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| DIVÃ Por Margarete
Godoy
Medo bissexual Olá. Quero que me tire dúvida sobre o meu relacionamento, namoro um rapaz há 08 meses, quando o conheci eu fiquei um pouco fora de mim, pois tinha me deparado com bissexual no momento achei que fosse só empolgação da minha parte, mas no seres humanos não mandamos em nosso coração, no começo foi muito difícil enfrentei muitos problemas com amigos dele, pois todos achavam que era só auê, e não foi o que aconteceu, nos envolvemos e hoje estamos muito bem, apesar do medo que sinto em relação ao passado dele... Obrigada. Resposta Você menciona que o passado dele lhe traz medo, mas, esse medo está sendo refletido por você na relação? Ou é um sentimento só seu que está guardado aí dentro? Outra coisa que é importante mencionar, e que é a razão maior do seu medo, é o fato dele ser bissexual. Mas, essa preferência dele pelos dois sexos, pelo que você mencionou, é passado, mas é passado porque hoje ele está com você, apesar de ser ainda bissexual, ou apenas se relacionou com um homem no passado, por curiosidade, e sabemos que isso é real e normal, e por causa disso, você acha que ele é bissexual? Coloquei esses questionamentos, pois não sei até que ponto vai a preferência dele pelo mesmo sexo, e também para entender melhor o seu medo. Mas a princípio, entendo ser pelo fato de que um dia ele possa voltar a se relacionar com outro homem. Saiba, que da mesma forma que pode ser com um homem, pode ser com outra mulher também. É uma situação que pode existir em relacionamentos homossexuais ou heterossexuais. Mencionou também, já ter enfrentado alguns momentos difíceis com os amigos dele, e hoje, como não se trata apenas de uma empolgação, como no começo, o medo parece aumentar. Vou falar de dois aspectos desse medo, então, você poderá refletir melhor sobre eles. Um relacionamento geralmente começa sem muitas expectativas, um olhar, uma paquera, o ficar, o querer ficar de novo, conhecer, gostar, e o amar. Afinal, estão apenas se conhecendo, se curtindo. Nesse começo, os sentimentos mais íntimos, mais teus, até mesmo as fraquezas, não ficam tão à mostra. Ambos são perfeitos e sem defeitos nessa fase da conquista. Mas o tempo passa, e assim, aumentam os encontros, os telefonemas, as declarações, então já começam a andar de mãos dadas e a trocar carícias na frente dos amigos, e quando se dão conta, já estão namorando, e os dias que antecedem os encontros, parecem demorar uma eternidade para passar. Então, começa uma outra fase, que é quando você percebe que já está apaixonada, que já está amando. O amor torna vulnerável aquele que ama, vulnerável não no sentido de torná-lo fraco, mas de torná-lo exposto muito de seus sentimentos mais íntimos, vulnerável ao que se quer, mas às vezes ao que não se quer sentir, e o medo é um deles, talvez o medo da perda, o medo da não aceitação, o medo de receber amor e carinho, o medo de que alguém descubra que ele é bissexual, enfim, são estes e outros, os aspectos mais íntimos de cada um, mais inconscientes, e que por sua vez, vêm à tona para o consciente, remetendo o indivíduo a se auto-questionar, a dialogar internamente. E ao meu ver, é isso que está ocorrendo com você hoje, um questionamento interno seu, sobre a sexualidade dele, sobre o rumo que essa relação irá tomar. Apenas quero demonstrar, que no começo, o medo não uma tinha porque surgir, você estava vivendo um momento presente, um momento de empolgação, mas perceba, que mesmo sendo apenas uma empolgação, você enfrentou os amigos dele, e se você enfrentou, inconscientemente, você tinha expectativas para o futuro: o de solidificar a relacão, e esse futuro chegou e tornou consciente a sua intimidade, as suas questões internas. No seu caso, o medo e o preconceito. Mas esse paradigma que demonstrei, ocorre em qualquer tipo de relacionamento. São normais os questionamentos, a vivência dessa relação consigo mesmo. Quando nos relacionamos com quem quer que seja, seja qual for a relação, amigo, mãe, pai, parceiro, têm-se a oportunidade de se conhecer a si mesmo. Agora, o que não é saudável, é viver focado em alguma dificuldade que possa surgir nesse processo, na qual todos passamos. Você, hoje, está provavelmente focada nesse medo, focada no “passado” dele e num futuro de perdê-lo a qualquer momento, evitando que você possa viver o presente. É, provalmente, isso lhe paralisa e a deixa insegura, tornando-a vulnerável. Seria interessante você conhecer e entender melhor esse seu medo, falar mais sobre ele, olhar para ele como um sentimento pertinente à qualquer Ser-Humano, até mesmo com o auxílio de um profissional da área da saúde, um psicólogo, que participará como um facilitador nesse seu processo, até mesmo, para que não alcance um ponto extremo, podendo colocar seu relacionamento e seu processo de auto-conhecimento, em perigo, evitando uma auto-sabotagem. Pense nisso. Espero ter auxiliado de alguma forma esse seu processo, e caso necessite de outras informações, agende um contato através do meu e-mail atendimentogls@hotmail.com ou até mesmo pelo site espacogls.com.br. Um abraço.
*Margarete Godoy Agostinho, psicóloga clínica e de prevenção, com experiência em Análise Transacional, Comportamental e Bioenergética, voltados ao atendimento GLS. * Todo material poderá
ser copiado na íntegra ou em parte, desde que a fonte seja devidamente
mencionada.
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