PERSONA
Por
Priscilla
priscilladrag@yahoo.com.br
Helloá
Meirelles
Helloá
Meirelles é a última das representantes das verdadeiras
transformistas do interior paulista. Começou na Double Face e
com 16 anos de profissão, viu muita drag queen começar
carreira, bater cabelo e desaparecer. Foi diretora artística
da The Club, maior boate GLS do Brasil mas resolveu alçar vôos
maiores e foi morar na Europa. E foi em um retorno breve ao Brasil que
Priscilla Drag entrevistou esta lenda viva da noite GLS campineira.
Quando
você começou a fazer show e quais foram as dificuldades
que encontrou?
Tudo começou como uma brincadeira. Na minha época
ser Drag, transformista ainda não era uma profissão. Por
incentivo de alguns amigos me montei, todo mundo achou que ficou legal,
então me incentivaram a participar no primeiro concurso que teve
na Double. Participei e fiquei em terceiro lugar, dai não parei
mais. Minhas dificuldades no começo eram que o que pegava na
época era a linha travesti, e eu, "um homem", drag,
era tido como estranho no meio, mas com o tempo abri novos espaços
e conquistei meu público com meu jeito drag de ser.
Como nasceu o nome Helloá Meirelles?
O nome foi um amigo que deu. Ele era fã de uma atriz que
eu não me lembro o
nome que fazia uma novela que eu não me lembro o nome e nessa
novela ela
chamava Helloá. O Meirelles era porque na época era chique
ter sobrenome, então juntos escolhemos esse.
No meio de drags é difícil crescer e aparecer,
qual foi o seu diferencial?
Meu diferencial foi sempre fazer por gostar, nunca pensando só
no dinheiro,
como acontece muito hoje. Uma produção sempre muito boa
e minha apresentação, saber me comunicar com o público
foi sempre meu grande diferencial e justamente agora também é
meu diferencial lá na Espanha.
Na Espanha você se apresenta para gays, héteros
ou uma salada mix ?
Uma grande e deliciosa salada mista
Como anda a Anúbis, vocês moram juntas lá?
Anubis está muito bem, trabalhando bastante e arrasando.
Há seis meses ela recebeu um ótimo convite para ir trabalhar
em Palma de Mallorca, então tivemos que nos separar, mas foi
por uma boa causa e sempre estamos em contato por telefone ou internet.
Porque você foi embora do Brasil?
Fui pra guardar dinheiro, não que aqui não se ganha,
mas lá é mais rápido, afinal tenho já 36
anos, tenho que pensar na minha aposentadoria.
Quando pretende voltar? definitiva ou não?
Sim, fico mais um ano lá e depois volto definitivamente,
não tem lugar melhor pra se viver que seu País.
Como
seus familiares e pessoas mais próximas a você encaram
este seu talento?
Encaram naturalmente. Minha família vai assistir meus shows
sempre que dá. Eles curtem muito. Meus pais infelizmente morreram
sem saber de nada. Adoraria que minha mãe me visse arrasando
nos palcos, acho que ela teria orgulho de mim, mas minhas irmãs
sempre que podem estão presentes.
Você acha realmente que donos de boates acabam explorando
as drags devido a grande concorrência ?
Aparecer, se você tem talento, mais cedo ou mais tarde, com
persistência você consegue seu lugar ao sol. E quanto aos
cachês, sim, os donos de boates aproveitam sim, mas quem tem culpa
disso são as drags que na ância de fazer show, de aparecer,
se desvalorizam e acabam prejudicando todo o meio, já os donos,
eles são empresários, então tem que lutar pelos
seus interesses comerciais.
Qual é a mensagem que você deixa para quem esta
começando?
Persistência, tente ter um diferencial, não faca as
coisas só porque esta na
moda, tente criar seu estilo, se inspirar tudo bem, mas copiar é
uo, se valorize, aproveite as oportunidades, preste atenção
nas pessoas que já tem uma carreira sólida e tente tirar
exemplos mas acima de tudo acredite, você pode. Eu me lembro que
quando peguei no microfone pela primeira vez na antiga boate Bubs, quando
acabou o dono me disse: Helloá, apresentação não
é seu campo, você não foi feita pra falar no microfone.
Hoje, depois de ganhar vários prêmios, estou apresentando
em Espanhol. Qual o segredo? persistência, força de vontade
e amor a arte. Quero pedir permissão para você, Pricilla
e dedicar essa entrevista e tudo que aconteceu de bom na minha vida
ao meu amigo, irmão e anjo da guarda Heitor. Obrigado a Priscilla
e a Eduardo Gregori por tudo.
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