|
Por Cris Reda
crisreda@liberte.tur.br
Quem educa quem?
Oi, pessoal! Que bom
conversar novamente com todos vocês! Desta vez gostaria de bater
um papo ao pé de ouvido e ao pé da letra principalmente
com vocês, educadores, que lidam em seu dia-a-dia com a formação
e informação de nossas crianças e adolescentes. Por
"educador" estou me referindo a qualquer pessoa que faça
isso, seja em casa, no trabalho, nas escolas, nas instituições,
desde os pais, porteiros, inspetores, cozinheiros até professores
e coordenadores educacionais.
Gostaria de lançar mão de uma frase admirável da
escritora Anais Nin que diz: "nós não costumamos ver
as pessoas como elas são, mas sim como nós somos".
Isto porque, também como educadora, tive oportunidade dias desses
de presenciar um "pedaço" de bate-papo de sala de professores
na escola onde leciono e o tema era a homossexualidade ou "homossexualismo",
como erroneamente estavam denominando. Pois, sabemos que o sufixo "ismo",
nas palavras se refere a algo patológico, o que não é
o caso da homossexualidade, esta sim uma condição do ser
e não uma doença.
Me ative a apenas observar e ouvir naquele momento, enquanto sorvia um
café, não como "dona da verdade", mas sim como
expectadora das mudanças e, no caso, das não-mudanças
do início deste nosso século XXI. Penalizou-me perceber
que aqueles professores que estão no "mesmo barco" que
eu, discriminados, mal pagos, desvalorizados, que no entanto buscam estudar
e se informar continuamente, estavam tecendo comentários do tipo:
"acho esquisito uma aluna pedir outra em namoro"... "já
fiz curso de educação sexual, mas onde já se viu
isso?" ou então "ouvi dizer que a convivência com
muitas mulheres leva à homossexualidade"...
Que pena!... Até que ponto esses educadores que acabam sendo discriminados
também não fazem o mesmo com seus adolescentes, ainda que
inconscientemente?
Até que ponto não assumimos nossas próprias diferenças,
sejam elas quais forem e assim também acabamos não aceitando
a diversidade que nos cerca? Até que ponto somos "máquinas
de informação", não sendo tratados como "gente"
e instintivamente acabamos fazendo o mesmo?
Daí a reflexão de Anais Nin, a partir da qual vemos o outro
como vemos a nós mesmos. Por isso há a necessidade de nos
auto-educarmos com carinho, discernimento e sem tantos rótulos
e cobranças, para que assim também possamos ensinar e aprender
com quem quer que seja ao nosso redor, até mesmo com aquele casal
de namoradas que podem ser nossas alunas, filhas ou colegas.
Beijos enormes
Voltar
|