Aids
 Busca
 Contato
 Dicionário
 Enquetes
 Especiais
 Galeria
 Notícias
 Orkut
 Podcast
 Publicidade
 Quem faz
 Eduardo Gregori
 GLBT XYZ
 César Machia
 Comedere
 Jovens
 Na Língua do Ju
 Memórias de Adão
 Mondo Moda
 Toca de Urso
 TransItália
 Xou do Gongo
 Divã
 Fashionista
 Mr. DJ
 Persona
 Salada Mix
 Cosmo On Line
 CR GLTTB
 Sites GLBT
 Agenda
 Bares
 Boates
 Grupos
 Saunas

Site melhor visualizado em 1024x768 pixels - Campinas,

 

DIVÃ

Por Cris Reda
crisreda@cristianereda.psc.br

Viva segundo sua própria direção

Bom dia, boa tarde ou boa noite !!!

Peguei seu email no Espaço GLS e resolvi te mandar a minha história pra ver se você pode me ajudar em alguma coisa
Bom, tenho 18, sou universitário e trabalho.
Desde pequeno eu sinto atração por homens e a respeito de mulheres eu só acho elas bonitas e coisa e tal, mas não pra sexo, relacionamento e coisa etc...
Já namorei um cara durante dois meses e eu mesmo larguei, pois estava amando demais e por isso resolvi interromper o relacionamento antes que o sentimento se tornasse algo sólido e concreto. Sofri muito, muito mesmo, pois na época eu o amava, mas hoje a crise passou.

Depois deste relacionamento, fiquei muito tempo sozinho e não pensava em arrumar ninguém, até que apareceu a pessoa que eu pedia a Deus. Então resolvi arriscar e estou com ele atualmente. Temos 11 anos de diferença, mas nosso relacionamento é o mais sincero e mais puro possível. Eu o amo demais e sinto o mesmo da parte dele. Eu nunca pensei que eu quebraria alguns paradigmas comigo mesmo, pois nunca imaginei namorar alguém bem mais velho que eu.

Mas o problema é o seguinte...

Minha família é do tipo tradicional ao extremo e se não bastasse, minha familia é evangélica, eu era também, mas resolvi me afastar devido a minha situação. Sinto muita falta, mas por outro lado fico feliz por estar com alguém que eu amo. Resumindo, estou dividido entre a religião e a minha opção. Mas tem outro fator interessante nessa historia, tenho um irmão mais velho, que eu acredito q ele também é gay, pois nunca trouxe namorada em casa. Ele tem mais de 25 anos ,então tudo leva a crer que também é, mas morro de medo de comentar algo com ele. Mê passado ele conheceu meu namorado e a recepção entre eles foi a mais aconchegante possível, isso me fez pensar mais sobre a opção dele também. Eu irei ao litoral no fim de ano com toda minha família e eu fiz uma loucura que não me arrependo: vou levar meu namorado comigo durante todos os dias.

Bom essa é a minha historia.

O que eu preciso é o seguinte: Eu devo conversar com o meu irmão sobre isso ou não? Devo arriscar tudo e viver a minha vida? Devo contar aos meus pais e família que sou gay? Se caso não, em qual momento eu conto?

Desde já eu agradeço a sua atenção e tudo de bom.

Abraços...
EOA.


Tudo bem,pessoal?

Desculpem pelo “sumiço”,mas cá estamos nós de volta!! E com esse e-mail interessante que recebi recentemente, com situações com certeza muito comuns a muitos de vocês!
Há nele vários pontos que valem a pena frisarmos!!
O primeiro deles, muito bem descrito por nosso leitor em seu email,é o que realmente caracteriza a homossexualidade, que não é “desprezar” o sexo oposto,mas,sim,ter como objeto de desejo e afeto pessoas do mesmo sexo.Ou seja, a pessoa homossexual de nenhuma forma deixa de exercer seu papel biológico e social como HOMEM(no caso do gay) ou MULHER(no caso da lésbica), bem como é completamente capaz de relacionar-se com o sexo oposto,seja no âmbito das amizades,profissional ou familiar.

Em segundo lugar, vou frisar uma questão que já abordei outras vezes,mas que é sempre bom esclarecer:homossexualidade não é “opção”,mas sim uma DIREÇÃO ou CONDIÇÃO de ser.Não se “escolhe” deliberadamente ser gay ou lésbica,assim como também não se “escolhe” ser alto ou baixo.
Portanto,o fundamental é viver segundo sua direção ou essência,caso contrário a pessoa estará “violentando” a si própria!!

No que se refere à homossexualidade, o e-mail exemplifica bem as mais comuns “barreiras preconceituosas” que ocorrem: religião e família.
Em relação à primeira, sem obviamente desconsiderar o direito à liberdade religiosa de cada um, temos que a “religião” é mais ligada ao aspecto institucional ou das igrejas, enquanto que a “religiosidade” é o sentimento de divindade que temos dentro de nós, é nosso aspecto espiritual, independente da religião que professemos. Portanto, psicologicamente falando,só podemos desenvolver nossa espiritualidade se vivermos de acordo com nossa essência,com o que realmente somos!

Ser e viver como homossexual é um direito inalienável e não prejudica ninguém, não “corrompe”,não “polui” nem “afeta o aquecimento global”...
No que se refere à família, caro leitor,,muitas vezes,os familiares,especialmente os mais próximos,até já podem “desconfiar” de sua relação,embora não o digam abertamente.

O mais importante, neste caso, é que você está feliz e realizado em seu relacionamento atual e de nenhuma forma deve abrir mão disto!!
Se quiser, tente tocar no assunto delicadamente com seu irmão, mas prestando atenção até que ponto ele dará abertura para vocês conversarem ou não. Lembre-se de que você tem o direito,mas não a “obrigação” de abrir sobre seu relacionamento com sua família e que ela tem até o direito de não concordar,mas deve ter o DEVER DE RESPEITAR vocês!

Em minha visão como psicóloga, mais contundentes do que as palavras, são as atitudes. Portanto, independente do momento em que você conversará com sua família (o qual você vai detectar na hora certa, tenha certeza!),aja sempre sem se “dividir”,ou seja,compareça aos eventos familiares acompanhado de seu parceiro,afinal você não está mais sozinho,não é?Não dá para agir como “solteiro” de um lado e “acompanhado” de outro, afinal você é UM SÓ e deve agir e se respeitar como tal!!Será este auto-respeito que fará com que, gradativamente, sua família também o respeite, independente de com quem você esteja!

Por isso, pessoal, vivam a seu favor, em sua própria direção, para que as outras pessoas também façam o mesmo!!
Beijos enormes e até breve!!

CRIS

OBS: Estou sentindo falta das perguntas de vocês, me enviem no meu novo e-mail crisreda@cristianereda.psc.br

* Cris Reda é psicóloga



Voltar

  Documento sem título

Espaço GLS - diversidade sexual no interior paulista - Copyright Espaço GLS 1999 - 2008 - editor Eduardo Gregori