PERSONA
Por Priscilla
priscilladrag@yahoo.com.br
Em
junho de 2004 entrevistamos Paola, uma doce e meiga trans que estava
ainda desabrochando em sua orientação sexual. Um mês
após a entrevista Paola mudou-se para a Itália, país
onde foi correr atrás dos seus sonhos. Passados um ano e meio
ela está de volta ao Brasil, agora como Paola Biachini, casada
e cheia de experiências que conta nesta entrevista muito franca.
Desde
quando você se descobriu travesti?
Desculpe, mas prefiro que se refiram a mim como trans. A palavra
travesti é muito forte, acho que não combina comigo. Eu
não escolhi ser assim, sempre pensei diferente desde criança.
Aos sete anos ganhei uma chuteira de presente e minha mãe teve
que trocar por uma botinha! Preciso dizer mais alguma coisa?
Foi
dificil no começo? Como foi para sua família?
Não tem essa de difícil no começo, é
difícil até hoje. É muito preconceito, mas com
classe e a ótima educação que minha mãe
sempre se esforçou para me dar eu tiro de
letra. Família? Não tenho do que reclamar. Todos me amam,
sem esquecer do maridão.
Muitas
travestis têm o desejo de ir para Itália na busca de um
sonho. Você encontrou este sonho lá?
Para mim é um pouco difícil falar sobre isso. Me lembro
de uma fase horrível da minha vida lá. Mas na real, a
vida de uma trans é uma aventura. Eu vivi essa experiência,
não foi somente um sonho, mas para mim um conto de fadas pois
lá encontrei o home da minha vida.
É
difícil vencer fora do Brasil profissionalmente?
Difícil é em todo lugar, mas não desisto fácil.
Tive o exemplo de minha mãe que
sempre diz: Queira somente aquilo que você tem é não
querendo aquilo que
não te pertence! E assim eu penso.
O
trabalho lá fora é bem remunerado?
Não posso dizer que não seja bom pois estarei mentindo,
mas trabalhar para se manter e em muitos casos para sobreviver, não
é legal. Lá fora se para uma pessoa visivelmente “normal”
é difícil, para uma trans é duas vezes mais.
Você
pretende voltar a morar definitivamente no Brasil?
Não abandonei o Brasil, toda a minha família e meus
amigos estão aqui, mas voltarei para a Itália ainda este
ano, mas tenho planos de morar com o maridão aqui.
E
quanto a boates e shows, existem muitas travestis que fazem shows lá?
Na Itália existe de tudo. Tem várias drags, boys,
trans, mas lá eu não tinha contatos e nem tinha vontade
de fazer show, mas sempre ia as boates, os sábados eram sagrados!!!
Aqui
no Brasil a vida de muitas travestis é bem difícil, que
dica você daria a elas?
A vida de qualquer ser humano é feita de altos é baixo
e não existe ninguém melhor nem pior, somos seres humanos.
Qual
é sua meta de vida?
Lutar para um futuro melhor, afinal de contas não terei 22
anos e este corpo a vida inteira!
Como
é seu casamento?
O nome dele é Paolo Bianchini, comerciante de 42 anos, lindo
e gostoso. Sem esquecer que estou vivendo um sonho.Que seja eterno enquanto
dure! Se durar para sempre vou adora!
Se
pudesse mudar algo neste nosso Brasil o que seria?
O Brasil precisa de pessoas fortes e honestas à sua frente
só assim o pais vai mudar.
Qual
a mensagem que você deixa para todos os nossos leitores?
Espero não ter desapontado a nenhum leitor, agradecer a todos
aqueles que sempre
acompanharam minha vida. Eduardo Gregori, Rubya, Vinicius, Eugênia,
Natasha, Dayse, Thara Wells, Maira Porto, Lorenzo, Vera Venenosa, Naomi
, Sintam-se beijados! Sem esquecer você, que está me ensinado
a ver o mundo de maneira diferente.
Ti
Voglio bene!!!
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