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EDITORIAL

editorial@espacogls.com

Faca de dois legumes

Eduardo Gregori

O Espaço GLS sempre defendeu a luta dos artistas GLBTs por um reconhecimento, principalmente vindo do empresariado. Muitas drags e músicos nos reclamam do sucateamento dos cachês, que em muitos casos esbarram no zero. Sim, existem pessoas que fazem show apenas pelo fato de aparecer em um palco. Dois pontos: quem faz isso está contribuindo para achatar ainda mais os cachês e na verdade luta contra sua própria classe.

Agora nos deparamos com uma outra realidade que me motivou a escrever este editorial. Cada vez mais empresários heterossexuais têm investido em casas GLS. Isso até certo ponto é importante, pois eles vêem o grande potencial que este público tem. O problema é que eles não têm uma vivência do meio e por isso se arriscam a contratar qualquer tipo de profissional.

Neste jogo incorrem no risco de errar ou acertar. Digo de cara que em alguns casos estão errando. Alguns profissionais da noite estão sendo contratados a peso de ouro. Por um lado é muito bom ter o trabalho valorizado e ganhar bem. Mas será que estão abusando?

Sou uma pessoa justa. Cobro por aquilo que posso oferecer. Porque depois, quando me cobrarem pelo trabalho, pelo menos saberão que foi um pagamento justo, bom para o empresário e bom para mim. É importante este tipo de parceria.

Vejo a noite cheia de vampiros prontos para atacar a jugular de empresários e sugá-los ao limite. Será que vale à pena isso? Quanto vale o seu trabalho? Devemos lutar para ganhar bem, é claro. Mas devemos também oferecer um bom trabalho para justificar este ganho.

O que adianta pagar um cachê exorbitante e ter um show medíocre? O que adianta ganhar uma merreca e ter um show fantástico? É melhor ganhar muito em pouco tempo ou ganhar o justo durante muito tempo?

Fico com a segunda opção, pelo menos a minha reputação não vai pelo ralo. Pelo menos não vão me acusar de ganhar rios de dinheiro e assistir de camarote o barco afundando e sem poder fazer nada. É uma regra matemática: Quando sai mais do que entra, o saldo negativo é certo. A bancarrota é apenas uma questão de tempo.

Portanto, coloquem a mão na consciência. Lutem pela valorização do trabalho, por cachês melhores. Mas não esqueçam de ser justos. De cobrar pelo o que realmente possam oferecer.


* Eduardo Gregori é jornalista e editor do Espaço GLS

 

 

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