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FASHIONISTA

Por Jorge Marcelo G. Oliveira
marcelo.oliveira@yahoo.com.br

A História Contemporânea da Moda Masculina – Segunda Parte

Uma década de prosperidade e liberdade (e mudanças comportamentais), animada pelo som das jazz-bands e pelo charme das melindrosas - mulheres modernas da época, que freqüentavam os salões de dança e traduziam em seu comportamento e modo de vestir o espírito da também chamada Era do Jazz.
A sociedade rica dos anos 20, além da ópera ou do teatro, também freqüentava os cinematógrafos, que exibiam os filmes de Hollywood e seus astros, como Rodolfo Valentino e Douglas Fairbanks. Divas do cinema mudo, como Gloria Swanson e Mary Pickford se tornaram os novos ideais de beleza. Nesta época, a moda masculina também evoluiu.

Na moda clássica, os homens substituíram o fraque pelo smoking preto com lapelas cobertas de seda (tem noção que até hoje este traje é o símbolo elegância?) e gravatas-borboletas pretas. Na moda casual, os ternos vinham no tecido “Príncipe de Gales (xadrez numa composição nas cores vermelha e marrom em fundo claro, com linhas superpostas em cinza)”, usados com sapatos bicolores. O colete cai em desuso e surge o paletó com abotoamento duplo, chamado jaquetão. As calças tinham cintura alta e os colarinhos das camisas não eram mais rigidamente engomados. O chapéu do momento era o coco, eternizado no cinema pelo personagem Carlito, do ator Charles Chaplin. Na moda esportiva, usava-se calça de golfe com meias xadrez e camisa pólo com foulard.

Dica: O filme-musical Chicago é um ótimo exercício da moda dos anos 20 – tanto masculina, quanto feminina.

Anos 30
A queda da Bolsa de Valores de Nova York, em 1929, colocou um fim na alegria dos "anos loucos”, provocando uma crise econômica mundial sem precedentes. Milionários ficaram pobres de um dia para o outro, bancos e empresas faliram e milhões de pessoas perderam seus empregos. Contudo, alheio a tudo isto, quem continuava com dinheiro parecia alheio a crise e continuavam a viver como antes.

Hollywood se firmou como grande influencia na moda, estilo e comportamento. As mulheres copiavam o estilo de Greta Garbo, Marlene Dietrich e Mae West. Os ideais masculinos eram Clark Gable, Fred Astaire e Errol Flynn.
O formalismo continua a ditar a regra na moda masculina. Os ternos escuros e pesados deram à tônica. As calças eram mais largas e os paletós com ombros mais altos. Os sapatos eram pesados com grossas solas de borracha. Uma das poucas mudanças foi no chapéu. O coco perde vez para o canotier, ou palheta.

Quando o mundo acredita que a crise financeira estava no fim, eis que explode a Segunda Guerra Mundial em 1939, levando os homens para os campos de batalhas. Uma longa recessão econômica atinge a todos – sem distinção de classe social.

Dica: assista ao filme De-Lovely -Vida e Amores de Cole Porter. Ele conta a estória do compositor americano, que mesmo casado com Linda Porter por 30 anos, era assumidamente gay e promovia muitas festinhas com moços jovens e esculturais em sua piscina numa Hollywood dos anos 30.

Anos 40
Com o início da Guerra, a moda feminina adiciona um ar masculino em sua forma, influenciada pelos uniformes dos soldados. A vida era dura, meu bem!
Os tecidos eram racionados – surgiram regras para gastos com tecidos e também para a limitação da metragem de compra. As mulheres tinham uma caderneta que controlava a quantidade de tecido que cada uma comprava anualmente. A monotonia na moda era quebrada com detalhes específicos, como debrum colorido, bolsos e golas também em outra cor. Esta rigidez durou de 1941 a 1949 – mesmo depois que a Guerra havia acabado. Na moda masculina, as coisas foram piores, sem acréscimo ou mudança significativa.

Contudo, durante este período caótico, surgem os primeiros conceitos de uma moda jovem, quando a juventude começa a se vestir de uma maneira diferente de seus pais. Os grupos musicais se tornam símbolos de uma ideologia – que explodiria na década seguinte. Nesta época, estes jovens se tornaram conhecidos como zooties, nos EUA. O conceito: o terno era branco ou quadriculado, com amplo e exagerado paletó acinturado com ombreiras e complementado por calças mais justas, sapatos de verniz, chapéus, relógios com corrente, gravata, suspensórios e lenço de cor viva no bolso (ver Dicionário da Moda, de Marco Sabino).

Curiosamente, no filme Parceiros da Noite, de 1980, apresenta este mesmo lenço usado pelos gays da década de 1970, que saiam as ruas para caçar. Cada cor e posição dos lenços colocados nos bolos das calças revelaram as intenções sexuais: ser ativo, passivo, sádico, masoquista, entre outros.
O look zooties gerou grande polêmica e chegou a ser proibido. Despreocupados com o mainstream, os imigrantes latinos o adotaram como símbolo de afirmação étnica contra a sociedade americana. Freqüentemente, eles eram perseguidos e presos pela policia.

Dica: Casablanca é um dos clássicos do cinema americano e apresenta um figurino que reproduz perfeitamente o início da década.

Jorge Marcelo Oliveira é jornalista e produtor de moda. Escreve, entre outros, para o blog Mondo Moda http://mondomoda.zip.net

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