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DIVÃ

Por Margarete Godoy
atendimentogls@hotmail.com

Jingle bells

Essa semana, conversando com um cliente, este comentou sobre o fato de não gostar dessa época de fim de ano, então, curiosa, mas já imaginando sua resposta, disse-me ser pelo fato das pessoas se mostrarem falsas, e que ficava indignado de observá-las o quanto se tornam amáveis, bondosas e gentis, durante todo o mês de dezembro e felizes como num passe de mágica, então, disse-lhe: “Ainda assim, as pessoas em sua maioria, estão expressando essa “falsa felicidade”, imagine se todos fizessem o contrário? Expressassem suas revoltas? Ou até mesmo essa indignação que você está sentindo? ... e assim foi a consulta.

Na verdade, percebo que as pessoas não são felizes somente nessa época, mesmo porque, aproveitam para extravasar, relaxar das tensões do ano inteiro. E também, não prestamos tanta atenção assim no outro, durante o ano, mas sim, em nós mesmos, nas nossas questões individuais, e quando chega o natal, época propícia e inspiradora, é natural ficar mais alegre, mais solto, e olhar os arredores.

Depois, fiquei pensando sobre quantos clientes, amigos ou parentes, também não sofriam e sofrem deste mesmo medo de se entregarem à felicidade, na maior parte do tempo, preferindo viverem sua existência, como numa ilha isolada, 365 dias longe da civilização, do Todo.

Hoje, no consultório, muitos são os casos de pânico, estresse, angústia, dificuldades emocionais geradas pelo medo de amar, de fazerem diferente, medo de serem levadas pela sua própria vontade e desejo.

Eu entendo que as emoções boas, como alegria, amor, façam parte de nossas vidas, que sejam sempre bem vindas e vivenciadas, mas quando outras emoções não tão agradáveis, como a tristeza, raiva, aparecem, são tratadas como se não fossem nossas, como completamente desconhecidas. Mas, e quem disse que só temos prósperas realizações sempre? Que as decepções não fazem parte do nosso mundo? Pois vou dar-lhes uma notícia: Passamos nossos dias em harmonia com todos esses sentimentos e emoções, com as flores e os espinhos também, e o “passe de mágica” consiste em reconhecermos como nossas e experimentarmos cada uma, como partes do nosso Todo; aprendermos a lidar com elas e, viver, não como uma ilha, mas como mais uma gota do oceano.

Errar, aprender, beijar, chorar, abraçar, cair, levantar, se machucar, olhar, começar de novo, essa é a magia dos nossos 365 dias. É sempre um prazer se conhecer. Tenham, não somente um natal, mas um ano inteiro de emoções que demonstrem como a vida pode ser melhor vivida.

*Margarete Godoy Agostinho, psicóloga clínica e de prevenção, com experiência em Análise Transacional, Comportamental e Bioenergética, voltados ao atendimento GLS.

* Todo material poderá ser copiado na íntegra ou em parte, desde que a fonte seja devidamente mencionada.


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