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FASHIONISTA

Por Jorge Marcelo G. Oliveira
marcelo.oliveira@yahoo.com.br

Muito gay sim! E daí?

Num texto anterior, neste espaço, escrevi que as beeshas estavam muito caretas, usando jeans e camisetas nos bares e boates gays da cidade. Assim, acabavam se transformando numa cópia sem graça dos HTs. Pois bem, caminhando pelos corredores da Bienal durante os desfiles do São Paulo Fashion Week, descobri que as coisas não eram bem assim.

 Se o resto do ano, as beeshas se escondiam nos modelitos sem graça, durante a temporada de desfiles em São Paulo, elas se jogam nas produções mais diversas. E o melhor, sem medo de assumir que são beeshas!

Elas usam de tudo – das grifes badaladas às marcas alternativas, criando um delicioso mix de referência e estilos, tendo um único propósito: se destacar. Carinhosamente, elas foram apelidadas de “monetes-fashion”.  

Elas se tornaram tão famosas que renderam pautas nos jornais, sites e programas de tevê que cobriram os seis dias do maior evento de moda da América Latina.

Confesso que à primeira vista, elas causam um certo estranhamento, pois se parecem com personagens de algum freak-show - tamanho o abuso de suas produções. Contudo, depois de rever as fotos, percebi o quão importante elas são.

Espaço com mais liberdade

A moda é um dos únicos espaços onde o gay pode ser quem quiser sem que alguém o discrimine abertamente. Se ele é menos ou mais masculino, isto não importa. Encontra-se os mais variados profissionais neste mercado – Estilistas, Empresários, Jornalistas, Stylists, DJ’s, Maquiadores, Cabeleireiros,  Assistentes, entre outros – assumindo abertamente seu desejo sem se preocupar com aceitação. Quando entram para este universo, eles se sentem mais confortáveis em assumir-se - sem máscaras ou subterfúgios.  Isto acontece aqui, Paris, Londres, Milão ou Nova York.

Calma! Não estou dizendo que o mundo da moda não tem preconceitos. Vide a quantidade minúscula de modelos negros nas passarelas - segundo o Jornal Folha de S. Paulo foram 1.134 modelos brancos para 34 negros! Contudo, é um dos poucos mercados de trabalho, que o gay se destaca e atinge funções de comando e sua sexualidade não é um empecilho – quais outras profissões que têm tantos gays que se destacam?

Assim, as “monetes-fashion” devem abusar sim dos modelão, continuar a ser bem abusadas e manter sua personalidade impar nos corredores da Bienal, ou seja, lá onde for.

Elas estão apenas provando que são: “muito gay, sim! E daí?

Jorge Marcelo Oliveira é jornalista e produtor. Faz Stylist das Revistas Residenciais ,Tivoli Shopping e Franca Shopping. Também trabalha como produtor de figurinos em filmes e fotos publicitárias.
Blog:
http://mondomoda.zip.net

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