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DIVÃ

Por Cris Reda
crisreda@liberte.tur.br

Amor, comum de gêneros

Oi pessoal! Desta vez vou fugir um pouco à regra de responder às questões enviadas através de e-mails de vocês, para conversar (perdoem pelo clichê, mas é INEVITÁVEL) sobre esta linda e esperada obra chamada " O Segredo de Brokeback Mountain".

Quem conferiu, sabe o que estou dizendo e quem ainda não foi... por favor, dê esta "injeção" de esperança em sua vida!

Oscars e criticas infindáveis à parte (que não nos interessam aqui, deixo esta parte aos nossos cinéfilos de plantão), gostaria de falar com vocês sobre o lado inegavelmente HUMANO desta história. Que pode a meu ver ser definida como uma essencial HISTÓRIA DE AMOR. Apenas assim, grandemente assim. Acima de quaisquer rótulos, definições de orientação sexual, alem do masculino e do feminino. Trata-se de uma trajetória de AMOR por si mesmo, pelo outro, pela vida, por suas escolhas (bem ou mal feitas). Trata-se da temida descoberta da paixão, do impulso inicialmente frenético que depois vai amadurecendo se convertendo em amor, até nos darmos conta de que, afinal, estamos aqui neste mundo trabalhando, estudando, ensinado e aprendendo com o pretexto básico e implícito de nos encontrarmos e nos relacionarmos uns com os outros. E, vinculando ao outro, acabamos por descobrir a nós mesmos. E isto vale para qualquer gênero de ser humano, seja ele conjugado no feminino ou no masculino. Homos, Héteros, Bis, Trans.

Indivíduos e Grupos. Daí não ser à toa que as telas dos cinemas projetaram sonhos, risos e lágrimas de casais e famílias de todos os tipos que se sentaram nas suas poltronas.

O "segredo". Quem não o tem? E quando esse segredo nada mais é do que o que você é e no entanto não vive... "Brokeback". No sentido mais literal, "costa quebrada". O que na vida não nos "quebra as costas" (ou "as pernas")? Mitos, regras e convenções que se "quebram" e se transformam num mar de possibilidades que antes não imaginávamos? Possibilidades de amar, de viver, que ao mesmo tempo tememos e desejamos? E se, damos as costas a elas, quantos sonhos quebrados, quanto estilhaço de vida que acabamos vivendo só em parte. E assim nos esquecemos que somos inteiros e acabamos existindo em "pedaços" de hipocrisias e falsas verdades.

"Mountain". Montanha, natureza, essência. Como a própria chamada do filme nos diz, "o amor é uma força da natureza", entenda-se aí não o "instintivo" mas sim o natural, o essencial, o que verdadeiramente nasce de dentro de nós e que não deve morrer fora.

Carl Gustav Jung, aquele psicólogo suíço do qual eu às vezes lhes falo, dizia que ao nascermos carregamos dentro de nós uma esfera de energia correspondente a 360º a qual, ao longo da vida, vamos aos poucos diminuindo, guardando de volta dentro de nós. Nos "baús do esquecimento" até que, em casos extremos, este "fio" de energia que sobra é o que nos faz viver como certos "autômatos" ou "robotizados" apenas pelo que esperam de nós.

Por isso friso que "O Segredo de Brokeback Mountain" ilustra esta história de amor, esta busca de vida e de felicidade, comum a todos nós.

E também isso que (se me permitem), anseio pelo momento futuro (não tão distante assim) em que casais das mais diversas orientações, andem lado a lado de mãos dadas (não só nas Paradas), possam casar-se legalmente e separar-se também.
E que não encontremos tanta gente vivendo dubiamente como o personagem Ennis ou que seja "atropelado" pelos preconceitos como o personagem Jack.

Enfim, que histórias como a que ocorreu no filme de Ang Lee e/ou no livro de Annie Proulx (o filme veio do Conto maravilhoso que ela escreveu) não sejam mais rotuladas como "um romance gay", mas sim como uma tocante história de amor e de vida para todos nós, de GENTE COMO A GENTE, SERES HUMANOS.


Beijos enormes,

P.S. - Gostaria de lhes informar o novo endereço de meu consultório em Campinas,
Rua Padre Vieira, 422 - Centro - Fone: 19 3232-0416.



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