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PERSONA

 

Por Priscilla
priscilladrag@yahoo.com.br

No palco ele é homem, mulher e acima de tudo artista. Fora do palco estuda jornalismo e se forma este ano. Representou nosso país na parada mexicana e trouxe da viagem uma experiência que carrega dentro de si para onde quer que vá. Natural do Vale do Paraíba, no interior paulista, Íkaro fala ao Espaço GLS sobre sua já bem sucedida carreira




Quando você começou a fazer shows?
Decidi que queria entrar nessa profissão (sim, apesar de todos não pensarem, ser drag ou variações de uma é uma profissão) em 1999. Fiquei um ano estudando o que eu faria, que tipo de personagem queria montar, como não ser comparado aos outros, não ser mais uma cópia e, acima de tudo, fazer algo que gostasse. Pisei em um palco pela primeira vez em 2000 e desde então não parei mais.

Você sempre seguiu esta linha andrógina?
Sim, sempre. Nunca quis colocar uma peruca na cabeça, bater cabelo, "aquendar a neca"(traduzindo: esconder o pênis), me sentir uma mulher, nada disso. Sempre gostei do meio moderno, mas estranho, enfim.

Quais foram as maiores dificuldades na sua carreira até hoje?
Acho que a maior dificuldade foi conseguir espaço. Por que em termos de androginia hoje você tem o Victor Piercing (que eu amo de paixão e sou fã de ficar babando!) que acaba sendo o termo de comparação. E acabei dando minha cara à tapa pra mostrar aos outros que sou diferente, que minha proposta é outra. Sou o único andrógino que interpreta músicas lentas e do gênero pop, mas até mostrar isso pra todo mundo não foi fácil!

Alguma vez foi descriminado por sua linha de trabalho?
Sempre. Não se esqueça que vivemos no império do bate cabelo! Apesar de que essa visão está mudando. Mas o andrógino sempre foi deixado de lado, a drag sempre é o centro de tudo. O que não deixa de ser bom e uma verdade, mas de uns tempos pra cá a androginia não só é mais valorizada como se tornou fonte de inspiração para muitos que começam.

Você passou por uma temporada no México, como foi esta experiência?
O México marcou minha vida de todas as maneiras. Abriu minha mente para o mundo, me tirou do eixo. Além de ser um lugar lindo, as pessoas são apaixonantes. E representar o Brasil num país desses é ótimo. Eles amam os brasileiros. O melhor é que você acaba descobrindo que lá fora as pessoas valorizam muito mais o seu trabalho do que aqui, o que é normal em quase tudo.

E como conseguiu fazer isso?
Não teria conseguido sem minha fada madrinha, a drag Verônika. Ela me passou os contatos e eu corri atrás, mandei e-mail, fotos, telefonei e chegamos a um acordo, acertamos tudo. E fui pra lá participar da 27ª Parada Gay e da primeira White Party Mexicana (festa que visa arrecadar fundos para causas que envolvam portadores de HIV). Fui morrendo de medo, sozinho em um país estranho, mas você se sente em casa no México, é incrível.

E os amores de Ikaro como são?
Essa é difícil. Eu, como todo escorpiano, me entrego de cabeça. Eu não dou meu amor, eu dou minha alma. Por mais que eu não queria, sempre faço isso, o que ajuda e atrapalha ao mesmo tempo. Mas de uma coisa eu garanto, tudo que eu vivo fica inesquecível.

Ser Drag é dificil, como você encara as dificuldades?
Olha, hoje eu encaro melhor por que tive fases muito ruins. Me olhava no espelho e chorava por que queria meu cabelo, minha sobrancelha e meus pelos de volta. Mas quando a gente se propôs a fazer um trabalho e quer viver do mesmo, ele tem que ser bem feito. Hoje me acostumei com tudo, até com o preconceito. Por que quem faz show vive um preconceito a mais do que os outros, o preconceito que parte do próprio público gay.

O que você revelaria na frase, " Ikaro por Ikaro"?
O Ikaro é o resultado de muito amor, dedicação e trabalho. É com ele que pago minhas contas, minha faculdade e hoje me tornei uma pessoa melhor. Graças a ele pude conhecer pessoas e lugares que jamais pensei, e pude realizar todas as minhas fantasias. Sou sempre algo diferente. Mas ao mesmo tempo vivo a frase "Eu ainda acredito no amor verdadeiro", por mais que as pessoas não acreditem mais nisso.

E sua mensagem para todos aqueles que lêem este site e viram seu trabalho?
Eu só tenho que agradecer a todos. Cachê é necessário sim pra pagar nossas contas, mas não adianta subir em um palco e não ter um aplauso. Quando você ouve isso, ouve uma frase de carinho, de admiração, TUDO VALE A PENA. Sem isso, nada teria graça, magia, vontade. Quero agradecer a você Priscila pelo espaço, e principalmente pela amizade, pois você é um anjo campineiro em minha vida. Espero estar sempre com vocês! Obrigadot

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