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| DIVINO Por Tiago Duque
Lá vem o Papa ... O Papa vem aí. Ele não vem sozinho, trará um montão de gente. Os católicos mais afoitos já estão se mobilizando faz tempo. Uma visita tão ilustre exige inúmeros preparativos. Além de toda a segurança papal, é necessário a imprensa papal, os lugares papais, os trabalhadores papais, as comidas papais, as roupas papais, as celebrações papais e... esqueci de alguma cosia? Ah, sim: os discursos papais. Você sabia que tem muita gente brigando, digo, discutindo sobre o que o Papa vai falar no Brasil? É isso mesmo, tem uma rede de autoridades eclesiásticas e leigos em disputa pelo discurso papal! Quando soube achei bastante coerente, afinal o Papa conhece muito pouco do Brasil e da América Latina. Então, nada mais justo do que aqueles que são “amigos do rei” contar e escrever como as coisas funcionam por aqui para que ele possa conhecer, ler e acertar, não é mesmo? No entanto, acho que ele falará pouco sobre as grandes questões nacionais. Digo isso porque os seus posicionamentos tem causado muita confusão por aí a fora. Afinal, não seria aqui no Brasil, “o maior país católico do mundo”, que o pontífice iria cometer mais uma de suas “gafes”, não acham? A expectativa dos cristãos católicos são muitas, afinal não é todo dia que vemos uma santidade eclesiástica reconhecida mundialmente em nossas terras, pelo menos tão midiática como essa. Entre essas expectativas, há, evidentemente a de conversão de muitos “não católicos”. Afinal ele vem para santificar o Frei Galvão! Um exemplo para todo o mundo. Em toda a santificação, isto é, reconhecimento oficial da santidade de algum pobre imortal, se espera conversões. O que há de mais desafiador nesses processos de conversões é o testemunho novo, vivificado, salvador, criativo, profético, inovador, perigoso, comprometido, instigante, animador, alegre, vivo, sensível, amoroso, espiritual, libertador, jovial, político, verdadeiro, honesto e acalentador. Essa prática vivenciada por tantos recém convertidos, dos mais desconhecidos aos mais famosos cristãos, não faz mal a ninguém. Nesse sentido, é bom receber o Papa. No entanto, para se falar de santidade, é preciso se dirigir a ela. É exatamente o que os hipócritas do tempo de Jesus não faziam, pois, falavam daquilo que o seu coração não conhecia. Queriam defender algo que não viviam, e ainda, exigir do povo aquilo que não cumpriam. E mais, julgavam os outros com uma “moeda/medida” muito diferente das que julgavam seus próprio atos. Isso, Jesus não perdoava. Penso que, se o que o Papa dirá, será algo vivenciado por ele ou não. É claro que eu não quero aqui analisar a profissão de fé do pontífice, seria muito para um pecador como eu. Mas, não nos cabe refletir sobre tudo isso? A minha torcida é para que ele leia o que escreverem para ele ler, mas que ele esteja de acordo e pratique. Porque ninguém escreveria algo de ruim para o Papa ler, não é verdade? Agora, também não tem como nós reconhecermos que tudo o que o Papa leu desde que assumiu seu pontificado foi bom, concordam? Haja vista os discursos contra o amor homossexual, que me parece ser tão santo, como todas as outras formas de amar. Os seus discursos contra o divórcio também negaram a prática do amor maior que a lei, não acham? Afinal, por respeito a lei, merecemos permanecer casados para sempre? Na verdade, penso
que nos resta torcer para que ele leia algo que nos agrade, no sentido
de nos identificarmos, mesmo que seja duro de ouvir certas coisas, mas
que, acima de tudo, ele deixe de classificar o nosso amor como pecado
e alguns outros como “praga” (palavra usada pelo pontífice
ao se referir ao segundo casamento de muitos cristãos). Tomara
que o Papa, em sua visita em nosso país, seja mais “pop”
e menos “uó”, não é mesmo? E por falar
nisso, você vai ir ver o Papa?
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