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PERSONA

Por Eduardo Gregori
editor@espacogls.com

Italiano de nascença e brasileiro de coração, Tommaso Besozzi é a tradução do que o amor é capaz. Amor por seu companheiro Edmilson e pela causa GLBT. Militante desde os anos 80 em países da Europa, vive atualmente no Brasil e aqui também trabalha em prol da comunidade GLBT no Grupo Corsa, de São Paulo, onde desempenha a função de coordenador político e também cuida do projeto Rede de Casais. E foi com este Militante do Amor que conversei numa tarde gostosa em Ribeirão Preto, durante a 1ª Semana do Orgulho GLBT.

Como você veio para o Brasil?

Tinha vontade de conhecer o país e vim para cá em 2001. Conheci o Edmilson numa reunião do Corsa e resolvi ficar.

E a questão do visto de permanência.

Antes de estabelecer um relacionamento sério precisávamos ficar juntos pra saber se era aquilo mesmo que queríamos. Quando meu visto venceu , fui embora e foi aí que sentimos muito a falta do outro e resolvemos que queríamos ficar juntos. Casamos na Bélgica e ao voltar ao Brasil, país que escolhemos para viver, o Estado Brasileiro reconheceu o documento belga e me deu o visto de permanência.

O projeto Rede de Casais é fruto de sua experiência com o Edmilson?

Sim. Sentia que dentro dos grupos ainda não existia um trabalho voltado para casais e as vitórias que obtivemos juntos deveriam ser compartilhadas.

Fale-nos sobre o Rede de Casais

O projeto que é do Corsa, está sendo aplicado também no Grupo Identidade (Campinas), Rosa Vermelha (Ribeirão Preto), Grupo GLS da Zona Leste (São Paulo), Joana D'Arc (Guaraujá) e AVE (São Vicente). O projeto trata de prevenção a DSTs e cidadania e também para reverter esta idéia de que todos os gays são promíscuos.

Até quando acontece este projeto?

Até junho de 2006. Neste tempo os casais terão como função ser sementes dentro dos grupos GLBTs e da própria sociedade.

O Rede de Casais tem algum objetivo terapêutico?

A princípio não. Mas não há como não deixar de discutir a relação dos cônjuges. E em grupo é muito bom, pois dividimos experiências. Muitos dos problemas entre os cônjuges é que não temos um modelo de referência. Normalmente uma família é conduzida por uma mãe e um pai, mas isso não é mais uma realidade. Quando não temos um referencial, dá medo.

De que maneira os resultados da Rede de Casais serão divulgados?

Os resultados serão avaliados em maio de 2006 quando acontece o Encontro Paulista de Casais. Cada grupo vai avaliar o seu trabalho e dependendo dos resultados eles podem até continuar o trabalho.

Você acredita que possa existir uma relação monogâmica entre dois homens?

Sim, é possível. Acho que as relações abertas não podem ser depreciadas. Elas têm o seu valor e por isso não devem ser julgadas como melhor ou pior que as monogâmicas.

Você e seu companheiro pensam em adoção?

Sim mas não agora. Estamos tão envolvidos na militância que a adotamos como nossa criança. No futuro quem sabe.

 

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