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DIVINO

Por Tiago Duque
duque_tiago@hotmail.com]

Uma freia em minha vida

Parece coisa de filme, personagem de Whoopi Goldberg. Ela é demais. Nos conhecemos na PUC, estuda em minha sala. Já poderia imaginar, uma freira metida entre os estudantes de Ciências Sociais é coisa rara. Tornamo-nos grandes amigos no primeiro dia de aula, quando ainda éramos "bixos".

Tive outras em minha vida, importantes amigas. Algumas já não seguem mais os votos, preferiram mudar o percurso, o que não é nada fácil. Casadas ou não, as "ex-freiras" são mulheres muito bem sucedidas, pelo menos as que eu conheço. Muitas me ajudaram de várias formas.

Mas com a Vitalina é diferente. Continua firme em sua missão.O testemunho é encorajador. Jovem que já viveu com os indígenas e favelados, bispos e lideres do MST, Já morou em diferentes lugares, na cidade e no campo. Mulher simples, alegre (muito alegre) e que vive me surpreendendo.

Nós estamos sempre juntos, na maioria das vezes caminhamos abraçados. Ela já me acompanhou até no cinema com meu namorado. Nossas amigas e amigos da PUC às vezes se esquecem da sua condição de vida, somos francos e ela nos deixa muito à vontade. Lembro-me de uma manhã de 07 de setembro quando estávamos em meio ao povo no "Grito dos Excluídos", parecia uma criança, alegria estampada no olhar. Mas, por que a Vitalina foge ao padrão? Não deveriam todas elas estarem abraçadas às diferenças? Como O Seu Mestre e Senhor Jesus?

Longe de santificá-la, vejo que a castidade não a torna séria e carrancuda. A obediência, que é desafio de todos(as) que vivem próximos(as) de algum tipo de hierarquia, é enfrentada com coragem e humildade. A pobreza está nos simples gestos de atender ao telefone enquanto se lava o banheiro ou prepara o almoço para as demais da comunidade.

O que mais me comove na Vita é seu acolhimento. Nem mãe é assim, só amiga mesmo. Teve coisas que nem precisei dizer, ela foi me conhecendo, percebendo e aceitando. Isso me faz pensar em como seria o mundo se nos sentíssemos acolhidos(as) por aqueles(as) que se dizem religiosos(as). Seria um verdadeiro Evangelho Vivo. Haveria menos choros e muito mais risos, todos(as) dançariam nos templos com o mesmo desejo que dançou Davi diante da arca da aliança, comungaria-se com menos culpa e entoariam cantos mais sinceros e honestos. O próprio Espírito de Deus se faria presente de forma mais dinâmica e salvífica. Haveria conversões de todos os tipos, por pura admiração e desejo de se conviver bem, sem mentiras e hipocrisia.

Ela só poderia trabalhar mesmo com o Paulinho. Um padre muito amigo e também bastante especial. Único em sua forma de ser. O que me alegra é perceber que ainda existem lideranças religiosas, com todos os seus limites, abrindo-se para os desafios pastorais e percebendo que a vida está acima de qualquer norma hierárquica e com muita flexibilidade vive nos ensinado a ser mais felizes e amáveis. A benção meus(minhas) queridos(as)!

Obs.: O mesmo carinho se estende aos padres e reverendos que têm me escrito a respeito dos textos que são publicados nessa coluna.




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