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PERSONA

Por Eduardo Gregori
editor@espacogls.com

Elvio Armento

Elvio Armento é um italiano de coração campineiro. Seguindo o irmão, que veio para a região com a missão de abrir caminho para a família da Itália, e de olho em uma bela moça, que conheceu por meio de fotografias, o então costureiro chegou ao Brasil nos anos 60 e foi morar em Amparo (SP). Natural da província de Cosenza, região da Calábria, Elvio trocou a tesoura que corta tecido pela que transforma os cabelos. Conhecido e querido da comunidade GLS campineira, atende a drags e travestis com todo respeito e carinho.

Em São Paulo, conseguiu o primeiro emprego e lá aprendeu também a arte de trançar cabelos para transformá-los em perucas. A mãe, nascida em Minas Gerais e moradora de Campinas, o motivou a se fixar na cidade e aqui formar família, fazer amigos e se tornar um dos maiores especialistas em perucas no Brasil. Há mais de quarenta anos na cidade, sente-se um verdadeiro cidadão campineiro. A loja de perucas e o salão de beleza que mantém no Centro fazem parte da paisagem e da tradição da cidade.

O senhor começou a carreira como costureiro. Por que não continuou na profissão?
Elvio Armento - Porque no Brasil o costureiro não ganha dinheiro. O País é muito quente e as pessoas se vestem mais à vontade.

Como mudou de profissão?
Fui passar férias no Rio de Janeiro, na casa de um amigo italiano. Ele também era costureiro e desistiu da carreira para se tornar cabeleireiro. Acabei seguindo os conselhos dele e fui aprender a cortar cabelos.

E como foi o começo na nova profissão?
Foi ótimo. Nessa época, fui morar em São Paulo, onde consegui emprego como assistente no melhor salão da cidade. Lavei cabelos de famosos, como a atriz Eva Wilma. Foi uma escola muito importante para mim, pois aprendi muita coisa.

Como surgiu a peruca na sua vida?
Ainda em São Paulo, conheci um cabeleireiro alemão que trabalhava com perucas. Interessei-me pelo assunto e comecei a estudar com ele. Trabalhava durante o dia no salão e à noite estudava as técnicas de fazer perucas. A minha primeira máquina de perucas fiz ainda em 1961 com o encosto de uma cadeira da minha mãe. Meu pai brigou comigo por ter quebrado o móvel, mas eu não tinha como comprar uma máquina. De lá para cá, não parei mais de trabalhar com perucas.

Como foi sua vinda a Campinas?
Minha mãe é mineira e morou em Campinas por 10 anos, quando ainda era menina. Ela mudou para a Itália e lá se casou. Sempre quis voltar para o Brasil e quando a família veio, ficou aqui. Vim também para a cidade por causa dela. Apaixonei-me por Campinas. Esta cidade para mim é tudo.

Em Campinas o senhor já começou como cabeleireiro?
Sim. Trabalhei em vários salões. Fui cabeleireiro de gente importante na cidade e que freqüentava os salões mais tradicionais. Com o tempo, consegui abrir meus próprios espaços. Tive seis deles. Hoje, divido um com a loja de perucas. Fica em um prédio que, graças a Deus, é meu.

O senhor ainda atende clientes no salão?
Sim. O salão é um grande orgulho para mim. Tenho uma funcionária que está comigo há 21 anos.

Além de peruca o senhor também é um especialista em alongamentos...
Sim. Desenvolvi uma técnica exclusiva de alongamento que só é feita em meu salão.

As mulheres ainda usam muito perucas?
Não mais. A mulher usa peruca para festas e casamentos, não mais no dia-a-dia. Quem procura peruca para uso cotidiano é, em geral, quem está em tratamento para algum tipo de doença que enfraquece ou faz cair os cabelos.

Como o senhor atende a este público?
Tento fazer uma peruca bem parecida com o cabelo original. O ideal é colher os cabelos antes que caiam. Fica bem natural.

E o homem usa peruca?
Os mais jovens só usam em festas. Os maduros, quando não aceitam a calvície. Eles preferem as perucas inteiras que cobrem toda a calvície àquela que cobre parte da cabeça. Assim não fica com aspecto artificial.

O alongamento continua na moda?
Sim, principalmente o que é preso por tique-taque. Apesar de ter virado uma coqueluche nos anos 60, ele voltou com força total este ano.

Como o senhor se recicla sobre tendências e moda para os cabelos?
Pelo menos uma vez por ano vou a Nova York com o cabeleireiro Aguinaldo e Andréia Siqueira, mulher dele. Vamos atrás das novidades e trazemos para Campinas.

Como são produzidas as suas perucas?
Temos de vários tipos. Atendo a todas as classes sociais e o cabelo sintético é mais acessível a quem não tem tanto dinheiro. A peruca de fio natural é mais cara porque o cabelo é caro e também porque passa por um processo especial. O primeiro passo é tratar o cabelo com um equipamento que retira os fios curtos e danificados. Depois penteio, hidrato e ele segue para a produção.

A técnica e arte que o senhor desenvolveu terá continuadores na sua família?
Sim. Minha filha trabalha comigo e toma conta dos negócios da família.

Quantos filhos o senhor tem?
Tenho dois. A menina é a gerente da minha loja e meu filho tem uma empresa de DJs e iluminação de eventos.

Que lugar o senhor mais gosta em Campinas?
Vou sempre à Igreja do Carmo, no Centro.

Então o senhor é católico?
Sim. Fui coroinha na Itália e sempre estou com Deus na cabeça.

E para passear?
Adoro caminhar com meu cão da raça pit bull, mas não consigo acompanhá-lo mais. Então, coloco ele no carro e vamos a várias praças no Centro. Ele é supermanso e não oferece perigo. Quem mora ou passa pelo Centro já sabe disso. Vamos juntos ao Largo do Rosário, ao Largo São Benedito, ao Centro de Convivência e à Praça Santa Cruz.

 

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