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Por Cris Reda
crisreda@cristianereda.psc.br
Regras: siga
as suas !
Bom dia Cris,
Tenho 25 anos e peguei seu e-mail no site Espaço GLS.
De uns tempos para cá tenho me sentido absurdamente angustiada
com uma situação inusitada e vou tentar explica-la neste
e-mail.Estudo administração, estou no 5° semestre e
me deparei apaixonada pela coordenadora do curso. Nunca tive atração
por mulheres e por sinal não sinto atração por outras
mulheres, é apenas ela quem esta mexendo com todos os meus "sentidos".
Todos os questionamentos
possíveis sobre esta situação eu já me fiz.
Será que sou lésbica? Será que sou bi? etc etc...
Mas o que mais me deixa triste é estar apaixonada por uma pessoa
da qual eu respeito muito, muito mesmo.
O pior agora é que ela anda questionando o porque de minha tristeza
e angustia. Ja disse a ela o problema inicial sem dizer que a causa é
ela. Não faço idéia do que fazer!!! Pois além
de estar extremamente confusa sobre minha sexualidade, ela que é
motivo disto me questionando, sinto como se estivesse traindo a mim mesma.
Será que tento
respeito e admiração estão me confundindo?
Não sei o que fazer... pois isto desencadeou um processo que a
tempos havia adormecido em mim (dependência de drogas e alcool)....
Aguardo ansiosa por uma luz..
Resposta
A autora do e-mail
acima me autorizou a publicá-lo em nossa coluna deste mês
e é a partir da situação que ela descreve que convido
vocês a conversarmos um pouco sobre os incríveis e inesperados
meandros da nossa sexualidade!..
Já começo indicando um filme muito bem feito, acerca do
famoso RELATORIO KINSEY sobre o comportamento sexual humano, chamado “VAMOS
FALAR SOBRE SEXO” (título em português). Vale a pena!
Em um de seus trechos, o pesquisador Kinsey, ousadamente desmistificando
vários tabus acerca da sexualidade em pleno início do século
XX através de inumeráveis entrevistas e vivências,
coloca que a sexualidade humana abrange, matematicamente falando, uma
escala de 1 a 6. Entre o nível 1 ou “totalmente heterossexual”
e o nível 6 ou “totalmente homossexual”, há
as graduações de 2 a 5, onde a sexualidade humana pode apresentar
várias nuances, tal qual num degradê de cores. E, segundo
Kinsey, a grande parte das pessoas vive sua sexualidade neste intermédio
de nuances.
Então – podemos indagar- Kinsey afirmou que todos somos bissexuais?
E eu ouso responder: em potencial, sim, mas não vamos aqui nos
prender a rótulos!
Em primeiro lugar, precisamos refletir sobre o que é, de fato,
SEXUALIDADE. Trata-se de um conceito muito amplo, que envolve, dentre
outras coisas, IDENTIDADE, AFETIVIDADE e OBJETO DE DESEJO. Vamos por partes:
- IDENTIDADE é como eu me vejo, quem eu sou, tanto em meus pontos
fortes como fracos.É a partir da identidade que vou construindo
minha auto-estima, que se refere a como eu sinto e acolho o que eu vejo
em mim.É assim que vou agir também com o outro.
- AFETIVIDADE diz respeito à vínculo, à relação,
a algo que se constrói entre 2 ou mais pessoas, através
da identificação mútua de interesses, gostos e afinidades,
inclusive as sexuais.
- OBJETO DE DESEJO é a pessoa ou situação que me
atrai, tanto física quanto emocionalmente.É para onde eu
canalizo o meu desejo. É o ponto de partida para a construção
posterior (ou não) de uma relação mais profunda.
CARL GUSTAV JUNG,
psicólogo suíço, já dizia que nossa LIBIDO
não é apenas nossa energia sexual, mas, sim, nossa energia
vital, é o que nos move, o que nos motiva a viver. “Um homem
morre quando seu desejo também morre”, frisou igualmente
FREUD.
Então, quando insistimos em “rotular” ou até
“patologizar” nossos desejos, acabamos por restringi-los e
reprimi-los muito! Nossa amiga leitora que enviou o e-mail chegou a fazer
isto, o que acaba causando um pesado conflito! Assim nos limitamos a querer
nomear um sentimento inesperado e novo e nos esquecemos de realmente vivê-lo!
Se determinado interesse despertou em certo momento, como ocorreu com
nossa leitora, ele com certeza tem a ver com a etapa de vida e de maturidade
em que se encontra a pessoa, tem a ver com as necessidades e carências
desse momento. Assim, o amor e o desejo que se despertam não têm
gênero “masculino” ou “feminino”. Eles simplesmente
acontecem...
Deste modo, o ideal nestas situações é sermos honestos
conosco mesmos, sem repressões e auto-julgamentos, para assim sermos
honestos também com a pessoa que é nosso objeto de desejo.
E não há nada que um bom diálogo, no momento certo,
não elucide!!
Tive casos de alguns clientes que, enamorados de pessoas do mesmo sexo,
chegaram a se declarar. Em alguns casos, o namoro se consolidou, em outros
não houve reciprocidade, mas vingou um sentimento de amizade e
respeito em função da transparência que a pessoa teve.
Portanto, em se tratando de amor e desejo, siga você as suas próprias
regras! O importante é ser feliz!!!
Grande beijo da CRIS
OBS: Estou sentindo
falta das perguntas de vocês, me enviem no meu novo e-mail crisreda@cristianereda.psc.br
* Cris Reda é
psicóloga
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