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EDITORIAL

editorial@espacogls.com

Dinheiro

Por Eduardo Gregori

Saber lidar ou não com o dinheiro não é uma capacidade ligada apenas ao GLBTs. Mas enfim, se somos todos iguais, também estamos incluídos na arte de saber ganhar e perder com o dinheiro. Porém, se tentamos tanto nos unir como movimento, enfrentamos entre nós mesmos, seres que lutam contra nós e que nos roubam, além do dinheiro, a possibilidade de ter nossa capacidade profissional reconhecida por toda a sociedade.

Esta semana, um amigo meu, que é drag queen, me ligou para contar exatamente uma situação que retrata o que coloco acima. Ele ofereceu seu trabalho como divulgador para uma empresa e óbvio, cobrou seus honorários. Mais que correto e justo. Porém, durante a vigência do trabalho que estava sendo prestado, uma outra drag queen procurou o contratante lhe oferecendo o mesmo trabalho só que de graça.

O que faz uma pessoa trabalhar de graça? Bom, posso dizer que pessoas trabalham como voluntárias em ONGs, ou quando lutam em prol de algum objetivo, causa, ou crença. Nunca ouvi dizer que alguém trabalhasse de graça para uma empresa, isso seria trabalho escravo.

Quando alguém se oferece para trabalhar por pouco dinheiro, ou por nada, como caso que narro neste editorial, esta pessoa não sabe o estrago que está fazendo para os profissionais que trabalham no mesmo ramo que ela. Ela está desvalorizando todo tempo que estes profissionais usaram para aprender, tempo de estudo, de investimento, tudo. E tudo isso em troca de nada, absolutamente nada.

A drag queen Rúbya Bittencourt, grande estrela de nossa região, me disse que muitas drag queens iniciantes preferem trabalhar de graça pelo simples fato de "aparecer". Bem, aparecer de graça na Globo é uma coisa, mas trabalhar de graça pra uma pequenina empresa no interior paulista é outra O que isso vai mudar na "visibilidade" desta pessoa? Nada, absolutamente nada.

Quanto uma drag queen ou qualquer profissional puxa para baixo seu honorário, ele está levando para baixo a importância daquela profissão e o patamar salarial. Numa próxima oportunidade, o empresário não irá pagar o que é justo, o que é de mercado. Então ao contrário de se manter ou subir o patamar, a pessoa o faz diminuir.

É um sindicato às avessas.

E é por essas e outras que cachês e salários de muitos dos profissionais e artistas da comunidade GLBT estão abaixo do que realmente valem. E se continuarmos com esta postura, a tendência é abaixar e abaixar, até que um dia tudo seja de graça. Só que isso, graça não tem nenhuma.

Para quem quer aparecer de graça, que tal uma melancia no pescoço?

 

 

 

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