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| EDITORIAL Qual é
o seu preço? É difícil tocar em assuntos tão profundos para mim, mas a situação me leva a mexer na ferida. De uns dez anos para cá tenho visto um aumento no número de casais homossexuais que não passam nem do primeiro ano juntos. Há pouco tempo era comum termos em nossa roda de amigos, casais com sete, oito, quinze anos de união. Que maravilha! Sempre sonhei isso para mim e olhando para trás vejo que meu sonho de Cinderella parece cada dia mais distante. Pode soar melancólico e sem esperança, mas hoje em dia é difícil encontra um casal como Alaor Viola e Gilberto Cunha, que estão juntos há 25 anos. O lance de ficar, até então uma novidade para os adolescentes, tomou conta da nossa comunidade como um vírus que se espalha e se transforma em doença crônica, sem cura. Internet, celular, notebook, desktop... Tudo isso está nos aproximando, mas apenas no virtual. Onde está a relação corpo a corpo, pele a pele? Acho que está ficando pra trás, como as coisas que jogamos no lixo da cafonisse do passado. O pior é quando você embarca em uma relação, acredita nela e depois de dois, três anos sente que aquilo tem uma base sólida. Enganou-se, tolo. Algumas pessoas atualmente sequer pensam uma segunda vez na hora de trocar uma relação por um sexo furtivo, um vídeo game caro ou um Ipod. Vivemos em um mundo de medo. É o medo da violência urbana, é o medo de se entregar, de ser quem realmente você é. O lance é se esconder atrás de uma maquina chamada computador. Atrás de uma
tela somos fortes, lindos, loiros e pra não dizer: a última
Coca Cola do Deserto. De poeto não passamos de ratos de laboratório,
amedrontados e covardes. Nosso valor no mercado de hoje é baixo, não vale quase nada. Melhor é compra o ùltimo jogo da moda e esquecer da vida, de suas belezas e suas amarguras. Pra que pensar? Como
dizia Aline Durel: Me deixem ser burra!
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