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| FASHIONISTA Por Jorge Marcelo
G. Oliveira
A roupa como instrumento político Leio que uma conhecida marca nacional acaba de lançar camisetas com frases lembrando a questão do aquecimento global. Feitas em algodão - e sem absolutamente nada que lembre algum tecido politicamente correto - o objetivo claro é vender. Não está errado e também não existe novidade alguma nisto. Afinal, a camiseta é usada como símbolo de protesto desde os agitados anos 60. Ela serviu para protestar contra a Guerra do Vietnã, a favor da liberação das drogas, estampar a cara da nova banda alternativa ou de algum movimento social – gay ou não. Morro de preguiça dos chatos que adoram dizer “ah, eu não sigo moda... Só uso jeans e camiseta!”. Fofo, todo mundo segue a moda! Você pode não ter consciência disto, mas saiba que moda existe desde que o homem começou a usar a roupa para se aquecer do frio... Logo depois, ela se tornou um item importante para igualar ou separar grupos. Nos confrontos armados, os guerreiros eram reconhecidos por suas roupas... Entendeu, fia? A moda continua a ser alvo das acusações ridículas feitas, especialmente por figuras pseudo-esquerdistas, que alegam que ela é coisa da “elite”. Pois bem, na hora de fazer camiseta para defender uma idéia ninguém faz assembléia para discutir: “Nossa! Vamos usar uma camiseta para ilustrar um pensamento! Camiseta é roupa! E roupa é instrumento da moda! Usando moda, estamos compactuando com a elite!”. A camiseta é usada como instrumento político, sim! E ela não deixa de ser moda! Vestir uma camiseta com mensagem estampada – seja lá qual for - é uma forma de usar a moda como protesto. Não existe problema algum nisto. Todo mundo faz. Tanto marcas conceituadas, quanto ONGs de direitos humanos, contra o uso pele animal, de ecologia ou aquecimento global. Todos sabem o poder que esta vestimenta tem e ninguém quer deixar de usa-la para passar sua mensagem. Na época do mês do Orgulho Homossexual, uma invasão de arco-íris se faz presente. Além da camiseta, as cores ilustram bandeiras, bottons, brincos, pulseiras, colares, anéis, lenços para cachorro, cachecol e uma infinidade de outras opções que possam interessam aos potenciais compradores. Além do mais, virou praxe as ONGS ou movimento social fazer sua camiseta – para vender ou – para seus participantes, como uma forma de demarcar território. Quanto mais pessoas usar tal camiseta, melhor! Afinal, o que importa é que a mídia mostre os “números” e se tal ONG ou movimento social conseguiu fazer que mil pessoas usem suas camisetas... Nossa! Perfeito! Afinal, isto prova que a entidade é representativa. Portanto, antes de perder o seu tempo escrevendo mensagens condenando este ou aquele artigo sobre formas adequadas de se vestir, vá a uma biblioteca e leia um livro para se informar melhor sobre o assunto. Afinal, pior que bicha burra, é bicha mal vestida – que usa meia branca com sapato preto! Jorge Marcelo Oliveira é jornalista e produtor. Faz Stylist das Revistas Residenciais ,Tivoli Shopping e Franca Shopping. Também trabalha como produtor de figurinos em filmes e fotos publicitárias.
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