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DIVÃ

Por Cris Reda
crisreda@liberte.tur.br

Diverso sim, desigual não

Como vão todos? Espero que muito bem! E muito orgulhosos diga-se de passagem...
Claro, não estamos falando daquele orgulho excessivo, que nos enclausura e nos torna "inatingíveis" por detrás dos muros que fazemos ao nosso redor.
Não estamos aqui hoje falando daquele tão saudável e necessário orgulho por simplesmente sermos e existirmos exatamente como somos...

Este sim, é um dos sentimentos que mais demoramos a conquistar na vida: gostarmos de nós mesmos em nossas igualdades e diferenças . Tal como um ritual íntimo de casamento com nossa própria alma: " na alegria e na tristeza, na saúde ou na doença, na riqueza ou na pobreza".

Bem, pessoal, me vi impelida a reescrever o nosso bate-papo depois que tive o prazer de acompanhar de perto a mais uma Parada do Orgulho em Sampa, naquela "paulista chamada avenida" , como diz Marcelo Rubens Paiva. Não há como realmente não se orgulhar!

Nem o domingo ensolarado, nem as bexigas coloridas e muito menos os meninos e meninas (uns de sunga, outros de cachecol) se renderam ao frio de 10 graus naquela passarela paulistana. Que nada! Se relembrarmos os preconceitos e lutas, individuais e coletivas, de ontem e de hoje, partindo das fogueiras da Inquisição, passando pelo grito de liberdade nas portas do Stonewall e chegando à atual luta pela união civil entre parceiros do mesmo sexo, um frio precoce de outono não é obstáculo nenhum!

Muito mais do que um lindo e forte manifesto em prol dos direitos da comunidade GLBT do Brasil, fiquei imaginando as repercussões de um evento desses, além das cores, musicas, beijos e abraços .

Uma tomada aérea e logo se vê que é possível umas horas no mundo sem violência, sem agressões recíprocas, nem bombas, nem aviões atropelando prédios, apenas mais de 1 milhão de pessoas caminhando, cantando e se acarinhando.
Agora, outra visão terrestre, mais de perto, em meio à multidão, vem mostrar casais de homens e mulheres, caminhando juntos, beijando-se lado a lado, conversando entre si, livres do medo, ofensas e sorrisos irônicos.

Deslocando a visão para o alto dos trios elétricos, vemos as drags, go-go boys, gays, lésbicas e simpatizantes atirando para o público viseiras, folhetos de orientação sexual, revistas e recebendo dele bexigas,acenos, gritos, beijos. Não ovos, nem desrespeito, nem surras dos skinheads.

Ah, mas uma das coisas mais emocionantes é atentar para as pessoas nas janelas dos prédios, uns sorrindo, outros comemorando, alguns sérios, quem sabe também tantos que gostariam de estar ali ou que na janela relembraram o orgulho de si mesmos há tanto tempo esquecido, a dança que seu corpo já não faz há algum tempo, a alegria e o batom que ficaram perdidos em algum canto da vida...
Por fim, assim como vocês, fico idealizando , meio como John Lennon em "Imagine" o dia em que tais visões possam ser mais rotineiras em mais lugares do mundo...Quando não se comemore só o orgulho de ser homossexual, mas o orgulho de ser humano, de ser gente em toda a sua linda diversidade e igualdade de direitos especialmente o de ser feliz!

Beijos mil,

Cris

P.S.- Nosso "2º Workshop de Relacionamento GLS" foi transferido para o 2º semestre! Aguardem!

Maiores informações: (19) 8121-0443

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