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PERSONA

Por Eduardo Gregori
editor@espacogls.com

Cláudia Amaral

Falando de sexo com muito humor e sem meias palavras, a radialista Cláudia Amaral vem conquistando durante a madrugada uma audiência que poucos programas têm no horário nobre. Todas as segundas-feiras, das 23h à uma da manhã de terça, Claudinha, como é conhecida pelos ouvintes, comanda o 89 Para Maiores. Com a parceria da drag queen Rubya Bittencourt, a radialista consegue reunir mais de seis mil ouvintes por minuto. “Já ultrapassamos esse número em Campinas com apenas oito meses de programa. Mas a audiência é maior, pois temos muitos ouvintes em cidades como Amparo, Cosmópolis, Arthur Nogueira e Mogi Mirim, que não são contabilizados”, explica.

Claudinha começou no rádio aos 18 anos, como assistente de produção na Educadora FM. De lá para cá, são 20 anos de profissão e uma experiência que inclui as rádios Cidade FM, Transamérica, Jovem Pan, Vox 90 de Americana e Band Vale, de São José dos Campos. Há um ano, a radialista voltou para Campinas, onde assumiu a apresentação na 89,3 FM.

Apesar do sucesso, a radialista ainda não conseguiu captar anunciantes, fazendo um trabalho independente que tem lhe rendido grande popularidade na região de Campinas e até no Exterior. “Muita gente acompanha também on-line. Há ouvintes no Japão, na Croácia, nos Estados Unidos e na Nova Zelândia”, contabiliza. Metrópole entrevistou Claudia Amaral durante o 89 Para Maiores. Confira:

Como surgiu a proposta de um programa para falar sobre sexo no rádio?
Queria mudar, inovar, sair dos programas de humor convencionais. Queria mesmo chocar e deu certo. Sei que falar de sexo, futebol e ainda por cima dizer palavrões no rádio dá audiência. Falar mal da vida dos outros, então, nem se fala.

Você diz palavrões no ar. O que os ouvintes acham disso?
Eles deliram, amam, racham de rir. Adoram quando a Rubya e eu falamos palavrões.

Palavrões não incomodam os ouvintes?
Incomodam sim, justamente por eu ser uma mulher. As pessoas me escrevem e dizem que são minhas fãs por eu não ter vergonha de falar palavrão.

Sexo ainda é tema encarado como provocação?
Com certeza. As pessoas adoram falar de sexo e também gostam de dizer e ouvir besteiras. O ser humano tem a necessidade de saber como os outros lidam com as questões sexuais.

É um assunto inesgotável...
Infinito. A cada dia, o programa aguça mais o interesse dos ouvintes.

Sexo ainda é tabu?
Para muitos, sim; para muitos, não. Estes últimos adoram.

A que você atribui a boa audiência do programa?
É um conjunto de fatores. A participação do público, da Rubya, que é um show à parte, e claro, a confiança que nos foi dada pela direção da rádio, que apostou firme na proposta.

A drag queen Rubya Bittencourt dá um pique a mais ao programa?
Pique? Ela dá é um salto triplo. Sem ela, com certeza, o programa não teria graça alguma. Ela é minha irmã, parceira, cúmplice. Sabemos exatamente quando passar a bola uma para a outra. Ela corresponde a tudo. Não existiria Claudinha sem a Rubya, e acho que vice-versa. Nos completamos no programa.

O sucesso surpreende você?
Não acho que sou um sucesso. Apenas falo o que o povo quer ouvir e muita gente não tem coragem.

Que temas já foram abordados no programa?
Homossexualidade, drogas, posições sexuais, fetiches, fantasias, preconceitos, troca de casais, traição, virgindade, homofobia e sexualidade em geral.

Que tipo de público ouve o programa?
Todas as classes: A, B, C, D. Do guarda noturno à madame. Muitos tímidos, carentes, safados, playboys, manos, gays, solteiros, casados, muitas santinhas, patys, mulheres separadas, recalcadas, lésbicas, e por aí vai.

Você tem idéia de quantas pessoas ouvem o 89 Para Maiores?
Já ultrapassamos os seis mil ouvintes por minuto em Campinas com apenas oito meses de programa. A audiência é maior, porque temos muitos ouvintes em outras cidades como Amparo, Cosmópolis, Arthur Nogueira e Mogi Mirim, que não são contabilizados. Atingimos também o Sul de Minas e outros municípios que eu mesma nem conhecia. Muita gente acompanha também on-line. Há ouvintes no Japão, na Croácia, nos Estados unidos, no Chile, em Portugal e na Nova Zelândia.

Quem são os seus convidados?
Todos os tipos de pessoas. De artistas a bandas, médicos, atendentes de motéis, uma infinidade de profissionais.

O programa contribui de alguma forma para a sexualidade dos ouvintes?
Sim, muitos mandam e-mails contando os problemas e pedindo conselhos.

Você usa a sua vivência para aconselhá-los?
Sim e não. Sou bem transparente com eles, mas não gosto muito de dar palpites, pois não sou especializada em assuntos sentimentais e sexuais. A gente leva mais para o lado do humor.

Conte algo engraçado que tenha ocorrido durante o programa...
Na verdade, tudo é divertido, é risada do começo ao fim. O mais engraçado aconteceu quando um ouvinte disse que o programa era uma pouca-vergonha e que mulher não deveria falar palavrão. Depois de muita conversa, mandei-o para aquele lugar e, para minha surpresa, ele acabou virando fã do programa.

Qual a opinião da direção da rádio sobre o 89 Para Maiores?
No começo a direção ficou meio apreensiva, mas depois relaxou. Tenho o total apoio do meu diretor Luiz Arthur e do meu coordenador artístico, Tony Brown, que acreditaram no projeto.

Na sua opinião, como o campineiro lida com a sexualidade?
Muita gente se esconde atrás de máscaras. O povo tem medo de aparecer, de falar mas, pelo telefone, solta a franga. Acho que o campineiro é bem resolvido em relação a sexo e por isso adora o programa. Nenhuma outra rádio aqui da região aborda o sexo desta maneira.

Por que não há patrocínio?
Acho que ninguém quer patrocinar um programa de rádio sobre sexo por vergonha, medo ou insegurança. Porque aqui falamos a verdade e às vezes ela é dura de ouvir.

 

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