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| DIVINO Por Tiago Duque
Fé, cidadania e conflito "A militância política
é uma demonstração extraordinária do nosso
amor pela humanidade" A palavra já está desgastada. Mas tenho aprendido muito a seu respeito. Em especial quando leio algo sobre o Orçamento Participativo aqui de Campinas. No último encontro que estive presente estavam reunidos vários seguimentos sob o título CIDADANIA. Éramos deficientes físicos, negros, idosos, mulheres, homossexuais, juventude e tantas outras diferenças. Todos sabemos que é coisa do PT provocar mudanças, re-significar relações e reconstruir histórias. Nesse processo tão interessante, que às vezes é muito mais teórico do que prático, tenho percebido que para conquistar a cidadania é preciso lutar e assumir tensões. Isso tem ocorrido bem debaixo de nossos olhos. Os Conselhos Municipais (você sabe quais são os Conselhos Municipais existentes em Campinas?) criados pela administração petista são ambientes de conflitos explícitos que apontam para uma cidadania a ser alcançada. Compreendendo cidadania como sendo o empoderamento das pessoas de consciência e poder de participação, de liberdade para criar novas formas de ser e estar no mundo, de sensibilizá-las para as diferenças e fazer com que essas diferenças sejam valorizadas em suas necessidades e particularidades. Fico a imaginar: Será que quanto maior o conflito e as tensões, mais próximos de nos tornarmos cidadãos estaremos? Questiono-me diante dessas mesmices de discursos que tenho escutado atualmente de políticos que desejam ser prefeitos e "colocar Campinas no caminho certo". Ou passemos a perceber e dialogar com os conflitos, crises e tensões, ou legitimaremos o que já está tão petrificado em nossa sociedade que não nos serve: essa realidade de desvalorização do público diante de tantos interesses privados. Desde quando o Centro de Referencia GLTTB (Gays, Lésbicas, Travestis, Transexuais e Bissexuais) foi inaugurado pelas autoridades públicas de Campinas tenho compreendido que foi um gesto de dar visibilidade às injustiças e a vulnerabilidade que essa população enfrenta na cidade, assim como em todo o país. É admirável viver em um espaço onde ninguém tem a pretensão de "colocar a sujeira debaixo do tapete", pelo contrário, coloca os desafios e programa-se alternativas sem abrir mão dos conflitos e tensões, afinal assim é que se faz as transformações. Isso tudo passa pela política do cuidado, que pretende ser a democratização do poder e a legitimação das diversidades. Todos nós sabemos que há muito por se fazer, mas já imaginou se Gandh (1869-1948), líder religioso indiano, não tivesse iniciado o processo de libertação do seu povo? Sempre me alegro quando lembro de uma de suas falas: "Aqueles que dizem que religião nada tem a ver com política não sabem o que a religião significa." É por isso que Martin Luther King Jr. (1929-1968) - pastor da Igreja Batista Ebenezer - é admirado no mundo todo. Fez de sua fé uma ação política conflituosa, fecunda e evangelizadora em defesa dos negros nos EUA e destacou: "A injustiça de qualquer lugar é uma ameaça para a injustiça em todos os lugares". "Não há nada mais trágico neste mundo do que saber o que é certo e não fazê-lo. Não posso ficar no meio de todas essas maldades sem tomar uma atitude". Ambos foram assassinados, muito outros(as) ainda vão ser. Mas jamais desvincule a fé da política, elas devem sempre caminhar de mãos dadas. Os vencidos também fazem a história. Não tema o combate. Enfrente a realidade com fé e sua práxis poderá revelar uma mística revolucionária. Desconfie daquele que propõe uma realidade sem tensões e enverede para um caminhar mais autentico e conflituoso, porque há muitas coisas por se fazer. Anuncie que as mudanças precisam continuar ocorrendo. Promova os conflitos, não tente esconder as tensões. Assim, todos nós um dia poderemos ser cidadãos vitoriosos e autênticos.
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