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| FASHIONISTA Por Jorge Marcelo
G. Oliveira
Existe moda gay? Quando escrevi um texto sobre o que as mulheres odiavam nos homens para minha coluna semanal no Jornal de Fato, o resultado incomodou alguns amigos gays. A principal queixa citava o horror que boa parte das entrevistadas tinha com a camiseta regata. Eles não entenderem o motivo que elas não gostavam da peça, afinal, eles adoravam usar, assim como adoravam ver outros homens com a mesma. Logo, fiz duas constatações: primeiro, o que as mulheres gostam nos homens não é o mesmo que os gays gostam e vice-e-versa. Segundo, apesar do tom preconceituoso que possa ter, existe sim uma moda gay! Por mais que alguns gays não suportem admitir! Numa cultura com tantas especificidades como a dos homossexuais, como a valorização excessiva pelo culto ao corpo, o prazer hedonista de se jogar nas pistas de dança, as visitas aos darks-rooms, saunas e casas de sexo, o hábito de gastar sem medo com passeios e viagens, falar que gays adoram comprar roupa parece uma conseqüência natural das coisas. Contudo, moda não é apenas comprar roupas. Moda é um sistema que acompanha a evolução social do homem através da roupa, costume, comportamento e outros. Assim, uma roupa conta uma história. Acreditar que a palavra “moda” seja uma banalidade é um enorme preconceito. Entender os mecanismos que regem os ditames deste universo é importante para conhecer a própria história da humanidade. O simples ato de ir ao guarda-roupa e escolher uma roupa já é uma forma de contar uma história – como também preferir não escolher nenhuma também pode ser. Afinal, a ausência de roupa (a nudez) é um dos mais contestadores atos de rebeldia social. Fenômeno social A roupa inclui e exclui. Ela inclui quando você resolve adotar a camiseta, a calça jeans e o tênis para se jogar nas pistas de dança – sabendo que praticamente todos estão vestidos assim e você será facilmente aceito. Ao mesmo tempo, se você escolhe vestir um traje social completo (paletó, calça, camisa e gravata) e se jogar nas pistas, você será o centro das atenções. Ou seja, a moda inclui para você ser aceito no seu grupo social, mas ela também exclui quando você não segue as “regras”. Estas regras são subjetivas, é claro! Você não estará mal vestido usando traje social na pista de dança, se for durante a festa de casamento ou de formatura, mas numa pista gay... Assim, a proposta desta coluna é apresentar tendências, discutir modismos e propor reflexões sobre a moda usada pelos gays nas grandes metrópoles. Moda tem um amplo leque de possibilidades, desde a roupa, decoração, gastronomia, viagem, comportamento e outros. *Jorge Marcelo Oliveira é jornalista e produto. Escreve semanalmente para a coluna MONDO MODA do Jornal de Fato, faz produção de moda para a revista Residenciais e trabalha como produtor de figurinos em filmes e fotos publicitárias.
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