Joe welch
Dizem que sonhar não custa nada. O sonho de Joe Welch é ser reconhecida como uma das maiores cantoras de dance music do Brasil. A difícil realidade, no entanto, levou-a a cantar em bares e a trabalhar como enfermeira para sobreviver. O sacrifício tem compensado. A campineira que fez nome em São Paulo é hoje a voz de uma das músicas mais tocadas em casa noturnas brasileiras e até na América do Norte. Gravada em Campinas, Making Love é o passaporte e, ao mesmo tempo, a afirmação de seu talento.
Joe Welch experimentou o teatro antes da música. Não por falta de oportunidade de soltar a voz, mas por medo de cantar. Hoje, cada vez mais confiante no caminho que escolheu trilhar, espera gravar um disco até março do ano que vem. Em Campinas, um dos lugares para ouvi-la é a igreja Nossa Senhora Desatadora dos Nós. “Todas as terças-feiras estou lá”, diz. E pensar que este compromisso semanal começou com o pagamento de uma promessa...
Como você se sente com Making Love tocando em todos os lugares?
Joe Welch - Foi uma surpresa. A música era um teste para um CD que quero realizar e o DJ Demu Mix, de São Paulo, acabou ouvindo. Ele fez uma versão e distribuiu a música para outros DJs do mundo inteiro. De repente, comecei a receber e-mails de todos os lugares elogiando o trabalho. Minha comunidade no Orkut lotou e até criaram um fã clube. Percebi que a coisa era séria. A música chegou ao DJ mexicano Jose Spining, que fez uma versão que está tocando na América do Norte. Ele me convidou para gravar a música The One, que vai fazer parte de uma coletânea internacional dele. Já entrei no estúdio e fiz o vocal. Agora é esperar.
Alguma gravadora se interessou por seu trabalho?
Sim. Recebi convites de três gravadoras de São Paulo para gravar dance music. Não aceitei porque eles tinham projetos definidos e eu teria que me moldar a eles. Tenho um trabalho e quero que as pessoas conheçam a verdadeira Joe Welch e não uma versão fabricada por uma gravadora.
Como foi seu primeiro contato com a música?
A arte existe na minha vida desde criança. Minha mãe foi uma cantora lírica maravilhosa, tocava piano e violino muito bem. Ela morreu quando eu tinha 2 anos e como sou a cara dela, todos torciam para que eu herdasse os dons. Isso me assustou e eu não queria saber de cantar. Apesar do trauma, aos 6 pisei pela primeira vez em um palco em uma peça de teatro.
A interpretação foi o caminho?
Eu sonhava em ser atriz da rede Globo. Ainda criança, fiz balé, aulas de piano e de artes plásticas. Aos 13 anos entrei para a companhia do Teatro Sotac e fui trabalhar profissionalmente.
Você superou o medo de cantar?
O diretor da companhia me convidou para cantar na trilha de uma peça e fui fazer um teste com o produtor musical Fernando Zuben. Ele gostou da minha voz e disse que eu deveria investir nela. Acabei entrando para o grupo musical dele. A gente misturava ópera e música eletrônica. Fez tanto sucesso que fomos convidados a participar de programas de tevê como Xuxa e Jô Soares.
Como foi a carreira da banda?
Fiz aulas de canto e gravamos dois singles. Alcançamos o sucesso tocando nas rádios de todo o Brasil de 1996 a 1998. Infelizmente a banda não sobreviveu pela falta de mercado de trabalho para grupos como o nosso.
Como você se virou com o fim do grupo?
Entrei para o curso técnico de enfermagem do Centro Médico e, quando terminei, fui trabalhar como enfermeira. Permaneci por dois anos no Centro Médico e na Maternidade de Campinas porque eu tinha que ajudar nas despesas de casa.
Foi difícil retomar o sonho dos palcos?
O Fernando Zuben foi trabalhar no Hopi Hari e me indicou para um teste. Eles estavam procurando uma cantora para o show do Saloon. Foi horrível! Cantei mal, não aqueci a voz e ainda esqueci parte da letra da música. Mesmo assim, o diretor artístico disse que tinha visto potencial na minha voz e me contratou. Fiquei lá por três anos e foi uma experiência maravilhosa. Cantei com outras meninas e fui adquirindo a maturidade vocal que ainda não tinha.
E a carreira fora do parque?
Chamaram-me para cantar em uma banda de pop e dance music e lá fui eu. Cantei por dois anos no Café de la Recoleta e tocamos em vários bares da cidade. Foi nesta banda que tive certeza que o meu caminho era a dance music. Acabei saindo da banda porque fui selecionada para o Fama 3, da Globo. Fiquei empolgada, mas o programa não aconteceu.
De novo você estava sem trabalho...
Sim, mas o fato de ter sido chamada a um programa de tevê me fez pensar que eu realmente tinha potencial e resolvi investir em uma carreira solo. Chamei novamente o Zuben para me ajudar e juntos montamos o projeto Joe Welch. Comecei fazendo shows em Campinas com covers de Madonna, Whitney Houston e Mariah Carey. Quando percebi, a platéia lotou e as casas noturnas passaram a me procurar.
Como foi chegar a São Paulo?
Há cinco anos, fui convidada a substituir uma cantora em um bar. Identifiquei-me com o lugar e com o público e acabei ficando. A partir daí, surgiram convites para outros trabalhos. Com esses convites percebi que não podia mais brincar de ser cantora de bar. Tinha que ter uma banda com músicos profissionais, investir na produção da minha imagem e ter alguém tomando conta dos meus negócios. Contratei músicos e um empresário.
Campinas ficou para trás?
Artisticamente sim. Moro aqui durante dois dias da semana. Investi muito na banda, na produção e isso tem um custo maior. Os donos dos bares daqui acabaram achando que eu não queria mais vir para cá, o que não é verdade. Infelizmente não posso mais cantar por um cachê baixo, justamente porque o preço do show mudou em função da qualidade dos músicos.
Mas você canta de graça na igreja...
Sim. Eu tinha uma cadela que estava muito doente e fiz uma promessa para Nossa Senhora Desatadora dos Nós. Se ela melhorasse, eu iria cantar a Ave Maria no santuário em Campinas. Minha cadela ficou curada e fui pagar a promessa. Na mesma semana me ligaram, convidando para cantar na missa das 19h. Aceitei e todas as terças-feiras estou lá.
Você pretende lançar um disco?
Sim. Até março de 2008 quero lançar um disco, seja ele independente ou por uma gravadora. Não dá mais para esperar. Se quiser crescer profissionalmente, tenho que ter um disco que apresente o meu trabalho.