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DIVÃ

Por Margarete Godoy
atendimentogls@hotmail.com

Atrações por outros garotos

Olá Dra. Margarete,

Desde minha adolescência descobri que sentia atrações por outros garotos. Hoje tenho 25 anos mas nunca tive coragem em contar isso a alguém. Estou estudando em São Paulo e nos últimos meses comecei a frequentar baladas e ambientes gls. Já fiquei com alguns rapazes nessas baladas. O problema é que sinto uma afetividade muito grande por um amigo, que mora comigo. Ambos estudamos em São Paulo, mas somos do interior do Estado. Sei que ele é heterossexual, porém sinto ciúmes dele, quando conversa com outros amigos. Esses dias contei a ele que beijei um rapaz numa balada gls. Ele agiu naturalmente, e em aspecto nenhum nossa amizade foi abalada por isso, aliás ele me deu conselhos para pensar no que realmente quero e ser feliz. Porém, meus sentimentos por ele estão se tornando possessivos, me sinto mal, porque sempre quero saber com quem e o que ele conversa, onde vai etc. E isso está começando a atrapalhar nossa amizade, pois vejo que ele está se cansando. Não consigo ficar sem pensar nele, a toda hora penso. O que devo fazer? Espero que possa me ajudar.

Grato

Resposta

Você menciona sentir grande afetividade por seu amigo que é heterossexual, mas o ama como um homem desejando-o para si? Ou essa grande afetividade trata-se de uma grande amizade de amigos, a qual, também existe amor?

Quando se ama alguém, como um parceiro, é natural desejar, querer ter esse alguém para si, poder abraçar, acariciar, beijar, fazer amor, querer tê-lo só para si e não dividí-lo com mais ninguém. É por isso que na maioria dos inícios de relacionamentos, onde há a troca de amor mútuo, é natural que o casal saia por um tempo de circulação das baladas, para se curtirem melhor sem ter que dividir as atenções com os amigos, e sim, apenas ao outro. É um sentimento de “posse” que se instala, desde que sem exageros, tornando-se numa conseqüência quando se alcança um desejo, quando se alcança uma conquista.

Passada essa fase, quando o relacionamento já está mais estruturado, mais maduro, onde ambos já estão mais seguros, o casal passa a ser mais social, na medida em que se sintam à vontade para se divertirem, trocarem idéias, ver gente nova, sair com os amigos. É natural, é saudável.

E você se encontra exatamente nessa fase inicial, de “posse”, mas a questão é que ele não está, e nem faz idéia que esteja, pode até ser que esteja desconfiado de suas intenções, mesmo porque, você anda dando todas as dicas à ele, mas essa relação até o momento, é somente sua com você mesmo. Está na sua fantasia, no seu imaginário. E saiba, se você já está se sentindo mal com tudo isso, imagine ele como deve estar se sentindo. Tanto é, que a amizade já está sofrendo as conseqüências dessa “posse” que já está ficando sem limites, causando insegurança à ambos.

Insegurança é medo, e o medo, ou te paralisa ou te impulsiona para o “agir”, e você, está paralisado, sem saber o que fazer, e ele, confuso diante de seus comportamentos. Você acha saudável para sua vida, continuar a sentir mal?

Já que ele é uma pessoa aberta, a ponto de você já ter contado sobre o garoto que beijou na balada, por que não conta sobre seus sentimentos em relação à ele?

É o medo da reação dele que está te paralisando? Mas até onde essa situação, desconcertante para ambos, irá chegar? Mesmo porque, suas atitudes já estão demonstrando seus sentimentos, tanto é, que ele já está se cansando.

Sugiro que você reflita melhor sobre essa grande afetividade que sente, até mesmo para direcioná-lo; chame-o para uma conversa franca, em um momento oportuno, mas tendo em mente, que tanto poderá obter êxito ou não. Pode ser que ele entenda seus sentimentos, respeite, mas não o queira. Também pode ser que ele fique confuso, ou não respeite tanto assim, ou até mesmo tenha algum preconceito, abalando a amizade de vocês, e ainda, que sinta algo também e queira tentar dividir com você. Enfim, ele poderá ter qualquer tipo de comportamento, o que você deseja, ou o que não deseja.

Mas, se não arriscar, e deixar o medo tomar conta de si, nunca irá saber, ficará na dúvida para sempre, assim como a amizade seriamente abalada. Siga em frente, dê o primeiro passo.

Um abraço.

* Margarete Godoy Agostinho - Psicóloga clínica e de prevenção, com experiência em Análise Transacional e Terapia Comportamental, voltados ao atendimento gls.

 


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