PERSONA
Por
Eduardo Gregori
Ele
só tem 21 anos, mas sua mentalidade há muito é
adulta. Crescido numa família conturbada (os pais brigaram na
justiça por sua guarda), este jovem empresário é
a tradução de que a homossexualidade não é
nem genética e muito menos contagiosa. Filho de uma lésbica,
João Paulo Lopes atualmente é um dos proprietários
do Clube Insano, casa noturna voltada para o público GLS de Campinas.
E foi com este menino que conheço desde a infância com
quem converso com exclusividade para o Espaço GLS.
Como
você ficou sabendo da homossexualidade de sua mãe?
Eu ainda
era criança. Meu pai me disse. Pra provar ele me levou no apartamento
dela sem avisar e quando chegamos lá eu vi que ela morava com
uma amiga mas só tinha uma cama de casal.
Você
queria que ela tivesse lhe dito?
Claro.
Nós éramos muito unidos pois dormíamos na mesma
cama na casa de minha avó. Conversávamos muito mas esse
assunto ela não quis me dizer.
Qual
sua reação quando soube?
Eu fiquei
quieto pois queria ouvir da boca dela. Eu não tenho nada contra
homossexuais mas é difícil para uma criança ter
um pai ou mãe gay.
Como
ficou sua relação com ela depois que soube?
Não
ficou nada boa. Não por ela ser homossexual, mas por ela esconder
isso de mim. Eu ficava incomodado com a companheira dela vivendo com
a gente, ela não era da nossa família.
Ela
nunca te disse que é lésbica?
Disse.
Mas até dizer demorou. Um dia eu cheguei em casa disposto a ouvir
isso dela e foi isso que fiz. Eu insisti tanto que ela acabou falando.
E
sua relação com ela nunca melhorou?
Hoje não
nos falamos, mas não tem nada a ver com a orientação
sexual dela. Nós temos o gênio forte. Nossa relação
só melhorou quando ela me aceitou como adulto, quando ela passou
a me tratar como adulto.
Você
sempre teve contato com gays?
Sim. Meu
avô é dono de uma sauna e desde pequeno ia lá com
meu pai. Os gays eram muito amigos do meu pai (inclusive você)
e eu ficava amigo de tabela. Não tenho nada contra gays.
Você
é um dos donos do Clube Insano. Como aconteceu?
Foi por
acaso. Eu trabalhava aqui antes de ser boate e quando o bingo virou
uma casa gay eu continuei e cresci dentro da empresa. Trabalhar aqui
é como trabalhar em qualquer lugar, não há diferença.
Você
já teve alguma experiência homossexual?
Não.
Qual
a sua opinião sobre os homossexuais?
Os gays
são pessoas alegres e de bem com a vida. Só não
aceitam muito o envelhecimento. Fora isso são maravilhosos.
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