o cabelo de artistas da novela Dancin' Days. Desde então, fui crescendo, tendo apoio de amigos como Faustão e Gisele Bündchen, que sempre disse publicamente que eu era o melhor cabeleireiro do mundo. Fui conquistando respeito. No passado, expulsaram-me de um salão em um shopping de São Paulo. Trinta anos depois, o mesmo shopping me ofereceu a cobertura para que eu montasse meu salão lá.

Você cuida do cabelo da primeira-dama. Como é a sua relação com a família do presidente Lula?

Somos muito amigos. Dona Marisa é maravilhosa. Sou considerado uma pessoa da casa, daquelas que podem abrir a geladeira sem pedir licença.

Você cobra para cuidar dos cabelos dela?

Eu não precisaria, mas decidi cobrar um valor simbólico. Não quero ser acusado no futuro de tráfico de influência dentro do governo, ou qualquer coisa do tipo. Ela tem a mesma opinião.

Um corte seu custa R$ 300,00. Você considera o valor alto?

Não. Se você comparar com uma peça de roupa de qualidade, que pode chegar a uns mil reais, então meu corte tem um preço justo. E de que adianta uma mulher com uma roupa linda e o cabelo feio? Acho que a mulher precisa dar mais valor ao cabeleireiro.

E para a mulher que não pode pagar este preço? Que conselho daria a ela?

Que fosse a mais clássica possível. O clássico nunca erra. Quando a gente inventa demais, corre o risco de perder a medida e não acertar. Outro conselho é não fazer muita química. Quando você se submete a isso, entra em um caminho sem volta. Eu também penso em quem não pode pagar. Tenho um projeto de abrir salões populares em todo o Brasil.

Como seria este salão?

Seria uma espécie de salão-escola com o objetivo de capacitar 100 mil pessoas para trabalhar em 1.500 salões. Estou trabalhando para que o projeto vá em frente e aconteça.

Como você define o seu estilo?

Eu tenho uma relação íntima com o cabelo. Costumo tratá-lo como um ser vivo e não como algo que cresce na cabeça. Cada corte que faço é exclusivo. Você não vai ver duas pessoas com um mesmo corte meu. O cabelo tem de combinar com a pessoa, com a roupa que ela vai usar. A minha arte é fazer com que a pessoa se sobressaia, fique com uma aparência mais jovem e chique. Eu amo mulher chique. Se tivesse que casar dez vezes, todas as minhas mulheres seriam chiquérrimas.

Falando de cabeleireiro e casamento, ainda existe o estigma de que todo profissional desta área é homossexual?

Sim. A imagem vem dos anos 80, quando os cabeleireiros estereotiparam demais a imagem da bicha afetada. Muita gente acha que sou gay. Acredito que pensam assim porque sou um homem delicado e que gosta de ser delicado, mas isso não quer dizer que eu seja homossexual. Estou casado há 20 anos com a mesma mulher e nos amamos.

Parte dos seus funcionários é homossexual...

Sim, eu não tenho nenhum problema com isso. Porém, a filosofia de trabalho dentro dos meus salões é que todos sejam iguais. Não existe o melhor, o pior ou o diferente. Acredito que meu sucesso venha da postura antipreconceito. Não admito nenhum tipo de preconceito e estrelismos.

Mas você lida com estrelas...

Quem realmente é estrela não tem postura esnobe. Não gosto de pessoas que se acham o máximo.

Porque decidiu abrir um salão em Campinas?

Primeiro, porque conheci muitas pessoas do Interior que me procuravam em São Paulo. Senti que faltava algo a mais nos cortes que via. Também porque acredito no potencial da cidade. Considero Campinas uma das melhores cidades do Brasil para viver. Aqui, você tem uma noite badalada, bons restaurantes, gente bonita e é perto de São Paulo.

Você costuma vir para cá quando não está trabalhando?

Sim. Quando minha agenda permite, costumo visitar amigos aqui.

E aonde você vai quando está por aqui?

Eu gosto do Helvetia, em Indaiatuba. Conheço muita gente lá e acho lindo. Em Campinas, gosto de jantar no Bellini.

Você tem outras duas grandes paixões, a fotografia e a culinária. Fale um pouco sobre elas.

Adoro cozinhar. As pessoas não acreditam, mas eu cozinho praticamente todos os dias. Minha paixão é estar com os amigos e cozinhar para eles, na casa deles. A fotografia também me fascina. Estive algumas vezes na Índia e fiz diversas fotos lá. As imagens vão virar uma exposição que será inaugurada ainda este ano, em São Paulo. Vou vendê-las e arrecadar fundos para alguma instituição. Além disso, estou desenhando jóias, escrevendo minha biografia e cuidando da carreira do meu filho, Pedro Nunes, que é piloto de Fórmula Renault.

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