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Por Margarete Godoy
atendimentogls@hotmail.com

Psicologia X Homossexualidade

Este ano, durante um trabalho sobre orientação sexual que realizava com adolescentes, fui abordada, com certa voracidade, por uma mulher, que me perguntou: “Tenho um filho de 14 anos que diz ser homossexual, e gostaria de saber quanto a senhora cobra para curá-lo? Vi na televisão que isso é uma doença e que a Psicologia tem um tratamento e que ele pode ser curado.”

É verdade, muitos imaginam, e até mesmo dizem comprovar, que a Psicologia dispõe de um tratamento específico para a “Cura da Homossexualidade”, e essa idéia aumentou após o Projeto de Lei (nº 2177/03) do Deputado Neucimar Fraga (PL/ES), apresentado no Programa Super Pop em março deste ano, dispondo tal polêmica.

Algumas perguntas, após a veiculação desse programa me foram feitas, inclusive por parte de alguns clientes. Eles confessaram, que ficaram em dúvida se a Psicologia usa toda a experiência no sentido de orientar pessoas, tendo em vista os diferentes graus de entendimento, de cultura, existentes em nossa Sociedade, como em qualquer outra, parecem em alguns casos, insuficientes, mesmo porque, alguns ainda anseiam ouvir, apenas a única resposta que procuram, sem se importarem com o Todo.

A Psicologia considera o homossexualismo, um distúrbio, uma perversão, passível de tratamento? De cura?

Vejamos, portanto, a que se dispõe a Psicologia. Trata-se de uma Ciência certamente abrangente, tendo como base de seus eternos estudos, o indivíduo e seus relacionamentos interpessoais, sem qualquer tipo de preconceito. Menciono eternos, pois a Sociedade evolui e se transforma com o passar dos anos, assim como o indivíduo, em suas fases de desenvolvimento, do pré-natal à fase adulta, também evolui diante dessa Sociedade em contínua transformação. A Psicologia visualiza a Pessoa em todos os seus aspectos: Social, Pessoal, Relação com o Parceiro, Familiar, Profissional, e possui diferentes formas de atuação, como na Educação, Clínica, Esporte, Hospitalar, Recursos Humanos, e em muitos outros.

Portanto, se algum dia vocês lerem ou ouvirem, que a Psicologia pode curar a Homossexualidade, no mínimo, desconfiem, pois essa Ciência, se coloca diante da sexualidade, com o intuito de orientar, prevenir, promover o entendimento e a redução dos sofrimentos, seja qual for a opção, da pessoa que seja vítima, não só de preconceito, mas de qualquer tipo de discriminação, não só diante da Sociedade, mas diante de si mesmo, e qualquer um que recorra à Psicologia, deve estar ciente, que um dos princípios de nosso Código de Ética, é primordialmente promover a saúde mental, e promover a saúde mental é agir em favor dos direitos humanos, e quando se fala em direitos, fala-se no direito de amar e ser amado por quem quer que seja.
Um outro ponto que gostaria também de mencionar, na qual a Psicologia dispõe sim de tratamentos, é quando se fala em distúrbios, perversões ou formas de atividade genital, praticados em completo desacordo com a realidade, como por exemplo, o Pedofilismo, Necrofilismo, entre outros, que são considerados como um desvio sexual de natureza grave, portanto, passíveis de tratamento psicológico e psiquiátrico, inclusive.

Eleger alguém do mesmo sexo como seu “par ideal”, não caracteriza doença, anomalia ou distúrbio. Apenas se está respeitando seus desejos, seus limites, e praticando a liberdade de amar de forma saudável.

* Margarete Godoy Agostinho é psicóloga com experiência em Análise Transacional, Comportamental e Bioenergética voltados ao atendimento GLS.


* Todo material poderá ser copiado na íntegra ou em parte, desde que a fonte seja devidamente mencionada.


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